O que seriam dos grandes filmes românticos sem as trilhas sonoras? O beijo da mocinha, o encontro, o perdão. Música e amor parecem mesmo ser duas variáveis que se complementam entre si.
Quando uma história de dois apaixonados termina em casamento, fica fácil adivinhar que existe uma "trilha sonora" inteira por trás de muitos momentos vividos. Em um dos dias mais apaixonados da sua vida, não vale deixar o pedaço do filme sem graça: música nele para que cada momento seja digno de Hollywood.
A música ajuda a sensibilizar o momento da celebração e também cumpre papéis importantes para a garantia da diversão dos seus amigos e convidados durante a festa.
Para quem já está de olho no repertório que vai embalar as emoções na igreja é preciso ficar atento a alguns detalhes e regras que devem ser seguidos.
O primeiro deles diz respeito ao repertório escolhido para a cerimônia religiosa. Cada igreja, de casa cidade, possui uma regra que determina o que vai ser possível de ser executado naquela ocasião ou não.
Em Juiz de Fora, as principais igrejas solicitadas para esse tipo de celebração tendem a cuidar bem de perto do que vai ser veiculado. Nada de músicas de novelas, nada de música favorita da MPB.
"A mensagem das novelas não é a mensagem que a igreja pretende passar do
matrimônio para seus fiéis. Em filmes e nessas séries de TV há mentiras, traições,
e outra série de má condutas que a igreja não apóia"
,
explica o secretário da Catedral Metropolitana, Luiz Carlos
Lawall (foto acima).
Na própria Catedral, só são permitidas durante a cerimônia, músicas sacras - que possuem letras religiosas - ou clássicos da música; em geral, canções eruditas de compositores dados como imortais como Beethoven, Bah ou outros músicos. Nem mesmo execuções instrumentais, sem o pronunciamento da letra são permitidas.
Para que tudo saia nos conformes é preciso que os noivos avisem com antecedência à igreja sobre quais músicas vão ser utilizadas durante a cerimônia. Em JF, essa responsabilidade deve ser apresentada em alguns locais até 30 dias antes do evento.
Geralmente os noivos escolhem cerca de seis ou sete músicas para serem apresentadas durante a cerimônia
religiosa. Elas correspondem a entradas dos padrinhos, do noivo com os pais, damas, à benção das
alianças, à assinatura e
à saída do casal.
Não há regra específica para nada. Mas a dica dos profissionais da área é que a música da entrada da noiva deve ser a mais importante da cerimônia. Na entrada da mulher, vale arriscar uma peça ou marca pomposa, de grande impacto e solene.
Na hora da benção das alianças é recomendável uma música religiosa, assim como o tema da saída deve ser alegre para representar o próprio momento vivido pelos apaixonados.
De acordo com o músico juizforano Giovanini (na foto ao centro, no teclado, junto com o grupo conhecido pelas apresentações nas igrejas de JF), que trabalha no ramo há mais de 30 anos, a geração que casou da década de 1980 para cá, vem transformando o repertório da cerimônia religiosa, dando seu toque pessoal a ela. Fato que acontecia pouco antes disso, já que as pessoas tendiam a usar as mesmas músicas durante os momentos da celebração.
"A música ocupa um lugar muito importante na programação do casamento dos noivos. Dá pra se ver que eles ficam
emocionados e que sempre são exigentes nesse assunto. O envolvimento dois noivos é grande, quando vou fazer
a demonstração das músicas para eles escolherem, mães e filhas muitas vezes choram"
, analisa o músico.
Para Giovanini, o jovem das últimas gerações tende a não gostar muito das músicas clássicas e acabam deixando o erudito de lado para escolher canções que fazem ou fizeram parte da vida amorosa dos dois.
A única exceção para esse distanciamento da música erudita está na Marcha de Mendelson, que acabou até mesmo se popularizando como Marcha Nupcial. Para a entrada da noiva, segundo Giovanini, ainda não há nada que seja mais pedido.
Entre as mais escolhidas para o casamento estão "Eu seu que vou te Amar" de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Stay do U2 e Water Music de Handel. As duas primeiras, no entanto, nem sempre são aceitas nas igrejas de Juiz de Fora.
Basicamente há três opções de músicas que podem embalar a sua recepção: música
com som eletrônico e com
famosos DJ's, músicas ao vivo com bandas ou mesmo apresentações de
corais ou orquestras.
Cada um obedece mais a um perfil pretendido de festa assim como combina com diferentes bolsos. O que não pode mudar é o repertório que todos eles devem se preocupar. Como destaca o músico Sávio Fernatti quando se pensa em uma festa de casamento, deve-se escolher tudo que vai rolar na noite como se fosse uma formatura.
"Tem que tocar de tudo. O que não adianta é a pessoa gostar de um estilo musical próprio
e acabar acreditando que todas as pessoas devem gostar disso também"
, destaca Sávio.
Músicas dos anos 60, 70 e 80 são sempre bem-vindas e já fazem parte do perfil de uma festa de
casamento de sucesso.
Quem optar pelo trabalho do DJ têm a possibilidade de fazer o som da festa em um preço mais em conta. Geralmente é preciso contratar uma empresa que faz locações de som e também o disc-jockey, já que a grande maioria desses profissionais não têm aparelhagem própria. As empresas de som também costumam trabalhar com efeitos de iluminação, que ajudam na composição do ambiente.
As bandas ainda são a maior pedida. Mais em conta que as orquestras e mais trabalhadas que o trabalho dos DJ's, elas também são mais numerosas e portanto estão dão mais liberdade de escolha para os "apaixonados-clientes".
Para quem quer uma noite mais luxuosa, os corais e as orquestras são a opção mais pomposa. No entanto, costumam
ser bem mais caros em função do maior número de profissionais envolvidos também. As formações mais básicas
incluem violinos, trompetes, cantores, percussão e teclado. "Há até quem contrate um clarim para
anunciar a entrada da noiva"
, comenta Sávio. É só soltar a imaginação...