Fim de Ano

Rituais de fim de ano despertam esperança em quem praticaAs crenças são boas porque ajudam o cidadão a ter mais facilidade para caminhar em direção à felicidade. Juiz-foranos revelam suas superstições

Jorge Júnior
Repórter
27/12/2011
rituaus

O ano termina e surgem novas expectativas para o ano seguinte. Trocar de emprego, fazer dieta, arrumar um namorado, comprar uma casa, trocar de carro e entrar na faculdade. Para alcançá-los, vale tudo: pular sete ondas, comer uvas ou lentilhas, colocar semente de romã na carteira e até apelar para as cores.

Segundo a terapeuta cognitivo-comportamental Ana D'arc Moreira Arcanjo, os rituais estão relacionados à cultura de cada pessoa. "As crenças são importantes, principalmente, porque cada pessoa acredita no que faz. Ou seja, aquele ato gera esperança para cada indivíduo e, com isso, o cidadão passa a ter mais facilidade em caminhar." Ana completa que, por esse motivo, as pessoas desejam um próspero ano novo. "Elas veem prosperidade pela frente", diz.

De acordo com a terapeuta, se a pessoa pula as sete ondas e tem certeza de que terá sorte, é fundamental praticar esse exercício. "Os rituais são bons porque as pessoas esperam um ano melhor, mais tranquilo e feliz. Passar ao lado dos amigos e familiares, soltar fogos e celebrar são atos saudáveis, porque a gente sempre quer entrar o ano com o pé direito, com saúde, com dinheiro."

Apesar de a crença ser considerada boa, por oferecer esperança ao indivíduo, a terapeuta enfatiza que, se o cidadão for consumido por essa superstição e só realizar alguma atividade perante a crença, pode desenvolver um quadro patológico. Ainda segundo Ana D'arc, se o pedido que foi feito não for realizado durante o ano, o indivíduo pode ter uma desesperança em relação ao ritual que foi feito.

Experiências

Segundo o relações públicas Célio Vidal, a superstição o acompanha desde a época de adolescente. No fim de ano, ele não dispensa as crendices. "Comer as sete uvas é necessário, mas como até doze", brinca. Segundo ele, a lentilha tem que ter durante toda a festa da virada. Além disso, Vidal ressalta que não come carne de animais que têm o hábito de ciscar, porque acredita na lenda de que pode andar para trás, como caranguejo. "Tenho muita mania mesmo. Se estiver próximo a rua, jogo dinheiro para atrair riqueza, se estiver no mar, pulo as sete ondas. O grande barato do ano novo é que a gente pode atrair coisas novas, então os rituais têm que ser feitos."

Vidal acredita que todas as superstições são mentais e que, se a pessoa faz com fé, acontece. "Sem dúvida nenhuma, os rituais atraem coisa boa para quem faz." O juiz-forano conta que as tradições foram adquiridas com outras pessoas. "Eu via alguém fazendo, então tinha que praticar também. Com certeza já multipliquei essas crendices para mais gente que passa a festa da virada comigo."

Outra pessoa que não deixa a tradição de lado é o professor universitário Robson Terra. "Chupo seis uvas, guardo o caroço embrulhado no fundo de uma gaveta e para cada caroço mentalizo alguma coisa positiva", diz. O professor revela que, desde 1976, ele tem esse hábito na virada do ano. "Às vezes dá certo. Se não der, finjo que deu. Nessa época sempre tem muita sugestão de simpatias. Eu acho que comecei a fazer devido à vivência familiar. Antes, eu ia ao Rio e sempre fazia oferenda à Iemanjá, rainha do mar." Terra diz que, todo ano, ele tenta fazer algum ritual diferente, apesar de não ter a tradição de celebrar a entrada em festa. Para o professor, essas evocações dão certo até a distância. "É uma eficácia simbólica, promovida pelo próprio 'eu'."

A comerciante Wanda Maria Souza Magnolo também acredita que essas práticas funcionam, quando são feitas com fé. "Os brasileiros são místicos. Se nos apegarmos em algumas crenças que acreditamos que farão o bem, creio que elas podem ser realizadas", afirma. Wanda, que desde criança passa o Réveillon na praia, diz que pula as sete ondas, leva três moedas para jogar no mar, além de comer os caroços da romã. "É uma tradição que vem de família e amigos, que fazem isso." Segundo a comerciante, na ceia da virada, o arroz com lentilhas também nunca falta.

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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