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    Mãe, amor sem limites

    Jorge Júnior
    Editor
    14/05/2017

    “Amor de mãe é a mais elevada forma de altruísmo”, define a frase de Machado de Assis, que é reforçada pela professora Maria Luiza Andrade, que em 2002, entrou para a fila de adoção, em Juiz de Fora. “Eu sempre quis adotar. No meu primeiro relacionamento, queria me cadastrar na fila de espera, mas meu parceiro não aceitava, quando separei, vi que não precisava de outra pessoa para realizar meu sonho, conversei com minha família e procurei a Vara da Infância e da Juventude. Passei por todas as burocracias e tracei o perfil que eu queria”, diz.

    Segundo Maria Luiza, durante a espera, ela foi informada de uma criança que tinha vindo do interior, sem acompanhante e estava na Santa Casa. “Foi em um feriado e resolvi conhecer o bebê. Logo na entrada do hospital, ela estava tomando sol no colo de um enfermeiro. Peguei-a no colo, procurei a assistente social e corri atrás para ver se ela ia para adoção”.

    Mas, segundo a professora, no meio do caminho ela ficou sabendo que seu processo estava arquivado, por engano. Já decidida em ficar com a criança, ela procurou auxílio de um advogado, que intermediou o contato com a mãe biológica. Assim ela obteve a guarda. Porém, o documento não foi aceito pelo juiz, que solicitou a presença da mulher. “Ela ficou quatro meses na UTI, teve pneumonia e finalmente, depois de um acordo com o promotor – já passado um ano – eu tive a guarda definitiva”.

    Após a conquista, Maria Luiza lembra que guardou sigilo. “Como foi um processo demorado, optei por divulgar depois. Quando fui informada que tinha dado tudo certo, contei para todos ao meu redor – vizinhos e amigos -  e fui buscar a Luana, que estava com oito meses. Quando cheguei em casa, fomos recebidas em festa”, recorda.

    No primeiro dia, Maria Luiza, como toda mãe de primeira viagem, também teve seus medos. “Ela roncava muito, então dormir com ela no meu peito, pois tive medo dela engasgar, mas na verdade, eu não consegui dormi”, brinca.

    Já com Luana em seus braços e como sonho realizado, Maria Luiza deu início ao tratamento de saúde da filha. “Desde quando adotei, eu sabia que ela tinha paralisa, no início eu tive medo, mas isso não me impediu. Algumas pessoas falaram para eu esperar um tempo, mas quando bati o olho eu sabia que era minha”, relata a mãe, afirmando que o amor está acima de tudo.

    A casa da professora, como ela conta, já havia um quarto à espera de uma criança, além de muito carinho e dedicação.  “Eu já construí pensando em ter um filho. Quando a Luana chegou eu trabalhava em dois lugares, então minha família me ajudou muito, até que depois consegui reduzir a minha carga horária, devido aos problemas de saúde dela, então pude e até hoje faço todo acompanhamento”.

    Hoje, com 13 anos, Luiza diz que não tem dúvidas que a Luana foi um presente.  “Nossa relação é de mãe e filha. Ela tem as mesmas manias do que eu. Desde os três anos ela frequenta a escola. Na primeira semana eu tive que ficar, porque se saísse de perto dela, ela chorava muito. Atualmente, ela faz acompanhamento com psicopedagoga, já sabe ler e escrever e isso é gratificante”.

    A adoção nunca escondida por Maria Luiza. “A Luana sabe que é adotada e todas as vezes que ela me perguntou sobre sua história, eu contei o que sabia, já que a conhecia com um mês, mas enfatiza: “não tem jeito, ela é minha filha mesmo, por algum motivo que eu não entendo, ela foi parida em outra barriga, mas é minha”.

    Diferente da professora, a mãe social Marcia Silva (foto ao lado), que trabalha há 14 anos nas Aldeias SOS, revela que nunca pensou em adotar, "mas o trabalho nas Aldeias me fez mudar de ideia. Cada criança que ia passando, era uma história diferente e eu ia me apaixonado mais”.

    Segundo Marcia, ela até pensou em sair do emprego, pois  se envolvia demais com as crianças e sofria quando eles iam embora, mas, em 2011, apareceu o Luiz. “Ele tem deficiência neurológica, não fala, mas já frequenta a escola. No ano passado, quando eu vi que as crianças iam sair das Aldeias, eu resolvi pegar a guarda dele. Foi no dia 6 de setembro, data do meu aniversário”.

    Marcia conta, que já pensava em ficar com o Luiz, mas só adiantou a adoção, que também foi aceita e bem acolhida pela família. Como Maria Luiza, ela também não tem dúvidas:  “O Luiz não nasceu de mim, ele nasceu para mim. É um amor incondicional. Ele é carinhoso, me faz rir o tempo todo. Apesar da minha família não morar em  Juiz de Fora, ele foi muito acolhido. Eu conhecia a mãe social, hoje eu sou mãe", destaca.

    Hoje, com 11 anos, Marcia revela que Luiz é um menino muito esperto e a cada dia é uma descoberta. "O amor que sinto por ele chega a transbordar, não cabe no coração. Se eu levantar dez vezes à noite, eu vou no quarto e vejo como ele está. Ser mãe é transbordar de amor que não cabe no coração".

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