Palestra de Jussara Hadadd fala sobre
a importância de exercitar a musculatura vaginal
Sílvia Zoche
Repórter
09/06/2006
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Falar abertamente sobre a sexualidade feminina ainda é um tabu, mesmo que
seja em um bate-papo entre mulheres. São raras aquelas que conseguem falar, sem
constrangimento e sem vulgaridade, sobre sua vida sexual, inclusive para o
ginecologista. Há ainda mulheres que não tocam o próprio corpo e
ficam cheias de dúvidas, mas preferem "deixar pra lá".
Foi pensando em mulheres que gostam de perguntar e nas que possuem vergonha de expor suas incertezas é que a terapeuta holística, especializada em sexualidade, Jussara Hadadd (foto), montou uma palestra - que tem apoio da ACESSA.com - sobre como melhorar a qualidade de vida através dos cuidados com a musculatura pélvica e circunvaginal.
São três horas e meia de conversa no Espaço RH, em São Pedro, somente com profissionais mulheres, inclusive no coffe break. "Duas médicas também estarão presentes. A cirurgiã plástica Marília Dornellas e a ginecologista Elizabeth Guedes", conta Jussara. Leia a entrevista com a terapeuta sobre o evento que vai falar sobre como evitar os problemas da maturidade e como inovar as relações sexuais.
ACESSA.com - Jussara, você ministra a técnica de pompoarismo há
quatro anos, individualmente, ou para grupos pequenos de mulheres. Quando
surgiu a idéia de fazer a palestra, que é diferente do que você faz nas suas
sessões?
Jussara Hadadd - Há, mais ou menos, um ano. A idéia, na verdade, era
fazer a palestra fora de Juiz de
Fora, em cidades da região e em Niterói, onde também atendo. Mas senti uma
necessidade grande de conscientização em massa deste treinamento, dos
cuidados com essa parte do corpo da mulher aqui na cidade. Mesmo com as entrevistas
que dei nos jornais, na internet, com os panfletos sobre o assunto nos consultórios
ginecológicos, vejo no rosto das mulheres que atendo que eu precisava informar
um grupo maior sobre a técnica do pompoarismo.
ACESSA.com - Como você elaborou os temas que serão ministrados?
Jussara Hadadd - "Seja uma nova mulher" [título da palestra], e a abordagem em
cima disso, veio por pesquisa e estatísticas de instituições ligadas
à saúde. São números que assustam sobre mulheres que fazem a cirurgia
de períneo para terem a mesma anatomia íntima de quando se casaram! Sendo
que a reabilitação através dos exercícios [do pompoarismo] é eficaz e a
mulher não precisa correr risco cirúrgico.
ACESSA.com - O que faz a anatomia íntima da mulher se modificar a
ponto de pensarem em cirurgia?
Jussara Hadadd - As mulheres querem reconstituir o períneo tanto pela
flacidez vaginal - por causa da idade - ou por terem passado por muitos partos
normais.
ACESSA.com - Com a palestra você acredita que as mulheres vão
alcançar as melhorias desejáveis ou será necessário aprimoramento?
Jussara Hadadd - Elas não vão conseguir melhorias imediatas. Mas
com a consciência da necessidade de exercitar a musculatura [vaginal], ela
já vai sentir alguma diferença, porque vou falar o básico sobre o jeito
certo de contrair. Tem muita mulher que vai a sex shop compra os
acessórios e faz tudo errado. O perigo é ter uma atrofia. Na palestra vou
passar os benefícios e ela já vai conseguir colocar alguma coisa em prática.
Se quiser evoluir ou reabilitar por alguma necessidade maior, ela procura
fazer o treinamento individual nas sessões.
ACESSA.com - Quais são os perfis femininos que você pretende
atingir com a palestra?
Jussara Hadadd - As adolescentes, que têm muitas dúvidas sobre
sexo; mulheres solteiras que, erroneamente, acham que não podem ser felizes
por não terem um parceiro - vamos falar sobre masturbação, entre outras
coisas -; as casadas há
muitos anos que acham que não precisam saber de mais nada; as mais maduras,
com mais de 60 anos, que, além da parte sexual, precisam cuidar da saúde,
como os problemas de incontinência urinária e evitar a queda de órgãos.
