Negócios


Artigo
O "ser empreendedor" e
o Brasil do futuro


:::24/04/2006

É fato que a adaptação da nossa sociedade ao mundo globalizado e em transformação acelerada passa por analisar com muita atenção a oportunidade para a criação de uma verdadeira cultura empreendedora ao nível das organizações, sejam elas públicas ou privadas, assim como identificar a necessidade de se desenvolverem iniciativas empreendedoras, pequenos negócios, auto-emprego, assumindo tudo isto como o novo paradigma da nossa evolução econômica e social.

Não há dúvidas quando ouvimos afirmações de que o sucesso do Brasil no futuro depende acima de tudo da capacidade de introduzir comportamentos empreendedores em todas as pessoas na nossa sociedade. Isto implica necessariamente em mudanças drásticas no nosso sistema de educação, adaptando-os a modelos que melhor reflitam as realidades da tão falada era do conhecimento. Enquanto não conseguirmos essa ruptura com o passado, estaremos condenados a gerir nossa sociedade com uma dependência cada vez maior dos nossos governos, para suportar, apoiar e financiar aquilo que nós, enquanto cidadãos, já não conseguimos fazer.

A verdade é que a pobreza ameaça todos os cantos do mundo, até nos países mais desenvolvidos, e essa pobreza é baseada principalmente na pobreza de conhecimentos. Aquela geração que antigamente saía da faculdade recebendo como recomendação "Vá para o mercado de trabalho e arrume um bom emprego" agora mudou de figura, e recebe a recomendação: "Vá para o mercado de trabalho e crie teu próprio emprego". Muitos de nossos trabalhadores que dependem de outros, sejam eles operários ou não, estão correndo risco de ver seu posto de trabalho eliminado, ou senão ocupado por outras pessoas mais preparadas para os desafios da modernidade. Para sobreviver e se realizar profissionalmente, estas pessoas terão de desenvolver atitudes e comportamentos radicalmente diferentes - diga- se empreendedores - do que se exigiam às pessoas que trabalhavam nas empresas no passado.

Assim, todos se perguntam: o que é ser um empreendedor? Um dos conceitos que se tem é que "os empreendedores têm a capacidade de combinar recursos e informação de novas formas. Conseguem não só ver o sistema como ele efetivamente é, mas como será. Têm a capacidade de olhar o usual e de perceberem o extraordinário. Conseqüentemente, conseguem descobrir oportunidades, que transformam o lugar comum no único e inesperado". O interessante disso tudo é que a maior parte desses indivíduos são pessoas que tornaram os seus sonhos uma realidade, indo muitas vezes por caminhos que os mais conservadores consideram arriscados.

Mas o que é que eles fazem melhor do que ninguém? Eles têm a capacidade de gerar muitas idéias rapidamente, ignorando as que não têm potencial, permitindo que se concentrem nas poucas que mereçam aprofundamento e estudo. Depois, avançam para a próxima etapa, transformando estas idéias em ação, que, na maior parte dos casos, mudam o modo de fazer as coisas. E isto é o "ser empreendedor".

Ser empreendedor é ter a capacidade de criar e construir algo a partir do nada, praticamente. É iniciar, ter a idéia, fazer, construir, desenvolver uma empresa ou organização, em vez de somente analisá-la, observá-la ou descrevê-la. É ter o dom de descobrir oportunidades onde outros não conseguem enxergar uma forma de resolver uma situação já considerada perdida. É a capacidade de complementar os seus talentos e conhecimentos com os de outros, formando uma equipe. É ter os conhecimentos para encontrar e controlar com responsabilidade os recursos e ter a certeza de que estes não irão faltar quando forem necessários.

Acredita-se, desta forma, que a preparação do Brasil do futuro, num mundo globalizado, passa necessariamente pela aposta numa educação para os valores associados ao empreendedorismo, e por desenvolver uma profunda reforma do estado que estimule os criadores de empresas e os empreendedores.


Márcia Medeiros Mota é mestre
em Economia Aplicada pela UFV graduada
em Ciências Econômicas pela UFJF


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