Para quem duvida da criatividade humana, o projeto Reciclasa é prova de ousadia e muita "transpiração imagética". Os mais diversos materiais e objetos, recicláveis ou readaptados a outras funções, foram confeccionados para dar corpo a uma casa por completo, sem exceções.
Quarto, cozinha, escritório e sala de visitas, todos estes ambientes e seus mínimos detalhes representam a possibilidade da reutilização de objetos, em diferentes contextos.
As paredes são revestidas de palha de coco e, até uma mistura caseira, com restos de garrafas de leite e pasta de dente, serve como tinta para ambientes, como o escritório e o quarto das crianças. A decoração é ponto alto dos cômodos que têm quadros com latas de milho verde, luminária de arame e pisca-pisca, bancos de papelão e relógios de embalagens de margarina.
Cada lugar, cada detalhe é fruto do reaproveitamento de artesãos e arquitetos de todo o Brasil, envolvidos no projeto Reciclasa, que já passou pelas cidades de Belo Horizonte, São Paulo, Fortaleza, Goiânia e Natal. Juiz de Fora é a primeira cidade, fora do eixo das capitais, que recebe o trabalho.
A produtora da mostra na cidade, Gabriela Altaf conta que
se surpreendeu quando os cômodos começaram a ser montados no Centro Cultural
Bernardo Mascarenhas. "Já sabia que o projeto era maravilhoso, mas aqui a
gente tem idéia de como cada item pode ser recriado"
, observa.
Quem se propõe a viagem pelo "mundo da Reciclasa", surpreende-se logo ao chegar na mostra. Até mesmo os menos curiosos têm uma pergunta constante na ponta da língua: "Do que isso é feito?". No caso do escritório, ele possui cadeira, caixas, porta-lápis, porta-retrato e abajour todos construídos com jornais. Pintados com um mesmo tom, que lembra a madeira, à primeira vista ninguém percebe que são reciclados.
Os armários e a estante são feitos de PVA, um compensado de madeira. Já o sofá tem a estrutura de garrafas pet e o forro é de um tecido que estava para ser descartado. Para fazer os quadros, como este da bandeira do Brasil, foram utilizadas latas de refrigerante.
"Nesta casa, tudo é original, por isso o valor é inestimável"
,
acredita uma das monitoras da mostra, Fabiana Amaral. Para
a fotógrafa, Iere salzer, os revestimentos das paredes e as
cadeiras de pneus foram os itens mais significativos. "Se você não quer
reciclar, doe para alguém"
, considera.
Ao chegar na cozinha, a surpresa é ainda maior. Todas as portas do armário principal (foto) são feitas de jornal entrelaçado. As cadeiras e o revestimento da mesa ganham ares contemporâneos com recortes de revistas e histórias em quadrinhos. Uma distração para a hora das refeições!
Cheio de graça e objetos lúdicos, o quarto das crianças chega à perfeição de expor um tênis feito de lona de caminhão. As cadeiras de estudo também reutilizam parte de veículos, como pneus, usados para fazer os assentos e as mangueiras do motor, que servem de encosto.
O aconchego da sala é garantido por itens como um tapete de borracha e até um banco feito de papelão. Itens decorativos, como luminária, painel e vasos de flores são todos combinações de objetos de ferro velho e jornal. O aparador (foto) foi feito com a grade de um portão e incrementando com pratos de restos de azulejos.