O trabalho é preventivo, mas no começo dos problemas também há possibilidade
de reabilitação.
ACESSA.com - As mulheres da terceira idade ainda têm receio em
falar sobre a sexualidade?
Jussara Hadadd - A maioria chega a diminuir ou acham que a vida sexual
acabou. Elas vão ao médico, mas não perguntam nada. Preferem não falar
sobre a incontinência urinária ou sobre a falta de apetite sexual ou
que o marido está com problema de ereção.
Chega numa fase da vida, que elas acreditam que não precisam
mais de sexo. Tem uma terapeuta corporal e sexual, Mityo Oshiro Takemoto, que tem 65
anos. Ela diz que oitenta anos é pouco para a mulher atual ser feliz
sexualmente.
ACESSA.com - A vida sexual influencia a vida social das mulheres,
em sua opinião?
Jussara Hadadd - Influencia diretamente na vida social. A mulher
fica mal humorada, de cara fechada... Mas não é só sexo, não. É um conjunto.
Mas posso dizer que 90% do relacionamento é movido pelo sexo. Outra coisa
importantíssima! É bom lembrar
também que a incontinência urinária influencia demais. Muitas mulheres páram
de sair de casa por medo. E se perguntam: 'será que tem banheiro?' no lugar
onde vão. Tem pesquisa feita pelo SUS, Unicamp, USP... que mostra números
altíssimos de mulheres que agem assim. Tem mulher que nem fala para o marido
que tem o problema! E fica arranjando desculpas para não sair. Isso é grave!
ACESSA.com - Nos quatros anos de seu trabalho, as mulheres
conseguem expor as dúvidas?
Jussara Hadadd - Na primeira sessão não. Nenhuma delas tem
problemas, todas falam que está tudo ótimo. Só na segunda, terceira sessão é que elas começam a se abrir.
Ainda existe muito preconceito em admitir a flacidez vaginal, na
questão física. Na parte emocional, não se sentem à vontade para falar sobre
o orgasmo. Tenho que induzir a fala. A maioria se
emociona, chora. Por isso também uso a terapia dos Florais de Bach, porque as
mulheres vêm movidas por algum tipo de transtorno.
ACESSA.com - Há mulheres que desejam 'apimentar' a relação, mas
dizem não ter a ajuda do companheiro. Você acha que o homem é responsável
por reprimir a mulher?
Jussara Hadadd - O homem pode reprimir, mas acredito que mais por
causa da mulher, porque não consegue fazer com que ele acredite que aquele
jeito é dela. Ela quer mostrar que é sensual rápido demais. De repente, do
nada, ela coloca uma cinta-liga, faz uma dança do ventre... e assim assusta.
O processo tem que ser devagar.
Primeiro, tem que cuidar da auto-estima. A mulher que é confiante, transborda felicidade. Aí ela é provocante,
sensual. Não precisa colocar mini-saia, decotes... Mesmo casada há anos,
ela pode ser sensual. A mulher segura é sensual, pisa firme, passa "ventando". Às vezes,
ela nem está com alguém, mas ela se masturba, conhece o próprio corpo, se
maqueia... É sobre isso que vamos falar durante o tema "O Prazer de se
bastar". Tem mulher que espanta o namorado, já viu? Ela está tão carente,
que quer a atenção dele o tempo inteiro, suga o homem e isso assusta. Ela
esquece que na relação tem que somar.
ACESSA.com - Por que surgiu seu interesse pelo tema
"sexualidade"?
Jussara Hadadd - Eu já era terapeuta holística e trabalhava com as
terapias corporais. Antes de conhecer o pompoarismo eu já praticava sem
saber que tinha esse nome. Vim de família árabe, que as mulheres já sabiam
que contrair a musculatura vaginal é importante para qualidade de vida. Um
dia, ouvi falar do pompoarismo e fui pesquisar, mas encontrei muita
vulgaridade e pornografia envolvendo o assunto.
Resolvi aprofundar os estudos dentro da proposta de trabalho de Fisioterapia já publicados, entendendo o sexo tântrico - pompoarismo vem do sânscrito e quer dizer "sugar". E pesquisei a fundo o sexo tântrico, o tantrismo em si e também me aprofundei muito em yoga. Coloquei o pompoarismo dentro da terapia holística.
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