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    Quando ser mãe? Cada vez mais, as mulheres pensam na estabilidade profissional e financeira primeiro e depois programam a maternidade

    Sílvia Zoche
    Repórter
    17/01/2007

    O sonho de ser mãe parece algo natural. Ver a barriga crescer, planejar as roupas, o quarto do bebê, imaginar se vai se parecer com o pai, com a mãe, escutar diversas vezes a mesma pergunta: "o que você gostaria que fosse? Menino ou menina?" e sempre responder: "tanto faz. O importante é ter saúde", mesmo desejando, bem la´ no fundo, uma menina para colocar lacinhos ou um menino que seja a cara do pai.

    É. Já se foi o tempo que namorar, casar e ter filhos antes dos 30 anos de idade era via de regra. Hoje em dia, não é incomum conhecer mulheres com 30 anos ou mais que ainda não tenham filhos, mesmo aquelas com uma relação estável. Isso não significa que elas aboliram a vontade de sentir o instinto materno aflorar.

    Mas não é raro ouvi-las dizer que a carreira profissional está em primeiro plano. Um dos argumentos é obter uma vida financeira estável para constituir uma estrutura familiar mais tranqüila.

    Foi o que aconteceu com Érika Cristina Rocha Leite Lopes (foto abaixo), que resolveu ter seu primeiro filho depois de oito anos de casada. "Maria Eduarda tem dois meses", conta Érika, que está com 32 anos.

    Quando Érika e Marcelo se casaram, ela ainda estava cursando a faculdade de Medicina. "Minha prioridade era formar". Depois, veio a residência em pediatria e, logo após, sentiu a necessidade de fazer uma especialização em nefrologia pediátrica. "Mesmo não faltando emprego para médicos, o mercado de trabalho vai saturando". Ela adiou a maternidade e foi estudar para o concurso público de médico perito do INSS.

    Foto de Érika com a filha Maria Eduarda, de dois meses É claro que a pressão da família existiu, até porque ela é a primeira neta tanto do lado paterno quanto materno. "Minha avó paterna falava que tinha algo errado. Minha mãe cobrava por todas as amigas dela já serem avós e ela não", conta Érika, que acha graça.

    Ela passou no concurso e conseguiu a estabilidade financeira e profissional que desejava e ainda descobriu que é uma área que gosta muito de atuar. "O meu marido já tinha uma estabilidade, mas eu precisava conquistar a minha também", justifica. Havia ainda um porém. Reformar a casa que moravam era essencial para programarem a gravidez.

    Tudo saiu conforme planejado e decidiram que a hora de ter um bebê havia chegado, mas sem contar para ninguém. Assim, não gerariam expectativa, nem ficariam ansiosos. Pouco tempo depois de parar de tomar o anticoncepcional, ela engravidou. "Não imaginei que seria tão rápido", se alegra.

    Para Érika, valeu a pena ter esperado, tanto por poder conviver mais tempo com a filha, quanto proporcionar uma boa vida para Maria Eduarda. "Hoje, trabalho só no período da tarde. Também não faço mais plantão, assim como meu marido e posso exercer a maternidade no sentido pleno", garante Érika, que revela estar nos planos do casal um novo herdeiro. "A idéia é que aconteça daqui a uns dois anos".

    Se der tempo...

    Foto de Adriana Torquato Até que Adriana Torquato tem vontade ser mãe. Só que não é uma prioridade. "Já pensei em casar, ser dona de casa... mas minha cabeça mudou". Mudou tanto que, há três anos, seu convite de casamento estava pronto e ela resolveu não subir ao altar. "Vi que não era o momento e o que eu queria era minha estabilidade financeira". Para ela, a mulher que se casa e depende financeiramente do marido, sofre muito.

    Mas quem disse que o noivado acabou? Eles continuam juntos e Adriana ainda convenceu o noivo a se dedicar mais à vida profissional. E só pensa em ter filhos quando alcançar o patamar que deseja. "Se meus óvulos ainda estiverem na validade", ri.

