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Nomes na mesa

Alfredo Maciel da Silveira - Outubro 2017
 

Pelas postagens e comentários num grupo de rede social que acompanho, noto haver ampla tendência favorável a se operar uma candidatura democrática unitária à presidência da República. A razão maior estaria em evitar a pulverização dos votos num primeiro turno, entre candidatos em torno do centro do espectro político, com as bem sabidas consequências desastrosas para as instituições democráticas. Eu mesmo já postara no grupo “Roda Democrática”, em 1º de setembro, e transcrevo:

A Campanha Eleitoral já começou, gostemos ou não. [...] Entendo ser urgentíssima a definição de nomes e programas que unam as forças democráticas. A unidade é necessária para barrar os extremos populistas e autoritários, à esquerda e à direita. A imensa maioria do povo encontra-se órfã de uma referência renovadora e democrática. Essa não será uma eleição comum, em que se admita num primeiro turno a dispersão de votos entre competidores democráticos. Julgo que a própria Democracia está ameaçada.
Ora, aceitemos que a construção daquela unidade demanda tempo. Demanda a atuação dos operadores da grande política. Mas também está dito e reafirmo que “a campanha eleitoral já começou, gostemos ou não”. Já não fosse o dilema aí configurado entre a urgência e a maturação necessária, a ausência de um nome unificador ao centro acaba retroalimentando as tendências extremistas à esquerda e à direita. Acaba sendo por si mesma amplificadora da crise política!

Então, qual a hora de agir? Computados os benefícios, custos e riscos envolvidos numa postergação, avalio que chegou a hora de pôr os nomes na mesa.

Explico. Quando eu afirmara que “[...] A imensa maioria do povo encontra-se órfã de uma referência renovadora e democrática [...]”, faltou analisar naquele povo uma camada social estratégica e moderna, seja por se antecipar relativamente no debate de candidaturas, seja principalmente por ser formadora de opinião. Tal é a base social órfã que reclama definições.

Ela tem duas vertentes (estrategicamente aliadas), hoje praticamente sem representação no sistema político.

A primeira: uma nova pequena burguesia liberal-democrática e republicana, gente comum por vezes barulhenta, que bate panela e vai às ruas, individualista (mas cidadã) e competitiva, com fé na eficiência do mercado, desconfiada do Estado mas receptiva ao imperativo das políticas sociais.

A segunda: uma amplíssima esquerda democrática, de gente comum fortemente sensível à justiça social, que até o fim apostou no PT e se vê traída, mas mantém forte rejeição aos “neoliberais” (leia-se PSDB). É dispersa e desorganizada, mas herdeira da experiência da Frente Democrática que resultou na Constituição Cidadã de 88.

São essas camadas sociais que constituem a base social nuclear do “Centro”, de onde se irradiam o debate antecipado e a formação de opinião no seio do povo.

E o que essa gente assiste, perplexa, quanto aos pretensos candidatos “centristas”?

São resultados de pesquisas eleitorais a mostrarem pífios indicadores de desempenho, inclusive o do calouro da turma, o “gestor” antipolítico, cujo estilo “nós-contra-eles” não sinaliza compromissos com a unidade. Quanto aos outros nomes postos em escrutínio, não há renovação. São “mais-do-mesmo”, quando não vergados ao peso da proximidade a esquemas de corrupção ora investigados.

A renovação ainda aguarda por nomes. Nomes não só ilibados, de comprovado histórico ético, o que seria insuficiente. Requer-se que ao mesmo tempo sejam portadores de uma visão estratégica do Brasil, com uma formulação consistente e integradora das complexidades, por isso base da negociação política. Por isso mesmo, agregadora das forças democráticas. Numa palavra, nomes com perfil de Estadista.

O que falta então?

Será que os operadores da grande política não estariam vendo o que estou vendo? Ou estariam quem sabe enredados em seus interesses eleitorais pessoais menores e locais?

Se assim fosse, a rejeição popular ao “mais-do-mesmo”, evidenciada nas pesquisas, estaria a indicar o erro de cálculo de quem tentasse pegar carona na grande política.

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Alfredo Maciel da Silveira é MSc. Eng. de Produção e Doutor em Economia.

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Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

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