Educação

Designer O profissional da criação

Ludmila Gusman
02/05/2002

Trabalho de Ana Loureiro A definição da palavra já diz tudo! Design significa criar, inventar... Por isso, não restam dúvidas de que aquele que optar por esta carreira deve ser movido pela inovação. É esse o profissional responsável pela criação de recursos que atraem visualmente os consumidores. A profissão é um misto de arte e ciência adaptados para fins comerciais. Para ser um bom designer é preciso ter em mente duas coisas. A primeira é a persistência para chegar ao resultado final de um trabalho e a outra é ser alguém bem informado.

Formação superior

Em Juiz de Fora, não existe curso superior na área, mas segundo o designer da Agência Lab Propaganda, Rogério Batista, já há projetos para a elaboração de um na cidade. O objetivo é valorizar a profissão. "Nossa preocupação é dar subsídios aos profissionais, para que ocorra um nivelamento no mercado", ressalta.

Trabalho de Ana Loureiro Especialista em designer editorial, Rogério Batista diz que a maioria dos profissionais não possui formação específica para atuar no mercado. "Existem excelentes designers que têm apenas a prática, mas nem sempre isso é o suficiente", avalia. Além de ser criativo, persistente e informado, o profissional precisa ter conhecimentos teóricos que o façam se destacar no mercado. "Criar uma logomarca, por exemplo, parece algo aparentemente fácil de fazer. Mas o trabalho exige muita pesquisa e conhecimento", diz ele. O curso mais ligado à profissão é o de Desenho Industrial, mas graduados em Artes, Arquitetura, Comunicação também atuam na área.

Sem regulamentação

Trabalho de Ana Loureiro Apesar de ser reconhecida pelo MEC, a profissão não é regulamentada. Qualquer pessoa apta a exercer o cargo pode competir no mercado, independente de ter cursado a faculdade específica. A designer da Agência Tríade Comunicação de Juiz de Fora, Ana Loureiro, formada em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que o profissional que faz a faculdade para designer tem muito mais subsídios para atuar na profissão.

"Temos uma formação básica boa e um currículo específico. O fato da profissão não ser regulamentada gera uma dificuldade muito grande para nós. Não que não existam pessoas aptas a criar, mas a gente acaba sofrendo muito com isso", diz. O principal desafio é o salário. Segundo Ana Loureiro, os profissionais formados acabam enfrentando uma competitividade desleal. "Às vezes somos obrigados a cobrar um preço inferior para não perder o cliente", comenta.

A designer, Elza Vandanezi Brasil, está há 25 anos na profissão e não cursou a faculdade de Desenho Industrial. Tudo o que sabe foi adquirido, segundo ela, na prática do dia-a-dia e na curiosidade de estar sempre aprendendo. Ela diz que o mais importante é o dom e ressalta o profissional como alguém que deve se dedicar inteiramente ao que faz. "A arte tem essa vantagem, não adianta fazer faculdade só porque acha bonito e pronto. Não que as faculdades sejam ruins, mas muitos alunos saem dela sem nenhuma criatividade", diz.

No currículo da Faculdade de Desenho Industrial da UFRJ estão incluídas, dentre outras disciplinas, Fotografia, Diagramação, História da Arte, Oficinas, aulas de Física, Cores, Técnicas de Pinturas. O curso tem a duração de cinco anos e possui duas habilitações: Projeto de Produto - desenvolvimento de novos produtos - e Programação Visual - desenvolvimento visual de vinhetas para TV, editoração de livros, revistas, jornais, websites, criação de marcas, logotipos, sinalização aérea e de rua, folhetos, formulários, entre outros.

Design x arte

Há uma diferença básica entre o designer e o artista. Embora muitas pessoas confundam as duas profissões, é preciso deixar claro que o designer não é aquele que expressa uma idéia ou sentimento, sem se preocupar com quem estará em contato com o produto. Ao contrário, ele elabora sua criação preocupado em agradar o consumidor.

Para isso, a técnica é indispensável até que se chegue à solução que vai agradar o cliente. O tempo para fazer um trabalho varia de acordo com o pedido e o período para elaborá-lo. Dependendo da pressa do cliente, o projeto final pode ficar pronto em até três dias.

Mas não pense que é fácil atingir o ideal. O processo de execução de uma peça gráfica passa por uma série de etapas. O designer precisa pesquisar, elaborar a criação, executar e produzir (digitalização, edição de imagens, construção do layout num programa gráfico e preparação para a finalização). O trabalho resulta em folders, logomarcas, cartazes, impressos, vinhetas para TV, animações, embalagens e ilustrações, sempre analisando fatores estéticos, econômicos e psicológicos.

Opções na área

Além dos dois principais eixos Design de produtos e Design gráfico, você pode optar também por :

  • Designer de móveis - O Colégio Técnico Universitário (CTU) de Juiz de Fora oferece o curso de técnico em Design de Móveis. O trabalho envolve criação e desenvolvimento dos produtos, gerando formas adequadas às novas funções e estética; planejamento em materiais, processos e instrumentos de fabricação, bem como o marketing e condições de reciclagem; execução visando a implantação do projeto e gestão da produção.
    O curso é gratuito e oferece novas vagas a cada semestre. Para ingressar, é necessário ser aprovado no exame de seleção, além de ter concluído ou estar cursando a 2ª Série do Ensino Médio.
  • Designer de interiores - É o profissional capaz de projetar espaços interiores, residenciais ou comerciais. Mais que apresentar idéias para a decoração, ele é responsável pelo projeto técnico e pelo orçamento. Ele projeta ambientes, seleciona equipamentos, mobiliário, obras de arte, faz estudos termo acústicos, elétricos e luminotécnicos.

  • Webdesigner - É a atividade que está mais em alta no mercado. O profissional deve dominar softwares gráficos utilizados na programação visual, como Adobe PhotoShop, Corel Draw, Page Maker e Fire Works. Além disso, deve estar constantemente atento às novas tecnologias. Pode atuar em empresas públicas e privadas, gráficas e birôs, produtoras e emissoras de TV, cinema , agências de propaganda, escritórios de design e produtoras internet.

Ou ainda designer editorial, de vestuário, industrial, têxtil, entre outros.
Onde estudar

No Brasil, o ensino da profissão surgiu em 1964 com a fundação da ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial) no Rio de Janeiro, hoje associada a UERJ. Em seguida a UFRJ, em 1973, fundou o curso na Escola de Belas Artes. Hoje o curso existe nas capitais do país se concentrando mais em São Paulo.

A Faculdade de Desenho Industrial pode ser cursada na PUC/RJ, UERJ, UNESA, UFRJ, Faculdade Carioca, Faculdade da Cidade, Faculdade Silvio e Souza.

Saiba mais informações de cursos de graduação, mestrados, especializações na área, selecionados por região, no seguinte endereço: www.dzgnbr.hpg.ig.com.br/cursos/cursos.php

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