    Ela sabe que, a partir de 35 anos - sua idade atual -, as chances de uma mulher engravidar diminui gradativamente. "Se não acontecer naturalmente, acho que eu adotaria. Eu sou a favor de adotar e ele também". Para ter um filho, Adriana acha essencial "poder dar o bom e o melhor e não colocar o filho no mundo para passar aperto e os outros cuidarem", argumenta.

    Quando a vontade chegar...

    Foto de Fabiane Acelina de Carvalho Nem sempre é o fator financeiro o responsável por mulheres acima de 30 anos adiarem a maternidade. Ter vontade de gerar uma criança e disposição para se dedicar a ela são fatores que adiam a chegada de um descendente.

    "Filho é muita responsabilidade. Ainda não tive coragem de arriscar. Eu acompanho a vida de amigos, primos e vejo os problemas que as pessoas passam. Não sei se tenho essa disposição", diz Fabiane Acelina de Carvalho (foto ao lado), de 31 anos.

    Ela sente pressão de algumas pessoas próximas para que ela tenha um filho. "Mas isso não me abala, porque ainda não sinto vontade", reafirma.

    O sentimento de mãe não aflorou até agora, mas ela sabe que isso pode acontecer mais tarde, como aconteceu com uma amiga de Fabiane. "Ela pensava da mesma forma e depois teve um filho com 38 anos. Foi difícil para ela engravidar, mas o caso dela era psicológico".

    Dificuldade para engravidar, além do psicológico

    O caso da amiga de Fabiane foi considerado psicológico, mas a fertilidade diminui naturalmente em mulheres com 35 anos ou mais. "É uma queda gradativa", avisa a ginecologista Fernanda Polisseni (foto abaixo).

    O que acontece é que as mulheres já nascem com um número exato de óvulos, que vai ter durante sua vida. A quantidade de óvulos diminui com o passar do tempo, assim como a qualidade vai se tornando inferior, porque eles envelhecem. "Isso se torna mais evidente aos 37 anos e bem importante depois dos 40", diz Fernanda.

    Foto da ginecologista Fernanda Polisseni Já o homem renova seu estoque de espermatozóides a cada dois meses. Os problemas podem aparecer a partir dos 50, 60 anos de idade, faixa etária com mais risco de acontecerem alterações cromossômicas, por exemplo, que podem levar a um aborto.

    Para se ter uma idéia da fertilidade da mulher, até os 35 anos, sua chance de engravidar em um mês é de 25%. Contando o ano todo, a probabilidade é de 90%. Por isso, é normal que a gravidez demore até um ano para acontecer em um casal sexualmente ativo. Somente depois deste prazo, o casal deve procurar ajuda de médicos.

    Já em mulheres cima de 40 anos, a perspectiva de fecundação de um óvulo em um mês cai de 25% para 2% a 3%, mesmo que esteja tudo normal. Neste caso, a procura por ajuda médica pode ser feita depois de seis meses de tentativa.

    Além da diminuição no número de óvulos, doenças ginecológicas são mais comuns na terceira e quarta década de vida de uma mulher e podem interferir na hora de engravidar, como os miomas e endometriose. Não existe uma comprovação científica, mas o fumo pode piorar a qualidade do óvulo. "Isso ainda está em estudo", diz a médica.

    Já a infertilidade na mulher tem entre as causas a dificuldade ou ausência de ovulação, a alteração das trompas, alteração hormonal, alterações uterinas e o fator imunológico (a mulher produz anticorpos que matam os espermatozóides). A infertilidade masculina tem a ver com a quantidade e qualidade de seus espermatozóides.

    Ao contrário do que algumas mulheres ainda pensam, usar anticoncepcionais por um longo período de tempo não interfere na tentativa de engravidar. "Isso já foi provado", diz Fernanda. Normalmente, coincide da mulher parar de usar o anticoncepcional justamente quando entra na faixa etária em que a fertilidade está diminuindo.

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