Mulher
Meu filho cresceu!
Crianças e adolescentes querem sair sozinhos e namorar cada vez mais cedo. Quando essa fase chega, os pais não sabem o que fazer

Fernanda Leonel
Repórter
12/01/06


A psicóloga, Carla Queiróz, fala da importância do diálogo na relação entre pais e filhos. Clique no ícone ao lado e confira o vídeo!

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Tem muito pai e mãe de cabelo em pé. O motivo? Suas eternas crianças, agora já com 11, 12 ou 13 anos querem sair de casa com os amigos e já conversam sobre namoro. Muitos pais não se conformam, como se no fundo não quisessem que o filho crescesse. Com outros, a queda não chega a ser tão dura assim, mas é inevitável que a surpresa e as incertezas de como deve ser a melhor maneira de encarar a novidade tome conta da situação.

A dúvida sempre vem: "deixo ou não deixo meu filho sair sozinho com a turma? Qual é a idade certa para isso? E se ele disser que quer namorar?" Questões parecidas para um infinito número de pais.

A situação de dúvida para essas perguntas tem se tornando cada vez mais comum, mesmo porque, crianças e adolescentes querem sair de casa e conquistar sua "independência" cada vez mais cedo. É possível perceber que essa requisição não ultrapassa dos 12 anos atualmente, sendo que em Juiz de Fora, há vários points dessa galerinha.

Muitas são as mudanças de comportamento dessa nova geração que pertence à internet, aos games eletrônicos, às músicas de formato MP3, às noções diferentes de tempo e espaço. Comparada, por exemplo, com jovens de dez anos atrás, são nítidas as mudanças. Um jovem da geração anos 80, hoje com 25 anos, começava a sair de casa em média aos 15 e namorava aos 16. Mas o que mais se vê hoje são meninas e meninos de 12 ou 13 anos passeando com a galera à noite, ou de mãos dadas com seus "paquerinhas" nos shoppings ou praças da cidade.

O medo ou angústia dos pais pode ser ainda maior se eles possuem filhas em casa. Na maioria das vezes, a criação das meninas é cercada de cuidados e proteções maiores quando a comparação é feita com a criação de um menino.

Na hora de conhecer o famoso "genro" ou de se despedir das garotas na saída para uma balada, pais e mães de adolescentes "tremem nas bases". De acordo com a psicóloga Carla Queiróz (foto), o susto ou medo dos pais nessa etapa da criação dos filhos é algo extremamente normal e certamente, caso seja bem solucionado, pode até mesmo fortalecer a relação entre a família.

Qual a hora certa do sim?
Não há receita de bolo para isso. Cada situação, de acordo com a psicóloga Carla Queiróz, deve ser analisada isoladamente. "Não há idade certa para sair de casa ou namorar, há maturidade indicada."

Cada pai deve conhecer o filho que tem em casa, saber de que forma ele reage há determinadas situações. Esse é o conselho da psicóloga. Sabendo como ele se porta frente a determinado problema é possível classificar sua maturidade para sair sozinho ou namorar.

Mas se você tem dificuldade em perceber até que ponto seu filho já está maduro para a idade dele, aí vão as dicas. Perceba se ele sabe explicitar com clareza suas vontades quando vocês dois conversam ou quando ele conversa com amigo; analise seus argumentos, perceba se ele sabe dizer não. Se ele fizer isso com desprendimento, não se assuste: ele está pronto para aprender um pouco mais com a vida, com traços de personalidades fortes o suficiente para evitar problemas.

Impondo limites
Entender que ele começa a descobrir a vida e que tem direitos de sair à noite ou namorar não quer dizer que é necessário se render ao crescimento do seu filho. A abertura aos novos hábitos agora requeridos por ele devem sempre vir acompanhados da lembrança do papel que cada um ocupa na relação.

"É preciso deixar claro aos pais que eles ainda vão ocupar a posição de conselheiros e responsáveis por muito tempo, que ainda não precisam se preocupar com a crise do "meu filho cresceu" ao mesmo tempo que não devem descuidar do monitoramento dos baixinhos", destaca a psicóloga Carla Queiróz.

Carla afirma ainda que apesar da idéia de imposição de limites parecer "balela" para muitos pais, ela ainda é a grande responsável por um desenvolvimento psicológico saudável do filho.

As saídas noturnas e primeiros namoros dos adolescentes, conseqüentemente, seguem essa necessidade. É preciso impor limites para esse novo tipo de comportamento para que os pais evitem problemas futuros.

Ficar em casa é coisa de criança!
As amigas, Bábara Ribeiro, Laura Teixeira e Clara Marx (foto), sempre se encontram para poder dar uma voltinha. Juntas, elas vão agregando gente da mesma idade que resolveu também curtir a noite. Todas têm entre 12 e 13 anos e afirmam já sairem desde os 11 anos. "Com oito anos eu já vinha passear no shopping, mas isso durante o dia. Depois convenci minha mãe que já estava na hora e poder sair à noite sem ela do meu lado", afirma Bárbara Ribeiro que vai até viajar só com o motorista da família para a praia com as amigas.

Todas já 'ficaram' e dão até risada quando são perguntadas sobre isso: "claro, né?" é a resposta geral. Geral também é a resposta de que os pais ficaram muito assustados, mas acabaram se rendendo à situação. Bárbara, a única que tem namorado, diz que hoje os pais chegam a ser "puxa-saco" do namorado que é dois anos mais velho que ela.

Pablo Ricardo (foto), de 12 anos, também já sai de casa desde os 11. Ele e os amigos não perdem uma sexta-feira à noite: "ficamos doidos pro fim de semana chegar e a gente poder dar aquela aproveitada", diz. Ele conta que já chegou a sair de casa escondido da mãe para fazer companhia aos amigos de sala.

"Não tem como não sair pra passear. As gatinhas ficam esperando a minha turma chegar", brinca. Ele ainda não saiu pra dançar, mas afirma que esse é o próximo pedido para os pais.

Thomáz Bedineli (foto) está na mesma situação. Aos 11 anos já é figurinha conhecida da noite no shopping. Mas ele também vai comer pizza com os amigos, joga boliche ou vai ao cinema. Para esses programas, ele afirma que os pais não se preocupam e que já acostumaram com a idéia de ele sair pra um lugar diferente do deles.

Ele, que junto com os amigos "azara as gatinhas", como afirma, diz que não conseguiria ficar em casa em uma noite do fim de semana. "Ficar em casa à noite é coisa de criança!", é a justificativa enfática do garoto que cursa a 5ª série.

Dicas

Você está nessa situação? Caso tenha filhos adolescentes ou queira se preparar para os próximos anos, fique atento às dicas da psicóloga Carla Queiróz

• Conheça seu filho de verdade, analise o tipo de discurso que ele tem com você e com as pessoas de fora. Dessa forma é possível medir a maturidade dele para definir suas ações.

• Imponha limites. Crianças e adolescentes nessa idade precisam conhecer o significado dessa palavra.

• Não prive seu filho de diversões. Prefira monitorá-las.

• Não se esqueça que bons diálogos possuem linha de mão dupla. Você também precisa ouvir o que ele tem a dizer e muitas vezes perceber que ele pode estar certo.

• Lembre-se que você também viveu as mesmas emoções que ele, sem tentar com isso, transportá-lo para a criação que você teve.

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