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Economia

Futura aposentadoria
O indicado é planejar a aposentadoria o mais cedo possível. Pais podem fazer uma previdência privada para o bebê assim que ele nasce

Sílvia Zoche
22/07/04

O economista e superintendente financeiro, Aloisio Antonio Siqueira Marques, fala sobre a importância de se fazer uma previdência. Ouça!

Ouça!

Foto ilustrativa Tranqüilidade. Esta é a palavra-chave para quem vai se aposentar. Mas para isso, é preciso alguns cuidados quando ainda se está jovem. Para você entender melhor do que se trata, existem dois tipos de previdência: a social (pelo INSS) e a privada.

A previdência social tem dois estilos. O primeiro é referente ao trabalhador com contrato pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou pela iniciativa privada. O segundo estilo é a previdência do servidor público (civil ou militar).


Servidor Público
        Militar


  • É preciso comprovar o tempo de serviço militar.
    De acordo com o economista e superintendente
    financeiro da Santa Casa de Misericórdia, Aloisio
    Antonio Siqueira Marques
    (foto abaixo),
    o militar não precisa ter preocupação com outro tipo
    de previdência, além da social, porque ele
    possui assegurado a manutenção do salário
    na reserva (aposentadoria), até o fim da vida.

    Civil

  • O servidor público civil tem salário
    assegurado no mesmo nível que recebia antes
    de se aposentar. O economista fala que são todos
    os funcionários do Executivo e Legislativo, como professor
    e juiz, por exemplo. "Mas tudo depende do governo não
    mudar regras", lembra Marques.

Os outros
Aloisio Antonio Siqueira Marques No campo da previdência social, todas as pessoas que trabalham na iniciativa privada e possuem um nível de renda relativo ao teto do INSS (atualmente, no valor de R$ 2.400) podem ficar tranqüilas. Segundo Marques, se o funcionário trabalhar o tempo normal para formar uma previdência, ele tem assegurado a sua aposentadoria, que tende a permanecer estável por um logo tempo.

Para quem tem emprego garantido (30 anos, mulher e 35 anos, homem) ou aqueles que trabalham informalmente, o economista recomenda que se faça uma previdência privada, para que, a partir de determinada idade, tenha-se melhor remuneração. "Quanto mais cedo a pessoa começar a pagar a previdência melhor", diz o economista.

Foto ilustrativa Um problema que Marques constata é a cultura financeira imediatista dos brasileiros. "A nossa cultura do mercado financeiro está voltada, quase que exclusivamente, para o curtíssimo prazo. Ou seja, aquelas aplicações com rentabilidade e disponibilidade imediatas. Até o governo estimula este tipo de poupança que é de curtíssimo prazo e desestimula o tipo de aplicação para resgate superior de cinco anos", explica.

Quanto maior a formação de poupança, tanto por parte do indivíduo, das famílas e da macroeconomia, mais saudável e mais sólida seria a economia e a sociedade, na opinião de Marques. "O mais natural seria a pessoa planejar a poupança em função da expectativa que ela tem em relação ao seu futuro. Mas verificamos que, ao surgir uma oportunidade de gastar, o cliente retira o dinheiro e usa. Então, o que seria um rendimento a longo prazo, torna-se médio ou curto prazo", exemplifica.

Tecnicamente, a previdência diz respeito a poupanças com tempo de aplicação de 20 a 30 anos. "É muito? O que é muito, se a nossa expectativa de vida está em torno de 70 a 80 anos? É importante que as pessoas busquem popanças que tenham longevidade", enfatiza Marques.

Quando começar
Foto ilustrativa A previdência social pode ser feita por qualquer cidadão com 16 anos ou mais. É preciso que se tenha carteira de trabalho, mesmo que contribua como trabalhador autônomo. A partir do momento que a carteira de trabalho é assinada, automaticamente a pessoa passa a contribuir para a previdência.

Já a previdência privada pode ser feita até para um bebê que acabou de nascer. É só apresentar a certidão de nascimento. O mantenedor (responsável pela criança) se filia à previdência e contribui até que o filho possa pagar. Em caso de morte do responsável, a criança continua com os benefícios, de acordo com o contrato. Marques explica que, quanto mais tempo se demora para contribuir, maior o valor da contribuição mensal.

Quais os benefícios
De acordo com a gerente do INSS de Juiz de Fora, Aldaisa Angela Belchior Sartini, com um ano de contribuição para a previdência social, a pessoa obtém o direito ao auxílio-doença; ao salário-família, no caso de afastamento por doença grave; e, no futuro, a aposentadoria, de acordo com o tempo de constribuição. Se o trabalhador sofrer qualquer tipo de acidente na empresa, ele terá o auxílio-doença acidentário.

Aldaisa Angela Belchior Sartini Quando o trabalhador é demitido da empresa, de acordo com o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ele possui o direito ao seguro desemprego. "A partir do seguro desemprego, o trabalhador pode ficar 12 meses sem contribuir, sendo que no décimo segundo mês, ele deve fazer a inscrição como facultativo, para manter a condição de segurado e usufruir dos benefícios", explica Aldaisa.

Quem perder o período de inscrição, ainda pode ter a chance de retornar. "Esta inscrição só é válida para quem possui carteira assinada. É necessário se reinscrever na previdência e, depois de 4 meses de contrato, ele volta a ter direito a receber o auxílio-doença. "A exceção é com relação a acidente de trabalho e a pensão que não tem carência de tempo. A pessoa se inscreveu, contribuiu um mês, já readquire os direitos", explica Aldaisa.

Já ao trabalhador informal, Marques diz ser interessante que ele contribua para a Previdência Social e, simultaneamente, faça uma complementação para a privada. "A oficial oferece algumas vantagens (apontadas por Aldaiza) que a privada não tem, como seguro desemprego e o auxílio-doença", conclui Marques.

Foto ilustrativa No caso da previdência privada, existem vários tipos de contratos, que se adequam à expectativa do cliente. "São contratos que podem ser escolhidos. O mercado financeiro faz um contrato em função do tipo de renda que seja compatível com o tipo de aplicação que o cliente se compromete a fazer", diz Marques.

Existe também uma previdência associada a um seguro de vida, em caso de morte antes do contribuinte completar o período de capitalização. Como diz Marques, os contratos privados são flexíveis, a ponto de, decorrido algum tempo, o segurado poder alterar a sua proposta. Ao invés de aposentar-se aos 60 anos, negociar a aposentadoria aos 50 anos, por exemplo.

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