Gosto pelos cartoons começa na infância e acaba virando coleção com números raros, porém pouco valorizados no Brasil
Sílvia Zoche
Repórter
10/11/05
Quem foi que disse que revista em quadrinhos é coisa de criança? Pode até
ser que o gosto pela leitura dos cartoons comece na infância, mas existem
vários tipos de quadrinhos para o público jovem e adulto também! E, as revistas
mais procuradas costumam ser a de super-heróis.
Quem for às bancas de sebo - local onde se encontram livros e revistas usados - vai observar que ainda existem muitas revistas em quadrinhos em tamanho menor, conhecida como formatinho, comuns no Brasil. Atualmente, as revistas são maiores, em formato americano, que, na verdade, são os tamanhos originais.
O jornalista, Gustavo Coutinho Goulart (foto abaixo), conhece bem o mundo dos quadrinhos, porque, como muitos, iniciou o contato com este tipo de leitura na infância. "Nessa época, eu queria mesmo era ter muitas revistinhas, sem pensar em coleção", diz. Hoje, aos 28 anos, ele possui cerca de quatro mil revistas, guardadas com cuidados especiais na parte de cima de seu guarda-roupa e cômoda. Gustavo fez sua monografia, da Faculdade, sobre o tema, em que mostra como os gibis relacionam as histórias fantásticas com as da realidade.
Por mês, ele acredita gastar R$ 100 com o hobby. "O consumo
maior são com as revistas especiais. Da editora DC compro umas seis e da
Marvel três e o restante com especiais", conta.
DC Comics e Marvel são editoras norte-americanas rivais que publicam as fantásticas histórias de super-heróis. A Marvel é responsável por heróis como X-Men, Demolidor, Homem-Aranha e Hulk e a DC por Super-Homem, Batman, Flash e Mulher-Maravilha. Mas há revistas de publicação européias e brasileiras, mas as americanas são as mais famosas. O herói preferido de Goulart? Super-Homem. "Eu via o Super Man voando nos filmes e achava o máximo. Isso influenciou", argumenta.
Já o analista de sistemas, William Carlos Chaia de Almeida, 38, tem o Surfista
Prateado, Thor, Batman e a Mulher-Maravilha como
super heróis preferidos. Sua coleção, que começou desde pequeno, não é
tão vasta, porque Chaia teve que se desfazer de muitos gibis, por falta de
espaço em casa. "Devo ter umas 300 revistinhas, atualmente, mas se não tivesse vendido, teria
uma duas mil, mais ou menos".
Mas o fascínio pelos quadrinhos mantém-se o mesmo e continua comprando revistas todo mês. "Procuro saber o que tem de novidade e pergunto na loja que costumo comprar se tem alguma revista especial", explica.
Os quadrinhos, para Chaia, são uma diversão simples e que o ajudou a redigir bem. "Sempre li muito e não só gibis. Hoje em dia, eu acredito que escrevo muito bem por ler bastante. Além disso, desde a década de 1990, as revistas em quadrinhos aliam realidade e fantasia. Algumas possuem temas psicológicos e políticos", exemplifica.
O músico Maurício Fernandes Quintella Ávila, 26, também diz que sempre leu
muito, mas os quadrinhos já não fazem parte do seu dia-a-dia há cinco anos. A
pesar disso, ele ainda guarda a coleção, que começou aos 13
anos. "Já tentei vender uma vez, até pensei em
para para contar quantas revistinhas tenho, mas não tenho coragem", conta.
O interesse pelos gibis começou quando um amigo mostrou as revistinhas, em 1992. Logo em seguida, um professor de violino deu várias revistas do Batman para ele. "Como eu vou vender? Este professor disse que quando eu não quisesse mais, era para eu repassar para alguém que gostasse destas revistas", relata.
Para continuar a coleção, Ávila comprava revistas com a mesada que ganhava
e, depois, pediu uma assinatura de gibis para sua mãe. "Ela foi renovando a assinatura,
mas quando fiz 18 anos, ela parou. Comecei a comprar com meu dinheiro",
conta.
O tempo foi passando e outras prioridades foram surgindo na vida de Ávila, como a compra de equipamentos para banda de música (atualmente, ele toca em quatro bandas), passou para o vestibular de Química, começou a dar aulas de música e o tempo ficou preenchido. "Por conta das revistinhas comecei a colecionar cards e a jogar RPG, que jogo ainda". Ah! As histórias prediletas dele são as do Wolverine, um dos super-heróis do X-Men.
Especiais
As chamadas revistas em edições especiais são mais caras, mas encantam os
colecionadores. São revistas com qualidades melhores e algumas são
produzidas em aquarela antes da publicação e encadernadas com capa dura. A
Marvels, que possui quatro revistas em quadrinhos em uma, custa,
atualmente, R$ 55.
Mas especiais também são as revistas em quadrinhos que são difíceis de serem encontradas. Goulart diz que os vendedores de sebo vendem revistas que são raras de se encontrar por um preço muito barato. "No Brasil, as revistas não têm força, são consideradas leituras de criança. Já comprei revista nº 1 do Super Man por R$ 1", conta. Chaia diz que se arrepende em ter vendidos algumas revistas, justamente pela raridade. "Agora já era". Por isso, Ávila não quer se desfazer da coleção. "Vai que um dia eu resolvo continuar a coleção?".
Quem quiser colecionar, alguns cuidados como usar antimofo sem odor, plastificar cada revista são essenciais para conservação delas. E se for emprestar alguma delas, anote o nome, dia e horário. "Eu emprestei algumas e até hoje não sei com quem ficou", lembra Ávila.
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