Mulher

Remédios para emagrecer
Prós e contras deste recurso

Ludmila Gusman
28/12/01

Amanda Lima Aquela calça que você tanto gosta não entra de jeito nenhum. O manequim que era 38 passa para 40, 42, 44...48 e aí, você fica desesperada. Vale tudo para voltar ao peso ideal: ginástica, dietas, greve de fome e, até mesmo, os chamados remédios naturais ou inibidores de apetite. A estudante Amanda Lima (foto) optou por este último depois de inúmeras tentativas de dietas fracassadas. Hoje, ela garante que se alimenta bem, através de uma reeducação alimentar com a orientação de um médico.

Depois de dois meses tomando o medicamento indicado, Amanda emagreceu 2 Kg. Apesar do resultado satisfatório, ela afirma que não ficou isenta dos efeitos colaterais. “Quando comecei a tomar o remédio minha boca ficava seca, o que na verdade foi um ponto positivo, para mim. Eu passei a beber mais água, coisa que não fazia antes com freqüência”. Segundo ela, a necessidade de começar a tomar o remédio para emagrecer surgiu quando percebeu que a falta de exercícios físicos estava causando mal à sua saúde. “Eu entrei na natação e vi que estava precisando emagrecer. Procurei um médico e ele me indicou o Desobesi-M. Até o momento estou satisfeita”, diz.

A tesoureira Célia Regina Ferreira não teve a mesma sorte de Amanda. Ela não pode nem ouvir falar de remédios para emagrecer que se lembra da experiência “trágica” de três anos atrás, quando optou por uma fórmula emagrecedora, para voltar ao peso ideal. Célia conta que desde a adolescência sempre buscou alternativas para não engordar e que, por esse motivo, conhece vários tipos de dietas. “Mas, nenhuma delas adiantou. Eu perdia uns quilos e voltava a engordar de novo”, comenta.

Depois de várias tentativas sem êxito, Célia optou por um medicamento para emagrecer, mas mal podia imaginar o risco que corria. Foi a gota d´água para não querer mais ouvir falar nesse recurso. Sua pressão arterial subiu “exageradamente” e ela precisou ficar uma semana internada, sob a observação dos médicos. “Foi um susto muito grande. Hoje não tenho coragem de tomar nenhuma fórmula para emagrecer, apesar de estar acima do peso. Tenho 120 Kg e pretendo fazer a cirurgia de redução de estômago, acho que essa vai ser minha única saída, além, é claro de cuidar da minha saúde, através de uma dieta equilibrada e exercícios físicos. Não tenho coragem de tomar remédio e aconselho as pessoas a não fazerem isso”, diz.

Sacrifícios pela busca de um corpo perfeito
De acordo com a psicóloga, Denise Mendonça de Melo, todo o sacrifício que uma pessoa é capaz de se submeter para ser magra se resume apenas em uma frase: a busca do corpo ideal! Por causa dessa “paranóia” de querer emagrecer, as pessoas acham que qualquer sacrifício vale a pena e o arrependimento acaba chegando tarde demais. A obsessão em ser magra, segundo Denise, é fruto de uma sociedade em que se valoriza “um modelo físico indiscutivelmente perfeito”.

Com a falta de orientação e informação, a saúde fica comprometida levando a doenças graves como, por exemplo, a bulimia e a anorexia, prejudicando seriamente a qualidade de vida. A psicóloga alerta que é preciso, antes de tudo, verificar se vale a pena todo o sacrifício e que antes de se prejudicar, a pessoa deve pensar bem se há necessidade de se enquadrar aos padrões de beleza para ser feliz.

Quem pode tomar os medicamentos
Por mais que a “propaganda” garanta que o remédio é confiável, a endocrinologista Ana Chartuni Teixeira Cury recomenda o acompanhamento médico em qualquer situação. Ela explica que o risco de tomar medicamentos para emagrecer, sem orientação, pode causar sérios problemas à saúde como a perda de potássio, paradas cardíacas, depressão e, em alguns casos, até ocasionar a morte da paciente.

Segundo a médica, para avaliar que tipo de remédio é ideal para cada pessoa, é preciso levar em conta diversos fatores. Um deles é a porcentagem de gordura e a distribuição dessa gordura no corpo, que varia de pessoa para pessoa. “É preciso calcular o índice de massa corpórea e a circunferência da cintura. Nas mulheres o ideal é abaixo de 80 cm e o aceitável 88cm e, nos homens o ideal é 92cm e o aceitável é 100cm”. Ana Chartuni diz que as pessoas que têm um índice de massa corpórea acima de 30 e muita gordura acumulada na cintura podem tomar os remédios, desde que o médico a avalie e indique o mais adequado.
Calcule seu índice de massa corpórea.

Alguns tipos de inibidores de apetite
Apesar de não ser contra às fórmulas naturais, Ana Chartuni diz que existem muitos medicamentos “ditos naturais”, que possuem substâncias químicas. “É preciso tomar cuidado com alguns remédios que possuem hormônios tireodianos embutidos em fórmulas naturais. Para cada caso, existe um tratamento. Não adianta tomar remédio para emagrecer, quando o problema é na tireóide. Não há lugar para os hormônios tireodianos, diuréticos e laxantes no tratamento de obesidade”. diz.

Segundo a médica, as perdas rápidas de peso são acompanhadas por ganhos ainda maiores. “O ideal é uma perda de 0,5 Kg a 1 Kg por semana, através de uma reeducação alimentar, eliminando gorduras, reduzindo carboidratos”. Além disso, a endocrinologista recomenda ao paciente estar atento a bula do remédio, para saber quais os efeitos colaterais a pessoa pode vir a ter. Segundo Ana Chartuni, os medicamentos podem ser:

  • Seroninérgicos: inibem a recaptação da serotonina e noradrenalina, levando à saciedade e melhora da queima calórica. Ocasionam efeitos colaterais que podem ou não levar à dependência física.

  • Derivados anfetamínicos: inibem o apetite, levam a dependência física e maiores efeitos colaterais. São utilizados porque são mais baratos, reduz a absorção de gordura a nível intestinal, como é o caso do Orbistat. Além dele, é utilizado ainda o Fenproporex e o Anfepramona.