Infantil

Mamãe animal Cuidados pré, durante e pós parto de cadelas e gatas

Sílvia Zoche
31/05/06

Quando pensamos em filhotes, vem logo à mente aquelas "coisinhas" que mais parecem bichos de pelúcia, não é verdade? Quem ganha um desses pequenos nem sempre imagina o trabalho que as mamães (e o dono delas) passaram na gestação, no parto e no pós-parto. Afinal de contas, elas também sentem muitas dores com as contrações e, normalmente, geram mais de um filhote.

Teka, a cadela da foto acima, vai fazer treze anos de idade em 2006, mas só procriou uma única vez, aos 4 anos. Isso porque seu dono, Sandro Dutra Vieira, não quis ver o sofrimento dela de novo. Não que a gestação e o parto tenham sido tão sacrificantes. O problema foi o período de amamentação.

Durante a gestação dela, Sandro reforçou a alimentação de Teka. Por conta própria, "além da ração, dava uma mistura de angu com pescoço de frango pra ela", conta. Nasceram oito filhotes, sendo que um deles estava morto. "Até que foi tranqüilo. Ela fez tudo sozinha. Forrei a cama com um plástico, porque ela escolheu lá. Eu fiquei por perto. Só o primeiro que foi mais demorado. O Anderson [irmão de Sandro] tentou tirar o filhote morto de perto dela, mas ela avançou nele. Só depois de gritar com ela, que ele conseguiu. Mas foi a Teka que abriu a placenta, cortou o cordão umbilical e limpou os filhotes", relata.

Segundo o veterinário Edney Andrade Reis (foto ao lado), é normal as cadelas comerem a placenta, cortarem o cordão e lamberem suas crias. As gatas também fazem isso. Um conselho é que o dono da cadela ou da gata procure um veterinário depois de alguns dias do cruzamento. Assim , qualquer dúvida no dia do parto, é só perguntar para o médico, mesmo que seja por telefone.

"No caso do dono se sentir inseguro no dia do parto, e se o veterinário conhecer a gestação, dá pra saber se ela vai precisar da ajuda do dono para abrir a placenta, ligar o cordão com fio dental, ou até mesmo levar para clínica no caso de uma cesariana", explica. A veterinária Kátia P. E. Mafra ressalta a importância de deixar a fêmea se virar sozinha. "Pode ficar por perto, até para percerber algum problema. Mas se a pessoa ajuda a fazer o parto, nas próximas vezes, a cadela ou a gata vai ficar dependente e não vai querer se virar sozinha".

Mas Maria Aparecida Guimarães não agüentou quando ouviu sua gata chorando e garante que só auxiliou fazendo massagem na barriga de Nica. "Já tinha deixado ela no meu quarto e ela gritava muito alto. Quando o primeiro filhote nasceu, saí de perto. Não consegui ver a Nica comer a placenta e lamber os filhotes", conta.

Para o médico, é difícil ter algum dono que deixe sua gata ficar prenha. "Só se for criador. Quem tem em casa, a primeira coisa que faz é esterilizar, mas o parto é mais fácil que o das cadelas". Isso porque a gata entra no cio de mês em mês, durante sete dias. Imagina a quantidade de gatos que ela vai gerar? Já a cadela, entra no cio de quatro em quatro meses - ou de seis em seis -, com duração de nove dias. Uma diferença signficativa.

Maria Aparecida confessa que foi descuido. "Ela tem cinco anos e foi a primeira vez que deu cria. De seis em seis meses, levo a Nica pra tomar a injeção que não deixa ela ter filhotes. Quando vi, já tinha passado do tempo e achei melhor não aplicar. Agora, só depois que os três filhotes desmamarem".

Outros detalhes

Não é possível saber se a cadela vai gerar filhotes dias depois de ter cruzado. Somente após 25 ou 30 dias é que a ultrassonografia vai mostrar se há novos seres chegando. Outra forma é apalpando ou fazendo uma radiografia, mas o melhor método é o primeiro. Não há exame de sangue para detectar gravidez, nestes casos.

A barriga aumenta e a cadela costuma ficar mais sossegada. A partir de 40 dias de gestação, troque a ração dela pela de filhote, por ser melhor fonte de energia. Faça o mesmo enquanto ela estiver amamentando. Isso serve para as gatas também. É provável que ela coma duas a três vezes mais que antes. Enquanto estiver amamentando, não estranhe se a pelagem cair. Isto pode ser um sinal de problemas hormonais e não de desnutrição.

Quando ela der sinais de parto, é provável que a fêmea sinta enjôos e vomite devido as contrações. Deixe a critério dela a escolha do local onde deseja ter os filhotes. Tentar deslocá-la para onde você acha que é melhor, pode deixá-la estressada e dificultar o parto. Ao perceber que ela encontrou o lugar, coloque jornal ou panos por perto.

Durante o parto, as fêmeas aceitam a presença de seus donos, porém, lembre-se: quanto menor a ajuda alheia, melhor. Assim que os filhotes nascerem, eles vão procurar a mãe para amamentar, mesmo se ela continuar em precosse de parto. Isso é natural e deixe acontecer, porque é a forma que os "bebês" têm de manter a temperatura.

Ah! Não dispense a ajuda do médico. Ele vai ajudar em momentos como esse, além de trabalhar em plantão de emergência.

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