Sílvia Zoche
10/02/05
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| Cadeira de balanço reciclada | Mesma cadeira, porém estofada |
Há cerca de um ano Silvânia mora em Juiz de Fora e resolveu fazer um curso básico de marcenaria na cidade. "O meu interesse não era montar uma marcenaria, mas aprender algo novo. Eu não sabia qual seria o meu interesse, mas tinha certeza que algum dia um objetivo iria despertar. Até que meus olhos ficaram voltados para reciclagem de madeiras", diz.
Ela iniciou, então, o projeto Reciclando Elegâncias. São cadeiras de madeira antiga, com idade aproximada entre 40, 50 e 60 anos, que Silvânia encontra no lixo ou que compra por um valor muito pequeno. "Encontro na feira da Av. Brasil, que acontece todo domingo; em lojas de móveis usados; na rua, embaixo de viadutos... Já comprei cadeira por R$ 3 e por R$ 20. São valores ínfimos mesmo". As cadeiras que encontra, Silvânia leva para sua casa.
São cadeiras de diferentes modelos e épocas que, segundo ela,
devem ganhar um lugar de destaque na casa. Por enquanto, a casa escolhida é
a dela. "Não menciono preço, que para mim é exorbitante. Quem comprar a
cadeira, vai levar parte de mim,
vai levar os meu pensamentos, vai levar a troca de energia, de
alma. Quem quiser, vai ter que pagar um alto valor", explica. Até hoje, ela já
restaurou 12 cadeiras.
Modelos e estofados
O interesse de Silvânia a faz procurar e pesquisar os modelos.
"O meu estudo ainda é pequeno, mas quero viajar, fazer cursos e aprender
sobre cada uma delas".
Ela já sabe que as cadeiras que comprou eram pintadas com tinta escura, para esconder os diferentes tipos de madeira. A descoberta acontece no momento da reciclagem. "Procuro manter a originalidade da madeira e não escondo os buracos. Os variados tipos de madeira ficam à mostra".
Quando a cadeira chega sem partes do braço, da perna ou do assento, Silvânia recorre ao trabalho de marceneiros. O que ela aprendeu no curso de marcenaria foi o básico. "Eu lixo, passo selador e, por último, a cera. Reconstruir partes quebradas fica por conta da marcenaria".
Reciclar, para a professora, é eliminar o passado destes objetos. "Ofertei-lhes uma vida leve, de elegância e beleza, utilizei o moderno dentro do que é velho e rústico... Uma nova identidade!". O toque de modernização fica por conta do estofamento. "Assim que pego uma cadeira, já consigo ver o que vou usar no estofado. Adoro cores berrantes", afirma.
Um dos exemplos de contraste da madeira antiga com o colorido da
modernidade é a cadeira da foto ao lado. Além de contrastar estilos,
Silvânia aproveitou para cobrir uma parte que foi muito danificada. "Ela veio
quebrada. Levei ao marceneiro e ele fez uma emenda, mas como não resultou em um
visual bonito, resolvi estofar também a lateral remendada", explica.
Outra idéia é misturar retalhos de couro escuro, para contrastar com uma madeira clara. Silvânia já tem planos para um par de cadeiras que ela vai nomear de Série Brasil. "Quero fazer uma com estofado amarelo e outra verde", diz.
Para a professora, todo e qualquer modelo restaurado deve ser um objeto de admiração. "É uma cadeira de poeta, de um pensador", conta.
Exposição
No fim de março deste ano, Silvânia pretende montar sua primeira exposição
doméstica de cadeiras. "Será aqui em casa, sem pretensão comercial".
No meio deste ano, ela quer expor as cadeiras em um hotel da cidade. "Quero
aproveitar e fazer um sarau também, vender minhas crônicas. Quando se faz um
trabalho, é preciso que as pessoas conheçam você. Mas é importante que a
exposição seja um espaço multicultural".
Por enquanto, quem tiver curiosidade em ver de perto o trabalho de Silvânia e estiver disposto a pagar o preço por uma peça restaurada, pode ligar para 3235-1796 e agendar um horário. É uma oportunidade, também, de colocar em prática as idéias de Silvânia.
*Passe o mouse sobre as fotos para ver os créditos.