Malhar é um verbo difícil de se conjugar, ainda mais durante o inverno, que dá aquela preguiça de se movimentar, em contrapartida, essa é a época ideal para um outro verbo: namorar. Em todos os tempos e em todas as conjugações.
A união desses dois verbos dá um resultado incrível. Segundo o professor de Educação Física Zé Ricardo Brandão (foto abaixo, de óculos), a prática de exercícios ao lado de quem se ama é uma forma da pessoa se sentir estimulada a se movimentar.
"Trata-se de uma cooperação mútua, um motiva o outro e isso
é muito importante quando a pessoa não gosta de malhar. Ter alguém do lado,
estimulando, incentivando a freqüência é fundamental para que a pessoa não deixe
a malhação de lado em algum momento"
, explica.
Quem conhece bem os efeitos desse empurrãozinho especial é Eliana de Assis
Sampaio. Casada com um profissional da área de educação física, ela nunca
gostou de malhar, mas quando a balança começou a indicar mais do que ela gostaria,
não teve outro jeito e começou a malhar com o marido. "No início eu não queria,
mas as roupas não estavam mais entrando e ele me estimulou"
, conta.
Eliana relembra que o início foi muito difícil, mas o apoio do marido foi fundamental
para que a prática de exercícios se tornasse um hábito. "No começo eu ia uma
semana, ficava um mês sem ir e ele brigava comigo, mas agora eu tomei gosto pela
malhação e não abro mão de ir"
.
O marido, Creso Fúlvio Arruda (foto abaixo), revela que é muito bom ver os
progressos da pessoa amada. "Estar junto com quem você gosta, ver que ela está
melhorando o seu rendimento físico, que seu corpo está ficando mais bonito é muito
motivante"
. Apesar disso, Creso não vê muitas diferenças no relacionamento do
casal, mas admite que quando ambos estão de bem com o próprio corpo, a questão da
sexualidade fica valorizada.
"Todo mundo quer ter um parceiro bonito e malhar junto favorece esse lado. Você
pode exigir que ela melhore sem que isso prejudique o relacionamento. Nesse sentido,
a intimidade do casal aumenta. É bom ver que ela está cada dia mais bonita e de
bem consigo mesma"
, diz.
Eliana faz coro com o marido e revela que com o corpo mais bonito, está de bem com
o espelho e agora tem que administrar o ciúme de Creso. "Antes as roupas não
ficavam bem e eu me sentia mal, agora, posso usar as roupas que quero e me sinto
bem melhor. Só que ele tem mais ciúme agora"
, diverte-se.
Zé Ricardo adverte que os benefícios são apenas emocionais. "Há artigos científicos
que comprovam que o movimento da academia, o som, o ambiente, são fatores emocionais
que contribuem para que o indivíduo não abandone a malhação. Mas isso não quer dizer
que o rendimento será melhor se a pessoa malhar acompanhada"
.
Ao contrário de Creso e Eliana, o casal Fernanda Barreto Policiano
e Leandro de Oliveira Valdivino (foto abaixo) acreditam que malhar com
o namorado faz toda a diferença no relacionamento. Para Fernanda, é uma oportunidade
de estar mais junto. "Nem sempre a gente pode se ver todos os dias e, quando
isso acontece, a academia é o único momento que temos para nos falarmos"
, diz.
Leandro, que mudou de academia por causa da amada, concorda. "É muito melhor
quando a gente consegue vir junto porque um anima, a gente consegue conversar,e,
execício e outro a gente conversa, troca idéia dá até para dar uns beijinhos (risos)"
,
brinca. Zé Ricardo alerta que esse tipo de comportamento pode ser uma influência
negativa, se for excessivo.
"Não adianta ir para academia namorar. A idéia é ter companhia para malhar,
é um 'gatilho'. Se o casal chega aqui e começa a namorar, esquecendo dos exercícios,
o efeito pode ser contrário. Outro problema pode ser no caso de brigas entre
um casal, um dos dois pode querer parar de malhar"
. Mas os "pombinhos" garantem
que sabem a medida certa do namoro na academia.
Apesar de ainda viver em clima de romance com o marido, que é também seu personal
trainer, Eliana garante que não corre o risco de deixar de malhar sem a presença
do amado. "Mesmo quando ele não vai, eu vou. Continuarei malhando mesmo sem
ele porque sei que isso me faz bem"
. Já com Fernanda, o caso é bem diferente.
"É ele quem me anima a vir. Tem dias em que não estou a fim e ele me liga, me
dá ânimo para fazer toda a minha ficha. Quando ele não vem, acabo reduzindo minhas
séries"
, confessa.
Fernanda admite que a companhia do namorado a ajuda na execução dos exercícios.
"Eu detesto fazer abdominal e, muitas vezes, ele faz de novo só para me estimular"
,
conta. O professor explica que cada um segue um programa de exercícios diferente,
que depende da condição biológica de cada um, então, não há relação direta entre o
rendimento físico e o ambiente onde a pessoa faz o exercício.
"O fato de a pessoa estar malhando com o namorado ou marido ajuda no sentido
de estímulo mesmo. Às vezes, um dos dois precisa do exercício por recomendação
médica e não gosta de fazer. Ter alguém do lado para estimular, é muito importante
porque a pessoa acaba fazendo o exercício por causa do outro e os benefícios
virão de qualquer jeito"
.
*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF