ACESSA.com


webmail.acessa.com  
Juiz de Fora, 07/01/2009

A paixão tem chegado cada vez mais cedo
na vida dos meninos e meninas

Repórter: Fernanda Leonel
Edição: Ludmila Gusman
Designer: Lívia Mattos
junho/2006

Quando o amor deve bater na porta do coração? A resposta da hora certa para quando isso deve acontecer ainda não está na ponta da língua de profissionais e educadores. A única coisa que se tem certeza é que a paixão e o envolvimento têm chegado cada vez mais cedo na vida de meninos e meninas.

Muitas são as mudanças de comportamento dessa nova geração que pertence à internet, aos games eletrônicos, às músicas de formato MP3, às noções diferentes de tempo e espaço.

Comparados, por exemplo, com jovens de dez anos atrás, são nítidas as mudanças. Um jovem da geração anos 80, hoje com 25 anos, começava a sair de casa em média aos 15 e namorava aos 16. Mas o que mais se vê nos tempos atuais são meninas e meninos de 12 ou 13 anos passeando com a galera à noite, ou de mãos dadas com seus "paquerinhas" nos shoppings ou praças da cidade.

É...Tem muito pai de cabelo em pé sim! Muita gente que ainda não sabe lidar com esse tipo de situação quando a história começa a ter como personagens suas eternas crianças.

Para esse grandões que "tremem nas bases" a psicóloga Carla Queiróz (foto) dá a dica: o susto ou medo dos pais nessa etapa da criação dos filhos é algo extremamente normal e certamente, caso seja bem solucionado, pode até mesmo fortalecer a relação entre a família.

Essa situação tem sido vivida por muitos pais. Como destaca a psicóloga, é muito difícil, encontrar jovens hoje que aos 13 anos não tenham experimentado algum tipo de troca com o sexo oposto. Se os filhos não namoram ainda, certamente já beijaram, por exemplo. Se isso não fizeram, já se apaixonaram, e pior: sofreram pelas confusões que qualquer tipo de relacionamento amoroso tráz.

Não existe receita de bolo quanto a hora certa para dizer sim ao namoro dos filhos. Cada situação, de acordo com a psicóloga Carla Queiróz, deve ser analisada isoladamente. "Não há idade certa para namorar, há maturidade indicada", destaca.

Cada pai deve conhecer o filho que tem em casa, saber de que forma ele reage há determinadas situações. Esse é o conselho da psicóloga. Sabendo como ele se porta frente a determinado problema é possível classificar sua maturidade para namorar.

Mas se você tem dificuldade em perceber até que ponto seu filho já está maduro para a idade dele, aí vão algumas dicas:

Perceba se ele sabe explicitar com clareza suas vontades quando vocês dois conversam ou quando ele conversa com amigo; analise seus argumentos, perceba se ele sabe dizer não. Se ele fizer isso com desprendimento, não se assuste: ele está pronto para aprender um pouco mais com a vida, com traços de personalidades fortes o suficiente para evitar problemas.

Histórias de amor

"Eu não sou criança mais. Não tenho cara e nem ação de criança". Foi com essa frase que Camila Chequer (foto) justificou o seu namoro. Ela tem 14 anos e namora Lucas há um ano e dois meses

Os dois se conheceram no cursinho de línguas. Ela fazia aula de inglês exatamente na sala que ele entrava para o espanhol, no horário seguinte. Camila conta que sempre achou o namorado um "gatinho" e que ficava de olho nele nas saídas das aulas. "Eu nem matava aula. Minha mãe ficava boba com o quanto eu queria me arrumar quando ia", conta rindo.

Ela diz que foi paixão a primeira vista. E que a família encarou "numa boa". A estudante fala que os pais sempre cobraram que ela fosse madura e que na hora que ela contou que gostava de alguém os pais também deram apoio. "Seu eu podia fazer inglês aos 13 anos, porque não podia namorar?", resume.

Camila conta que a mãe sempre diz pra ela que quer a felicidade dela e que por isso mesmo não iria proibir. Lucas frequenta a casa da namorada, viaja com a família e é tratado como um membro da família.

As amigas, Bárbara Ribeiro, Laura Teixeira e Clara Marx (foto), também não querem nem saber de serem chamadas de crianças ou imaturas. Todas as três são figurinhas conhecidas nas noites de um shopping da cidade, que já é conhecido como ponto de encontro da galerinha dessa idade.

Todas já "ficaram" e dão até risada quando são perguntadas sobre isso: "claro, né?" é a resposta geral. Geral também é a resposta de que os pais ficaram muito assustados, mas acabaram se rendendo à situação. Bárbara, a única que tem namorado, diz que hoje os pais chegam a ser "puxa-saco" do namorado que é dois anos mais velho que ela.

Ela tem 13 anos e diz que acha normal já ter um compromisso. Para a garota, "os tempos mudaram" e é preciso que pais e adultos fiquem atentos a isso para não ficarem "boiando" nas histórias dos filhos...

 

Av. Barão do Rio Branco, 2390 - Centro - 36.016-310 - Juiz de Fora - MG - Fone: (32)2101-2000 | (32)3691-7000