Negócios
Aposentados e pensionistas de Juiz de Fora recolhem assinaturas para aprovação de Projeto de Lei que visa equiparação de salários
Renata Cristina
*colaboração
19/04/05
Pela primeira vez no Brasil é realizada uma pesquisa para calcular os
aumentos de preços relativos aos produtos consumidos pela população acima de
60 anos.
O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) foi divulgado, neste mês de abril, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e revelou que a inflação para os idosos é de 226,14%, enquanto que para o restante da população é de 176,51%. Segundo o economista, Aluisio Siqueira Marques (foto ao lado), esse aumento se dá de acordo com os itens consumidos por esse tipo de público. "Planos de saúde, remédios e alimentos dietéticos têm um maior peso no orçamento dessas famílias", explica.
Quem sente no bolso é a aposentada Elizabeth Alves, 69, que tem uma remuneração inferior a dois salários mínimos e é responsável por toda sua despesa mensal - luz, água, telefone, alimentação - além dos medicamentos que toma para equilibrar o colesterol e prevenir a osteoporose.
"Com o aumento dos remédios no início do ano, tive que reduzir meus gastos. Os que são para prevenção, como é o caso da osteoporose passei a tomar um dia sim, outro não",diz.
A aposentada ainda contribui, financeiramente, com um irmão, empresta um de
seus imóveis a uma sobrinha e ajuda nos estudos de um sobrinho. "Apesar de
não pagar passagem de ônibus, dou dez vales-transportes para meu sobrinho ir
estudar".
A psicóloga e coordenadora de Pesquisa do Pólo Interdisciplinar na Área de Envelhecimento da UFJF, Cristiane Novaes, aponta que é cada vez mais comum o aposentado colaborar com a renda familiar ou, até mesmo, ser a única fonte de renda fixa na família. "Esta pode ser uma das razões pelo impacto nos preços produtos consumidos pelos idosos", revela o economista.
Renda segura
A aposentada e ex-atendente dos Correios, Vera Amaral Colluci (foto
abaixo), é também a responsável pelos gastos da família. Com o filho
desempregado e viúva, ela é quem garante as despesas integrais da casa.
"Pago também um plano de saúde e a faculdade do meu filho".
Já a pensionista, Nilva Araújo Porto (foto abaixo), sente-se privilegiada com o que ganha, no entanto mostra-se consciente com a real condição do aposentado no Brasil. "Tenho condições de arcar com todas as minhas despesas, mas sei que muitos aposentados estão deixando de lado medicamentos e alimentação saudável porque não têm recursos", diz.
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Luta
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade
de Juiz de Fora possui 10,6% de sua população composta por idosos, um
percentual maior do que o estado de Minas Gerais, de 9,1%, e ao nacional, de
8,6%. Por esse motivo, a Associação dos Aposentados e Pensionistas de
Juiz de Fora, em parceria com as Associações de todo o país reivindicam
uma redução da diferença entre o reajuste das aposentadorias do setor
privado e do salário-mínimo que chega a quase 40%.
| Ano | Salário-Minímo | Mínimo | Aposentadorias/Pensões |
|---|---|---|---|
| 1995 | R$ 100 | 42,86% | 42,86% |
| 1996 | R$ 112 | 12,00% | 15,00% |
| 1997 | R$ 120 | 7,14% | 7,76% |
| 1998 | R$ 130 | 8,33% | 4,81% |
| 1999 | R$ 136 | 4,61% | 4,61% |
| 2000 | R$ 151 | 11,03% | 5,81% |
| 2001 | R$ 180 | 19,21% | 7,66% |
| 2002 | R$ 200 | 11,11% | 9,20% |
| 2003 | R$ 240 | 20,00% | 19,71% |
| 2004 | R$ 260 | 8,33% | 4,53% |
| Acumulado | 271,40% | 166,31% | |
• A Federação dos Aposentados destaca que no período de 1995 a 1999, apesar do certo equílibrio, já havia uma diferença acumulada de aproximadamente 20%, em função dos reajustes diferenciados de janeiro de 1993 a setembro de 1994.
Fonte: Federação dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais
Projeto de Lei
De acordo com o presidente da Associação, Geraldo Gonçalves Lima,
está sendo feito um abaixo-assinado para a aprovação de um Projeto de Lei
que visa essa equiparação dos reajustes salariais do aposentados e
pensionistas com o mínimo. "Precisamos de 1 milhão de assinaturas", enfatiza
Lima.
A representante do conselho deliberativo da Associação, Dilva Araújo destaca que os aposentados devem se unir a favor de seus direitos. "Nos deixamos levar pela política privada. Aceitamos passivamente os planos de previdência, os planos de saúde, todos particulares e acabamos pagando duas vezes pelo mesmo serviço com salários reduzidos".
Os interessados em assinar o documento (foto abaixo) podem procurar a sede da Associação
dos Aposentados na Rua Marechal Deodoro, 225 - Loja 04.
*Renata Cristina é estudante do 8º período de Comunicação Social da UFJF
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