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Repórter: Fernanda Leonel
Edição: Ludmila Gusman
Designer: Lívia Mattos
Natal combina com criança. São eles os mais entusiasmados com os embrulhos e
os que mais planejam a escolha dos presentes. Nessa época vale tudo: passar
de ano, ser um "bom menino" fazer promessas de estudar mais no ano seguinte,
tudo pra ganhar o presente dos sonhos.
Esse sonho de consumo natalino nem sempre pode ser realizado. As crianças
muitas vezes extrapolam o orçamento dos pais nos pedidos. Mas o que mais tem
assustado nos últimos tempos não é exatamente o preço, mas o
que está sendo pedido.
Natal diferente
Os pedidos de Natal de crianças a adolescentes cada vez mais se concentram
nas aéras de informática e novas tecnologias. Celulares, laptops,
Ipod , computadores e uma série de novidades tecnológicas estão
presentes em quase todas as listas de Natal- sejam elas para o Papai Noel ou
não.
Quem não possui nenhum utilitário tecnológico, não quer ficar de fora das
novidades que o mercado oferece. Quem já possui, na grande maioria das
vezes, quer trocar por um modelo mais moderno. Novas tecnologias, como por
exemplo os celulares, estão cada vez mais diferentes, modernos e agregados à
outras funções. Os
novos modelos que são lançados periodicamente deixaram pra traz, há muito
tempo, a simples função de
falar.
Deborah Galvão (foto ao lado) é um exemplo dessa mudança de comportamento.
Aos 11 anos, ela domina vários softwares , navega na internet e tem
um celular. Deborah pediu um laptop de Natal para a avó e uma coleção
de DVD´s para a mãe.
A avó Edite Alves comenta que tomou um grande susto com o pedido da neta.
"Nem sabia o que era isso direito. As crianças hoje estão muito mudadas,
estão sempre surpreendendo a gente", diz.
A psicóloga, Lúcia Bargiona, aconselha: evite expor seus filhos há muitas
tendências e tecnologias. De acordo com a psicóloga, o excesso de novidades
tecnológicas, que na maioria das vezes são estimuladas pelos pais, pode
influenciar no desenvolvimento e amadurecimento da crianças".
Estimular o
uso de celulares, por exemplo, pode levar a criança a ser um adulto
consumista. Não que eu seja radical, mas uma criança não precisa ter um
celular"- destaca. A psicóloga sugere que os pais tenham um celular
"reserva" em casa, para oferecer para a criança quando ela for sair ou ir a
alguma festa.
Deborah já tem um celular, mas está pensando em trocá-lo quando puder. "É
muito bom ter o celular da moda", comenta. A garota, que conversa com as
amigas de escola que também tem celular, conta que, muitas vezes, a turma do
colégio usa o telefone pra poder falar com gente que está no mesmo pátio do
recreio.
A necessidade de renovação é característica da nova geração. De acordo com
Fábio Costa, atendente comercial de uma loja de informática da cidade, "as
próprias propagandas do comércio estimulam a troca dos aparelhos,
apresentando sempre novidades para o público". Ele afirma que de dois anos
pra cá, o número de crianças que ganham informática e celulares de Natal
aumentou consideravelmente.
Criança grande
Situação contrária também acontece. Muitos são os adultos que adoram coisas
de crianças. Fã de Hello Kitty, Ursinho Puff e das Meninas Super Poderosas
são sempre muito comuns entre esses grandalhões.
Laís Brunelli (foto ao lado) é apaixonada por coisas de criança. Tem no
quarto muitas pelúcias e não dispensa um caderno com capa infantil. "Acho
que hoje em dia tem como a gente extravasar mais. Na minha infância, os
personagens não eram tão bem trabalhados assim", afirma.
Laís tem uma história interessante. Fã das Meninas Super Poderosas, ela diz que
cada uma das três mulheres da sua casa é conhecida por representar um
personagem. "Encontramos características psiclógicas nas personagens que
dizem respeito à minha mãe, minha irmã e a mim. Muitas vezes, brincamos de
nos chamar de Docinho, Florzinha ou Lindinha", explica, fazendo referência
às personagens do desenho Meninas Super Poderosas.
Com tecnologia ou com brinquedo, o Natal está aí. Façam seus pedidos e torça
para o Papai Noel passar!
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