Quando a amizade se torna uma grande paixão
Emilene Campos
09/11/01
Aí entra a fase do "declara, não declara".
Enquanto uns ficam tão receosos de prejudicar a amizade e se afastam
de quem estão apaixonado, outros são movidos pela impulsividade.
Quando os dois estão na mesma sintonia, ótimo. Um dos envolvidos acaba dando pistas para que
o outro perceba, e o namoro acontece.
O problema é quando o vínculo não se dá no mesmo nível.
"Você estabelece um relacionamento movido pela atração sexual, afeto ou
mesmo afinidades intelectuais. Um deles pode predominar para um, enquanto
para o outro ele pode nem existir", explica Cássia Sartori, terapeuta de casais há 23
anos. Em alguns casos, tal reciprocidade pode ser, digamos, induzida, através do que os
psicólogos chamam de projeção. "A pessoa idealiza o que ela gostaria que
outro fosse e sentisse. Então imagina que o outro também está envolvido",
completa Cássia. "Mas, envolvido pelo jogo da sedução, o interesse pode
acabar acontecendo," como explica o psicanalista Ricardo Gomes Sabino.
Amizade do começo ao fim
Camila Stroppa Faquim e Luciano Montfort se conheceram na faculdade de
Comunicação Social da UFJF. Depois de seis meses fazendo trabalhos
e saindo com a turma do curso, eles acabaram ficando. Para Camila, o que a
aproximou de Luciano foram as inúmeras afinidades. "Gostávamos do mesmo
tipo de música, tínhamos o mesmo estilo de vida", conta.
Tantas coisas em comum não fizeram com que o namoro desse certo. Durante
um ano e meio, Luciano e Camila eram o "Casal 20" da faculdade. Mas, para surpresa da turma, que já
se sentia meio madrinha daquela
relação, o namoro terminou. O interessante disso tudo é que a amizade continua. Até hoje, o casal se
relaciona sem nenhuma "pendência", segundo eles.
Há quem acredite que um namoro que nasce de uma amizade é mais maduro, tem mais chances de vingar. O fato das pessoas se conhecerem bem e se identificarem não significa que o relacionamento vai dar certo. Pelo contrário, segundo a terapeuta. "Amar o igual é muito fácil. É como amar a si mesmo. O difícil é reconhecer a diferença e mesmo assim amar", argumenta Cássia Sartori.
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