Belinha (foto abaixo, à esquerda) é uma poodle de dez meses que tem um
comportamento dócil e tranqüilo,
mas bastou a campainha tocar que ela corre para ver quem está chegando. Segundo
Janice Gerônimo, que trabalha na casa dos donos de Belinha, essa
a única hora em que ela late. "Ela é uma cachorra muito meiga e apegada às pessoas"
,
define.
Campainha e interfone também alteram o comportamento da dócil Fiore (foto abaixo, à direita), uma cocker spaniel de cinco anos, sendo três sob os cuidados da baba dog Maria Carvalho. Segundo Maria, essa é uma raça "latidora" por excelência, mas Fiore só exagera mesmo quando ouve os sons da campainha.
O comportamento de Belinha e Fiore é típico de animais que se sentem donos da casa,
segundo o veterinário Edney Reis. "O animal só entende duas
linguagens: ou ele manda ou ele obedece. O que acontece é que, muitas vezes, são
os cães que determinam a hora de receber carinho, por exemplo"
.
Reis explica que reações como latidos e choramingos são a forma que o animal encontra
para se comunicar e isso deve ser sempre observado. Saber se o seu cãozinho está
exagerando na dose ou não depende de você. "Essas alterações no comportamento
só passam a ser problema quando incomoda ao dono ou às pessoas que convivem com
o animal. Se você tem cinco vizinhos e três reclamam do seu cachorro é porque
algo está errado"
.
Se você já está cansado de ouvir as pessoas reclamarem do seu cachorrinho ou se
ele já está atrapalhando a rotina da sua família por causa de latidos fora de hora,
ou porque ele está lambendo as mãos e pés das pessoas, saiba que tem solução. Em
primeiro lugar, é preciso entender que todos esses comportamentos são maneiras que
ele encontrou de chamar atenção e pedir carinho e obtê-lo na hora em que deseja.
Reis garante que o animal pode mudar, ainda que esteja velho, mas é preciso que
mudem o dono e todo o ambiente em que o cãozinho está. "O cachorro muda com um
mês e muda com 22 anos, mas o dono tem que mudar também. O cão aceitou ser domesticado
porque no seu habitat ele tem uma escala hierárquica de liderança e o líder é 'Deus',
é inquestionável. O líder eleito pelo cachorro pode resolver todos os problemas do
animal"
.
Segundo ele, em casos extremos, o uso de drogas é aconselhável, mas, na maioria
das vezes, apenas a mudança no comportamento do dono já é válida. O cão tem que
entender quem manda na casa, tem que ser tratado como animal, não como membro da
família.
Maria revela que Fiore é tratada com todo cuidado e carinho, mas é tratada
como um cão. "A dona dela detesta essas coisas de roupinha, lacinho, subir no
sofá, na cama"
. Talvez por isso a cadelinha seja tão comportada e obediente.
"Não é possível pensar em felicidade para cachorro, embora isso já seja aceito pelo senso comum"
"O cão não demonstra submissão ativamente"
"Ele conhece três formas de desafio: olho no olho, vocalização e agressão física"
"Normalmente ele pára de comer a ração porque está se alimentando de outras coisas como pão e biscoitos"
*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF