Quem adora decoração de Natal, iria se encantar ao visitar uma inusitada Casa de Papai Noel. Ela não fica no Pólo Norte, nem mesmo nos cenários europeus, que fazem sucesso nos contos natalinos. Na verdade, essa casa está bem pertinho dos juizforanos e, é lá, que encontramos o maior número de réplicas artesanais do bom velhinho na região.
Há sete anos, cerca de 1.500 Papais Noéis são confeccionados pelas mãos das artesãs Maria Helena Thomas Alvarenga e Maria Thomas (foto abaixo) em uma casa na Rua Espírito Santo. Neste caso, a tradição seguiu caminho inverso, pois foi a filha que ensinou a mãe o ofício de tecer o boneco.
Embora hoje a atividade seja um negócio para a família, a pequena fábrica veio de um sonho de menina: "Ter uma casa cheia de réplicas do Papai Noel", recorda Maria Helena. O tempo passou, os compromissos vieram e a dona de casa só teve oportunidade de realizar seu sonho quando passou por uma cirurgia e foi obrigada a ficar de repouso por alguns meses.
E surgiu um Papai Noel para a sala, outro para o quarto e... quando a artesã se deu conta eles já estavam no jardim, garagem e por toda a casa.
"Comecei a fazer os bonecos para enfeite e logo apareceram as primeiras encomendas", diz. Atualmente, ela comercializa os bonecos por um preço que varia de R$ 30 a R$ 350.
Já a mãe foi aprendendo aos poucos, vendo o trabalho da filha quando
vinha de Caxias do Sul (RS) para passar o Natal com a família em Juiz de Fora. Atualmente, dona Maria Thomas tem que deixar sua casa
no sul em setembro para ajudar a filha na produção de Papais Noéis.
"Quando chega o final de dezembro, meu coração começa a apertar"
, emociona-se.
O ritual para a confecção dos bonecos passa pela escolha do tecido, acessórios,
até chegar a expressão facial dos
papais, cuidadosamente pintados pelas artesãs. Antes de executar uma de suas criações,
Maria Helena escolhe uma função
para o boneco, como Papai Noel paraquedista, ciclista, preguiçoso
(deitado em uma rede), entre outras.
Além da confecção, a visita de milhares de famílias à casa de Maria Helena já
se tornou tradição. "Muitas pessoas entram por curiosidade", diz.
Este foi o caso da corretora de seguros, Rosângela Tostes,
que passando pela rua Espírito Santo se encantou com a casa.
"Essa alegria me atraiu. É como um sonho de infância"
,
comemora.
Como o processo é todo artesanal e exige muita dedicação, dona Maria Thomas confessa que chega a se apaixonar por alguns bonecos. "Chorei quando vendi um Papai Noel de bengala, daqueles bem grandões", diz.
Para a filha Maria Helena, a emoção também é grande ao pensar que cerca
de 1.500 casas ficarão mais alegres neste Natal.
"Este é o canto do canto e do encanto"
, define.
(Matéria produzida pela repórter Renata Cristina, em
dezembro de 2006, veiculada no especial de Natal do Portal ACESSA.com)