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Juiz de Fora, 03/12/2008

Cidade

Os 150 anos da Paróquia de Santo Antônio

A Arquidiocese de Juiz de Fora comemora no dia 31 de maio de 2000 os 150 anos de fundação da Paróquia de Santo Antônio, a mais antiga da cidade.

31/05/2000

A devoção a Santo Antônio foi introduzida oficialmente em Juiz de Fora por Antônio Vidal, em 1741. Na ocasião, esse morador da vila solicitou à diocese de Mariana a construção de uma capela em sua fazenda dedicada ao santo de sua devoção- Santo Antônio. Nesse período, Santo Antônio já era um dos santos mais populares no Brasil e em Portugal.

Em 1844, a Igreja recebe do Governador da Província de Minas o requerimento permitindo a construção de uma outra capela, agora no núcleo da vila de Juiz de Fora, atendendo ao anseio dos moradores que, com o crescimento da vila, já sentiam a necessidade de uma capela para a realização de seus cultos. O terreno para a construção foi doado pela família Tostes.

Em 1847, é inaugurada a capela de Santo Antônio, mantendo-se assim a devoção ao santo iniciada na vila por Antônio Vidal. A imagem do santo colocada na nova capela, foi retirada da que havia sido construída na fazenda de Antônio Vidal, anos antes. Daí vem a história de "Santo Antônio Fujão". Reza a lenda que a imagem de Santo Antônio voltava para tal fazenda sem que ninguém a levasse. A imagem era devolvida a capela e novamente "fugia" para a fazenda de Vidal. Tudo indica se tratar de uma disputa entre as duas comunidades. Ligado à capela do centro da vila também foi construído um cemitério.

Em 31 de maio de 1850, a Capela de Santo Antônio deixa de pertencer à Freguesia de Simão Pereira e passa a ser a Paróquia de Santo Antônio do Paraibuna. O primeiro vigário da matriz foi o padre Thiago Mendes Ribeiro. A elevação da categoria de capela para matriz coincidiu com a emancipação de Juiz de Fora.

Com o crescimento da cidade, houve a necessidade de se ampliar as dependências da Igreja. Em 1864, o cemitério foi transferido para outro local e a Igreja foi derrubada para a construção de uma outra. Em 1866 foi inaugurada a nova igreja matriz.

Em 1924, Juiz de Fora se desvincula da Diocese de Mariana e passa a ser também uma diocese. O primeiro bispo de Juiz de Fora foi Dom Justino José de Sant'Anna e a Matriz de Santo Antônio tornou-se, então, Catedral.

Na década de 40, Dom Justino lança a idéia de fazer uma reforma na matriz, adotando um projeto arquitetônico de Catedral em estilo gótico. Enquanto faz a campanha para arrecadar fundos para a concretização de seu projeto, o teto da Catedral desaba. Sem os recursos necessários para a "Catedral Gótica", construiu a cúpula da igreja, as varandas em frente ao relógio, aumentou as laterais, preservando as torres da antiga Catedral. As obras começaram em 1950 e a igreja foi reinaugurada em 1966.

Em 1997 foi criado o Centro da Memória da Arquidiocese de Juiz de Fora para reunir, conservar e pesquisar a história da Igreja na cidade e região. O Centro da Memória funciona nas dependências do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio.

Quem foi Santo Antônio?

Fernando de Bulhões y Taveiro de Azevedo, nasceu no dia 15 de agosto de 1195, em Portugal. Aos 15 anos ingressa no Seminário da Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho.

Dois anos depois, concluída a Filosofia, pede para ser transferido para Coimbra, a capital portuguesa, onde a Ordem dos Agostinianos tinha o Mosteiro da Santa Cruz. O motivo principal era a disciplina e o silêncio. Em Coimbra Fernando adquire grande familiaridade com a Sagrada Escritura. Concluídos os estudos regulares, Fernando é ordenado sacerdote, mas continua se especializando nos estudos bíblicos. Certo dia batem à porta do mosteiro cinco frades, descalços, pobres: pediam esmola em forma de comida. Fernando os atende e pede que entrem e participem da mesa comum. Conversa muito com os freis Otto, Bernardo, Acúrsio, Adiuto e Pedro. Antônio descobre que se preparavam para serem missionários em Marrocos, na África. Moravam no convento de Santo Antão dos Olivais, ali perto.

