Em Juiz de Fora existem vários programas com atividades voltadas para a Terceira Idade. Os bingos e bailes são um dos preferidos da geração acima dos 60 anos.
Segundo a responsável por promover as atividades para um grupo de idosos, Nancy
Amorim, animação é o ingrediente que não falta. "O salão fica cheio"
, revela.
Além de proporcionar lazer e distração, as pessoas fazem novas amizades. Ela conta também que as paqueras "rolam solta" nos bailes.
"Os casais trocam olhares, dançam juntos, às vezes, marcam de se encontrar em
outros locais ou deixam para se verem novamente nas festas e, assim, começam muitos
namoros"
, conta Nancy.
E quem pensa que o "ficar" é apenas um comportamento da adolescência e juventude, engana-se, pois também faz parte do universo da terceira idade. Segundo Nancy, tem muitos casais que temem o namoro devido à reação dos filhos e por isso "ficam" nas festas.
Maria Lúcia de Caldas Giovannini, 66 anos, e Geraldo de Medeiros Nery (foto abaixo), 70, se conheceram na tarde dançante. Ela é viúva, tem seis filhos e sete netos. Ele, separado. Possui seis filhos e dois netos.
Eles assumiram o namoro, contaram para a família, mas ainda não se apresentaram para
os filhos. "Tem que ir mais devagar. Não acho que vai haver resistência, mas
falta oportunidade para que Geraldo os conheça"
.
Eles fazem aula de dança juntos, jogam boliche, participam de bingo, e, às vezes,
fazem passeios em pousadas. "Gosto de jogar vôlei e lancebol e estou carregando
ele para as atividades esportivas"
.
"O envolvimento foi acontecendo, mas sabemos que cada um tem a sua vida. Aos domingos
cada um fica com sua família. Encontramos mais durante a semana"
, diz Maria
Lúcia.
Nancy afirma que os casamentos também são muitos comuns na faixa etária.
"Namoram e casam no grupo da Terceira Idade. Só este ano, quatro casais que se
conheceram no programa da Terceira Idade já oficializaram a união"
.
Na pesquisa "Estatísticas de Registro Civil", realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), atualizada pela última vez em 2005 mostra que, naquele ano, 26.501 casamentos de pessoas com mais de 60 anos foram celebrados, mais que o dobro de registrado em 2002, penúltima vez que foi atualizada.
O casal Carmem Francisca do Amaral Martins e Odilon Lage (fotos abaixo) fazem parte da estatística de casamentos na Terceira Idade. Eles se conheceram em Porto Seguro, quando ela tinha 76 anos, e ele 72.
Dona Carmem era viúva fazia 26 anos. Ela tem sete filhos, 22 netos e nove bisnetos.
Ele era solteiro. "Procurava alguém para uma vida em comum e encontrei a Carmem,
uma pessoa com todos os requisitos que procurava"
.
Depois que voltaram do nordeste, continuaram se vendo nos bailes. "Surgiram os
primeiros olhares, beijos e namoro sério"
, conta Lage. Após quatro anos, eles
se uniram oficialmente e já estão casados há oito anos.
A filha de Carmem Maria Carmem Martins de Faria revela que achou
esquisito quando soube da novidade. "Mãe não casa. Mas quando conhecemos o Odilon
foi tranqüilo. Fomos nos acostumamos com a idéia"
.
Segundo Lage, ele e Carmem fazem de tudo para ser o casal mais feliz que existe.
"Não deixamos a idade nos atrapalhar. Desafiamos o tempo. Namoramos como jovens.
Não nos acanhamos, beijamos em público, dançamos carnaval de rua, participamos de
todas as festas regionais, onde sempre somos referência do casal mais bem caracterizado
e alegre"
.
Atualmente, Carmem está com 85 anos e Lage com 80. Ele se considera um romântico.
"Adoro prestar homenagens à Carmem, cantando músicas para ela, mando flores e
a presenteio com jóias lindas"
. Sobre sexo, ele diz: "Não pode faltar, pois
somos e seremos eternos namorados"
.