"Tenho celular, mas sempre ando com o cartão de telefone público à mão
".
A declaração tem se tornado cada vez mais comum nas ruas
e é do representante comercial, Luiz Roberto Azevedo Moreira (foto abaixo).
O menor preço da telefonia pública
faz crescer a procura por cartões que tornam mais acessíveis
as ligações locais, interurbanas e internacionais.
Alguns estabelecimentos comerciais de Juiz de Fora chegam a registrar um aumento de
100% na venda de cartões telefônicos em comparação ao ano passado. "Em 2006,
eu vendia uns seis cartões por dia, hoje a média chega a 12 e tem
dia que chego a vender 20 cartões"
, comenta o proprietário de um bar da
cidade, Edson Couto de Oliveira
A maior procura também é sentida por um dos proprietários de uma banca de jornais da
cidade. Segundo Giuliano Caruso, não dá para precisar
em números esse crescimento, mas ele garante que o movimento aumentou na banca. "De uns tempos
para cá mais gente tem procurado. Eles comentam que não querem mais pagar
assinatura por telefone fixo e preferem saber quanto estão gastando nas ligações
cada vez mais baratas"
, relata.
O preço passou a ser ainda menor com a possibilidade de ligações através de
orelhões que utilizam o VoIP, no centro da cidade. "Fazer um interurbano e uma ligação internacional é muito mais barato pelo VoIP e em períodos de crise financeira sempre é bom economizar", destaca um dos sócios de Juliano, Giulio Caruso (foto abaixo).
No caso do representante comercial, Luiz, foi justamente o custo que o fez optar
pela ligação de telefone público. "Celular de linha é muito caro, só posso ter
de cartão. Ele serve mais para receber ligações e só ligo por ele em situações
de urgência. Por isso, sempre estou com um cartão telefônico no bolso"
, revela.
O mesmo acontece com Patrícia Homero que
também prefere usar o orelhão. "Meu celular até deixo em casa. A ligação
é mais cara, com a ligação de telefone público aproveito muito mais
meu dinheiro"
, relata. O reflexo desse aumento de vendas é sentido também
pelo proprietário de banca de jornal Francisco Madalena que há anos
vende cartão telefônico. "Depende muito do dia, mas em relação a tempos
anteriores, a venda aumentou sim"
, observa.
Segundo o administrador e contador, Marco Roberto Nicolau, essa é uma
tendência na atual sociedade. "Essa é a fuga de gastos. A pessoa sem
perceber, sabe que vai diminuir a despesa no fim do mês. Elas usam um sistema
pré-pago para cortar gastos porque não têm controle do orçamento"
, explica.
É o mesmo que percebe Giuliano Caruso no relacionamento com clientes em sua banca.
"Muitos vêm aqui, compram cartão e falam que querem ficar livre da assinatura
do telefone fixo.
Com ligações baratas como a do VoIP elas preferem sair de casa para ligar,
principalmente, em interurbanos e chamadas internacionais"
, conta.
A equipe de jornalismo da ACESSA.com entrou em contato com a Telemar em Belo Horizonte, mas não obteve os dados. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, não foi possível levantar os números do estado e não há nenhum dado oficial da região ou de Juiz de Fora.