Fernando se interessa por tudo o que falam e aproveita para visitá-los no convento. Fica sabendo que os frades são de uma ordem fundada anos atrás por Francisco de Assis. Sua espiritualidade era viver na pobreza, nada possuir. Não tinham conventos e se sustentavam de esmolas. Isso tudo para anunciar a Palavra de Deus. Jovens de toda a Europa estavam fascinados com esse ideal. Eles, dois a dois, anunciavam o amor de Jesus. Fernando viu os frades partirem, descalços, a pé, rumo a Lisboa, onde embarcariam para Marrocos. Toca-lhe o coração a disposição desses jovens missionários, tão pobres e tão felizes! O que ainda não sabia é que esse episódio mudaria sua vida.

Em fevereiro de 1220 uma notícia sacode Coimbra: Dom Pedro, irmão do rei de Portugal, trouxera as relíquias de cinco frades, missionários em Marrocos. Os jovens insistiam tanto em anunciar o Evangelho que o rei Miramolin os liquida a golpes de espada. Os corpos são jogados à multidão, que os estraçalha. São recolhidos pelos cristãos e remetidos a Coimbra. Fernando fica emocionado: há poucos meses os frades estavam ali, esmolando, falando da missão. Sente um grande impulso de substituir aqueles jovens, partir para a missão e dar a vida por Jesus. Isso não seria possível como monge agostiniano. Com o tempo amadurece a decisão de ser frade. Meses depois, em 1221, Fernando é admitido na Ordem Franciscana e passa a se chamar frei Antônio de Lisboa. Recebe ordem de partir para Marrocos. Mal chegou lá e se adoentou e, sem condições de permanecer na missão, volta tempos depois para Portugal.

Com o passar dos anos, Santo Antônio se revelou grande orador e conhecedor das Escrituras. Lecionou teologia admiravelmente em Bolonha, Montpelier, Toulouse e Pádua. Pela Páscoa, em 1228, pregou em Roma na presença do Papa Gregório IX. Proferiu suas pregações quaresmais em fevereiro e março de 1231 e, no inverno daquele ano, escreveu os "Sermões".

Realizou diversos milagres e dedicou sua vida à pregação e aos mais pobres. Levava uma vida de humildade e fé profunda. Adotou Pádua como sua cidade predileta por ter conseguido lá o maior número de conversões, chegando a fundar nessa cidade uma Associação dos Convertidos. Ficou conhecido como Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa.

Morreu em 13 de junho de 1231, depois de entoar um hino a Nossa Senhora. Gregório IX o canoniza em menos de um ano após sua morte, em 30 de maio de 1232, dia de Pentescostes, na Catedral de Espoleto.

Em 1263 o povo de Pádua vê quase concluída a imensa basílica em honra do Santo. Transporta-se a urna com os restos mortais de Santo Antônio para o novo templo. Para surpresa de todos, com exceção dos ossos, tudo tinha virado pó, menos a língua, que se encontrava incorrupta. Ainda hoje se encontra em Pádua, dentro de um precioso relicário.

Santo Antônio é um dos santos mais populares do mundo cristão. Difícil encontrar uma paróquia sem alguma capela com sua invocação ou com sua imagem. No Brasil são mais de 500 igrejas que o têm como padroeiro. É invocado principalmente pelos pobres e sofredores. Podemos dizer que Santo Antônio é o Santo dos pobres. As esmolas dadas com a finalidade de obter sua intercessão chamam-se "Pão de Santo Antônio". Em muitas igrejas, às terças-feiras, se faz a bênção e a distribuição de pães.

Na América Latina é o Santo casamenteiro e o Santo das coisas perdidas. Moças pedem sua intercessão para realizarem um casamento, casais pedem ajuda para manter a família unida. E quem perde um objeto reza o Responso de Santo Antônio para reencontrá-lo.

No meio de todos esses aspectos devocionais, festivos, populares de sua invocação, não se pode esquecer, em Santo Antônio, a busca da santidade, a imitação de Jesus de maneira radical e seu ímpeto missionário. O ideal de sua existência terrena foi a oração e o anúncio do Evangelho.

E é preciso também lembrar Santo Antônio como intelectual brilhante e, de modo especial, como mestre da Sagrada Escritura. Os sermões que deixou escritos atestam a profundidade de sua leitura e o conhecimento da Bíblia. Em 10 de janeiro de 1946 o Papa Pio XII o proclamou Doutor da Igreja com o título de Doutor Evangélico, o que significa que Santo Antônio deu contribuição original e autêntica para a vivência e conhecimento da fé cristã. O mais importante porém, é ver no santo o homem evangélico.

Fonte: Pastoral da Comunicação
da Arquidiocese de Juiz de Fora

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