Nas histórias infantis, elas ganham o rótulo de vilãs. Sempre com o rosto fechado, aterrorizam a vida dos enteados e são taxadas de más. Cinderela e Branca de Neve são bons exemplos destes clássicos. As boazinhas dos contos de fadas tiveram que se desdobrar na convivência com a madrasta e, mesmo assim, não obtiveram sucesso.
Também na vida real, há muitas mulheres que sofrem com a marca e não sabem como conquistar os filhos do marido. Ciúmes, disputa de atenção e carinho são alguns dos sentimentos que dificultam estas relações. No entanto, o convívio pode, sim, ser amistoso, caso madrasta e enteados estejam de coração aberto.
É assim que a estudante de direito Amanda Calheiros (foto
ao centro), de 19
anos, encara o relacionamento com a madrasta Aleandra. "Sou apaixonada por
ela"
, declara. Segundo Amanda, o contato com o pai seria prejudicado, se
a amizade com Aleandra não fosse tão forte. "Estamos em família, não há
motivos para dificultar as coisas, deixar o clima chato"
, considera.
Embora Amanda não divida o mesmo teto com a madrasta, já que a jovem vive
com a mãe, ela garante que não teria medo da proximidade. "Isso não me
assusta, pois tenho também um padastro e vivo bem com ele e meus irmãos, do
segundo casamento de ambos"
.
O encantamento de Amanda com a madrasta é tão intenso, que a jovem diz que
não teria receio em presenteá-la Dia das Mães. "Com certeza, ela merece, já que também é
mãe de meus dois irmãos"
. Para quem pensa que a mãe da garota poderia
ficar enciumada com tanta dedicação, se engana. "Ela não tem problemas
com isso. As duas convivem harmoniosamente"
, diz.
Também adepta da convivência pacífica, a estudante Ana Paula Batista
Ozório (foto), 17 anos, diz que nem tudo são flores. "Atualmente, tenho uma
relação boa com ela, mas já passamos por muitas dificuldades"
, relembra.
Os problemas começaram a aparecer quando a Ana Paula chegou na
adolescência. "Ela queria fazer o papel de mãe, me proibir de fazer
certas coisas, o que me deixava muito triste"
, diz.
A jovem se apoiou no pai para chegar a um consenso. O diálogo e a
sinceridade foram os ingredientes usados pela estudante para resgatar a
confiança da madrasta. "Prefiro deixar tudo bem claro e mostrar quais são
as minhas razões"
. Quanto ao presente de Dia das Mães, Ana Paula ainda
não sente tanta firmeza no relacionamento com a madrasta a ponto de
presenteá-la. "Para quem tem uma convivência boa, acho muito legal dar um
presente"
, afirma.
Matéria feita pela repórter Renata Cristina em maio de 2007