Para a maioria das mulheres a palavra menstruação é carregada de sensações ruins: cólica, alta sensibilidade, irritação, dores na cabeça, nos seios, nas costas e... o incômodo do uso do absorvente. O aparecimento de alergias relativas ao absorvente é mais comum do que se pensa.
A ginecologista Rosângela Nascimento (foto abaixo) explica que alguns cuidados são fundamentais na hora de usar o absorvente. Pode parecer estranho, afinal, usamos o "dito cujo" há anos, mas, acredite, nem sempre o fazemos da maneira mais adequada.
"O absorvente deve ser adequado ao tipo de fluxo sanguíneo de cada mulher. O
ideal seria que a mulher tivesse vários tipos de absorvente devido a variabilidade
do ciclo menstrual"
. Assim, ela aconselha um absorvente maior para os primeiros
dias, quando o fluxo é mais intenso e para a noite, um mais fino para os últimos
dias ou para quando for sair, com abas para evitar vazamento.
A ginecologista alerta para o perigo do uso dos mini-absorventes diários. "A
mulher tem uma secreção fisiológica natural que serve para equilibrar o ph vaginal,
que deve ser ácido, dificultando o crescimento de bactérias. Esses absorventes
diários alteram o ph vaginal, aumentando o risco de infecções"
, orienta.
Conhecendo a intensidade do seu fluxo menstrual e eleito o tipo de absorvente
que atende às suas necessidades, é importante atentar para um fato: o produto não
deve ser perfumado porque esses odores podem predispor a processos alérgicos. Rosângela
indica o uso de absorventes que contenham celulose, uma fibra natural menos alérgica.
Não existe uma quantidade ideal de troca, o que a especialista aconselha são,
no mínimo, três trocas diárias, mas isso depende da quantidade do fluxo menstrual
de cada mulher. "Quem tem fluxo maior deve trocar mais vezes, o importante é
que o absorvente não fique úmido"
, ressalta.
Os absorventes internos também merecem cuidados especiais. Rosângela explica que
eles devem ser usados como uma alternativa para situações específicas como a necessidade
de usar uma roupa mais justa ou uma praia no fim do ciclo, mas ele não deve ser
usado diariamente nem por longos períodos e devem ser trocados com mais freqüência
do que os absorventes comuns. "Há pequenos relatos de infecções graves causadas
pelo uso constante do absorvente interno"
,alerta.
Assim como os absorventes diários, os sabonetes íntimos alteram o equilíbrio ecológico que toda mulher tem e é sua principal defesa. Eles devem ser usados com cautela e, apenas externamente. As duchas vaginais, segundo Rosângela, não são aconselháveis porque interferem na flora vaginal normal.
*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF