Especial Namorados

Praticar exercícios com quem se ama é fator motivacional A companhia do amor na hora da malhação não melhora o rendimento, mas é um estímulo a mais para entrar em forma

Colaboração*: Marinella Souza
Designer: Cledson Lopes
Editora: Ludmila Gusman
Maio/2008

Malhar é um verbo difícil de se conjugar, ainda mais durante o inverno, que dá aquela preguiça de se movimentar, em contrapartida, essa é a época ideal para um outro verbo: namorar. Em todos os tempos e em todas as conjugações.

A união desses dois verbos dá um resultado incrível. Segundo o professor de Educação Física Zé Ricardo Brandão (foto abaixo, de óculos), a prática de exercícios ao lado de quem se ama é uma forma da pessoa se sentir estimulada a se movimentar.

"Trata-se de uma cooperação mútua, um motiva o outro e isso é muito importante quando a pessoa não gosta de malhar. Ter alguém do lado, estimulando, incentivando a freqüência é fundamental para que a pessoa não deixe a malhação de lado em algum momento", explica.

Quem conhece bem os efeitos desse empurrãozinho especial é Eliana de Assis Sampaio. Casada com um profissional da área de educação física, ela nunca gostou de malhar, mas quando a balança começou a indicar mais do que ela gostaria, não teve outro jeito e começou a malhar com o marido. "No início eu não queria, mas as roupas não estavam mais entrando e ele me estimulou", conta.

foto de Zé Ricardo Eliana relembra que o início foi muito difícil, mas o apoio do marido foi fundamental para que a prática de exercícios se tornasse um hábito. "No começo eu ia uma semana, ficava um mês sem ir e ele brigava comigo, mas agora eu tomei gosto pela malhação e não abro mão de ir".

O marido, Creso Fúlvio Arruda (foto abaixo), revela que é muito bom ver os progressos da pessoa amada. "Estar junto com quem você gosta, ver que ela está melhorando o seu rendimento físico, que seu corpo está ficando mais bonito é muito motivante". Apesar disso, Creso não vê muitas diferenças no relacionamento do casal, mas admite que quando ambos estão de bem com o próprio corpo, a questão da sexualidade fica valorizada.

foto de Creso Arruda "Todo mundo quer ter um parceiro bonito e malhar junto favorece esse lado. Você pode exigir que ela melhore sem que isso prejudique o relacionamento. Nesse sentido, a intimidade do casal aumenta. É bom ver que ela está cada dia mais bonita e de bem consigo mesma", diz.

Eliana faz coro com o marido e revela que com o corpo mais bonito, está de bem com o espelho e agora tem que administrar o ciúme de Creso. "Antes as roupas não ficavam bem e eu me sentia mal, agora, posso usar as roupas que quero e me sinto bem melhor. Só que ele tem mais ciúme agora", diverte-se.

Zé Ricardo adverte que os benefícios são apenas emocionais. "Há artigos científicos que comprovam que o movimento da academia, o som, o ambiente, são fatores emocionais que contribuem para que o indivíduo não abandone a malhação. Mas isso não quer dizer que o rendimento será melhor se a pessoa malhar acompanhada".

Intimidade

Ao contrário de Creso e Eliana, o casal Fernanda Barreto Policiano e Leandro de Oliveira Valdivino (foto abaixo) acreditam que malhar com o namorado faz toda a diferença no relacionamento. Para Fernanda, é uma oportunidade de estar mais junto. "Nem sempre a gente pode se ver todos os dias e, quando isso acontece, a academia é o único momento que temos para nos falarmos", diz.

foto de Elen dançando Leandro, que mudou de academia por causa da amada, concorda. "É muito melhor quando a gente consegue vir junto porque um anima, a gente consegue conversar,e, execício e outro a gente conversa, troca idéia dá até para dar uns beijinhos (risos)", brinca. Zé Ricardo alerta que esse tipo de comportamento pode ser uma influência negativa, se for excessivo.

"Não adianta ir para academia namorar. A idéia é ter companhia para malhar, é um 'gatilho'. Se o casal chega aqui e começa a namorar, esquecendo dos exercícios, o efeito pode ser contrário. Outro problema pode ser no caso de brigas entre um casal, um dos dois pode querer parar de malhar". Mas os "pombinhos" garantem que sabem a medida certa do namoro na academia.

Apesar de ainda viver em clima de romance com o marido, que é também seu personal trainer, Eliana garante que não corre o risco de deixar de malhar sem a presença do amado. "Mesmo quando ele não vai, eu vou. Continuarei malhando mesmo sem ele porque sei que isso me faz bem". Já com Fernanda, o caso é bem diferente. "É ele quem me anima a vir. Tem dias em que não estou a fim e ele me liga, me dá ânimo para fazer toda a minha ficha. Quando ele não vem, acabo reduzindo minhas séries", confessa.

foto de Elen dançando Fernanda admite que a companhia do namorado a ajuda na execução dos exercícios. "Eu detesto fazer abdominal e, muitas vezes, ele faz de novo só para me estimular", conta. O professor explica que cada um segue um programa de exercícios diferente, que depende da condição biológica de cada um, então, não há relação direta entre o rendimento físico e o ambiente onde a pessoa faz o exercício.

"O fato de a pessoa estar malhando com o namorado ou marido ajuda no sentido de estímulo mesmo. Às vezes, um dos dois precisa do exercício por recomendação médica e não gosta de fazer. Ter alguém do lado para estimular, é muito importante porque a pessoa acaba fazendo o exercício por causa do outro e os benefícios virão de qualquer jeito".

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF


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