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Artigo
Networking, uma poderosa ferramenta
::: 20/08/2003

Recentemente, em um dos inúmeros e-mails recebidos diariamente, havia um que trazia "pensamentos filosóficos" contemporâneos de um " dito cujo" que, no mínimo, deve ter algum grau de parentesco com o famoso seu Creysson. Entre os pensamentos, alguns impublicáveis neste espaço, um me chamou bastante a atenção. Dizia: "O importante não é saber, mas sim ter o telefone de quem sabe". Por mais que a intenção tenha sido debochar, a citação traz em seu cerne um conceito muito importante para o profissional atual: Networking - rede de trabalho ou rede de contatos ou ainda rede de relacionamentos.

Nunca em outro momento da história da humanidade as mudanças foram tantas e tão rápidas. Assustados e sem saber onde tudo isto vai dar, não temos tempo para ficarmos pensando em muitos destes aspectos. A cada momento novos conceitos são formulados. O que era novo fica velho. No meio de tudo isto, lá estamos nós, sempre tendo que nos atualizar. Ou seja, para tentarmos reagir temos a cada dia buscado um upgrade de tecnologia e de fontes de informação como a internet, revistas, jornais - hoje já não basta ler apenas um. Fazemos vários cursos de aperfeiçoamento e atualização. Tudo isto tem muito valor. Porém há um outro recurso que poucos usam devidamente.

Na maioria, aqueles que o praticam o fazem sem saber, ou de maneira pouco "especializada". Este recurso são as redes de relacionamentos, ou seja, aqueles nossos contatos que podem nos manter informados, que abrem oportunidades a termos acesso rápido à possíveis soluções.O assunto é tópico fundamental em qualquer curso ou palestra de Marketing Pessoal. As redes de relacionamentos são onde multiplicamos nossas possibilidades dando e recebendo informação, conhecimento e oportunidades, pode ser descrita com base no antigo conceito de sinergia onde o todo é maior que a soma das partes.

Você tem uma rede de contatos e relacionamento que contribua eficazmente para o seu sucesso profissional? A maioria responderá que não. E entre estes há aqueles que o fazem sem se dar conta. Então o que é preciso para você estruturar e usar esta poderosa ferramenta? Normalmente faltam: a) dar conta do que realmente isto significa e o que pode agregar à sua vida profissional e b) como fazê-lo adequadmente.

Vamos então à primeira parte: significado e valor. Em seu livro Inteligência Emocional, Daniel Goleman coloca como um dos "ingredientes" essenciais de sua teoria a aptidão social (ou habilidades sociais).Ele define o termo como "a bela arte dos relacionamentos que nos permitem moldar um encontro, mobilizar e inspirar outros, vicejar em relações íntimas, convencer e influenciar , deixar os outros à vontade". Coloco esta questão, visto que ilustrativamente, Goleman conta uma pesquisa feita na Universidade de Harvard, sobre os alunos mais bem sucedidos profissionalmente. Para surpresa dos pesquisadores, os mais bem sucedidos não eram os alunos de melhor aproveitamento acadêmico. Em nova pesquisa para descobrir os motivos desde resultado, verificou-se que um dos fatores de sucesso era a capacidade de formar uma rede de relacionamentos que abria a estes acadêmicos um maior número de oportunidades. Acredito que um fato endoce o outro. Nossa capacidade de formar esta Network e é claro, mantê-la é um fator muito importante que nos permitirá projeção, informação e, até mesmo, bons programas (entretenimento, embora isto não venha ao caso aqui). Como o ditado nos diz, ninguém é uma ilha. Para conseguirmos manter-nos no "circuito" é preciso construir uma rede de amizades e relacionamentos, onde podemos ajudar e ser ajudados. Devido a crescente complexidade das tarefas é difícil uma única pessoa reunir todos os requisitos ou conhecimentos necessários à sua execução.

Vamos a alguns exemplos práticos. Quem ainda não passou pela situação de ver algo realmente importante, se não urgente, entravado na burocracia de alguma repartição pública ou privada. E se nesse caso tivessemos um contato, uma pessoa que pudesse influenciar em nosso favor. Ou mesmo alguém que possa interceder por nós junto a outro conhecido naquele setor. Imagine agora você em outra circunstância delicada e não menos urgente. De repente você liga para aquele amigo que você, em outra ocasião, tão solicitamente o ajudou. Não é uma questão de troca. Mas, se você ajudou e foi útil a alguém, mesmo que desinteressadamente, é muito provável que haja reciprocidade por parte dele. Aí então... problema resolvido ou ao menos bem encaminhado. Podemos citar também aquele integrante de nossa rede que nos avisa de uma oportunidade (trabalho, contrato, promoção, etc.), ou mesmo aquele que "dá um toque" no conhecido que fará a entrevista de emprego ou a triagem dos currículos para "aquela" vaga. Ou ainda, aquele contato que pode dr a referência ou o " empurrão que faltava para fecharmos aquele grande negócio. Creio que estes exemplos já lhe deram o significado e o convenceram do real valor de estruturar e manter uma rede de contatos.

Mas, cuidado. O Networking não deve ser confundido apenas como um agrupamento para troca de favores e interesses. Não é a personificação do QI (leia-se quem indica). É nesse ponto que muitos profissionais pecam grosseiramente. Se é ou era isto que você pensava, bem, me permitam o plágio, mas está na hora de você rever seus conceitos. Quem leva a prática do Networking para este lado corre sérios riscos de vêla, em determinado momento, trabalhando contra a sua imagem e não a favor. E é isso que abordaremos em nosso próximo artigo. Será nosso tópico nº 2: o passo a passo para montar e manter sua rede de relacionamentos. Até lá tente enumerar por escrito sua rede atual. Isto servirá como um ótimo exercício e adiantará bastante nossa próxima etapa.

Não espere. Faça melhorar.


Eduardo Santos é psicólogo e consultor
formado pelo Centro de Ensino Superior
de Juiz de Fora e Pós-Graduado em Consultoria em RH.
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