Para quem já conviveu com uma madrasta na adolescência e, anos mais tarde, tornou-se madrasta de duas crianças, sabe muito bem das dificuldades e prazeres destes relacionamentos. Foi com a experiência pessoal, que a arquiteta Roberta Palermo (foto) encontrou inspiração para escrever o livro "Madrasta: quando o homem da sua vida já tem filhos".
Embora tenha se deparado com obstáculos durante este percurso, Roberta acredita que é possível, sim, ter uma relação saudável e prazerosa com "os filhos dele". Atualmente, Roberta dá palestras sobre o assunto e ajuda famílias com as dicas em seu livro.
Em entrevista exclusiva ao portal ACESSA.com, a professora de uma escola bilíngüe em São Paulo, fala de suas dificuldades e conquistas ao longo de 11 anos de vivência com as crianças.
Tenho dois enteados: um menino de 16, ele tinha quatro quando comecei a namorar, e uma menina de 13, que tinha um ano no início do namoro.
Normalmente as famílias não desejam que a filha namore e se case com um homem que tem filhos. Ficam apreensivos, achando que a filha sofrerá muito. A minha mãe foi quem ficou mais arrasada e, mesmo depois de tantos anos e sabendo que tive uma experiência de sucesso, não entende bem a minha escolha.
Como com os filhos, as fases ficam marcantes. A que mais me marcou e até me desestruturou foi quando o meu enteado, que mora comigo desde os 10 anos, fez 14 anos e não queria mais a minha participação em seu dia-a-dia, como por exemplo, levar e buscar, visitas aos médicos, etc. Por um lado foi bom, pois ele se tornou mais independente e eu com menos tarefas, mas até hoje fico com a sensação de não fazer muitas coisas para ele, como se não me dedicasse muito. Se ele fosse o meu filho eu insistiria, participaria mais, mas respeito esse limite por ser a madrasta.
É importante que a madrasta nunca queira ser também "mãe" da criança. Mãe a criança já tem, é especial, mesmo que more com a madrasta. A madrasta tem que controlar se tiver ciúme da criança, pois o pai será capaz de dar atenção a todos, se houver organização. A criança é reflexo do ambiente onde vive e se o pai, a madrasta e a ex-esposa tiverem maturidade para não prejudicá-la, ela viverá bem nesse novo esquema familiar. O adolescente tem que respeitar o pai. Mesmo que não aceite a madrasta tem que respeitá-la, pois o pai tem o direito de recomeçar e exigir esse respeito do filho é fundamental.
Muito boa. A minha fase de maior investimento para manter uma relação saudável e bons vínculos, foi até eles entrarem na adolescência. Hoje colhemos os bons frutos da dedicação na infância. O diálogo flui naturalmente e eles sabem que podem contar com esse porto seguro para trazerem suas angústias e alegrias.