Roberto Monti
06/08/2008
Com certeza o controle do processo de compra passou para as mãos do consumidor como se pode verificar em todos os
segmentos e também nos milhões de acessos aos sites de procura. Nos últimos anos a evolução fulminante da tecnologia
de software e a invasão da banda larga permitiram novas formas de comunicação e relacionamento na Internet criando
para os anunciantes um espaço para a criatividade.
Este novo mundo digital está dando certo, pois mantém as pessoas conectadas e recentes pesquisas mostram o poder dos internautas na divulgação de produtos, serviços e marcas. Todo e qualquer empresário busca as famosas vantagens competitivas que o posicionem a frente dos rivais e sejam difíceis ou até mesmo impossíveis de imitar.
Quais foram as vantagens que transformaram a indústria japonesa na referência mundial nos anos 80 e por que grandes corporações norte-americanas como Sears, IBM e Caterpillar derraparam naquela década. A arma utilizada por nipônicas como Toyota, Canon e NEC foi a intenção estratégica, ou seja, elas descobriram aquilo que sabiam fazer de melhor - suas competências essenciais - e resolveram aproveitá-las ao máximo. O argumento básico é o de que a competitividade de uma empresa advém de sua habilidade de desenvolver competências únicas e essenciais, que permitam gerar produtos inesperados. O que isto significa?
Veremos que algumas empresas são capazes de sair de si mesmas e superar tremendas desvantagens, enquanto outras, que estão excepcionalmente bem posicionadas para aproveitar seu lugar no mercado, mostram-se incapazes de fazê-lo. Nenhuma das teorias existentes poderia explicar isso, já que tudo que os estrategistas diziam era que, se você é grande, deve ter uma vantagem competitiva.
Conforme ensina P. Kotler em seu livro "Marketing para o século XXI" - Futura, 1999, São Paulo: "os consumidores pensam em termos de valor pelo seu dinheiro, ou seja, o que adquirem pelo que pagam". Existem cinco posições de valor que podemos utilizar para escolher um posicionamento.
B. Mais pelo mesmo: concorrem com as marcas "mais por mais" e oferecem produtos com preços menores, mesma qualidade e desempenho - acontece no mercado de automóveis e o exemplo citado é o lançamento do Lexus X Mercedes.
C. Mesmo por menos: a reação mais comum que vemos é quando as pessoas compram um produto de marca consagrada por menos que o preço normal e isto acontece com freqüência nas compras pela Internet nas quais conseguimos preços menores do que os oferecidos nas lojas físicas. Exemplo: produtos comprados no site Americanas.com mais em conta dos apresentados nas lojas físicas das próprias Lojas Americanas.
D. Menos por muito menos: as empresas oferecem muito mais do que os consumidores necessitam, mas ninguém pede que as empresas ofereçam produtos com menos recursos. Exemplo: a mais lucrativa empresa aera dos EUA - Southwest Airlines - cobra menos por suas passagens aéreas por não servir refeições nem assentos reservados, não utilizar de agentes de viagens e não transferir as bagagens automaticamente para outras linhas aéreas.
E. Mais por menos: conceito/ações que podem ser aplicados por empresa de qualquer porte como, por exemplo, um atendente sorridente, respeitoso, variedade de produtos para facilitar a escolha, política de troca acessível e fácil de ser efetuada, preços baixos sempre.
Os consumidores cada vez mais querem a liberdade de escolha, mas ao oferecer uma grande variedade de produtos com inúmeras funcionalidades muitas vezes confunde o interessado e atrapalha na hora da decisão de compra, perdendo o interesse. Surgem então as seguintes dúvidas:
o Mais significa realmente menos?
o Como apresentar uma variedade de produtos sem sobrecarregar a mente do consumidor?
o Podemos oferecer menos opções e orientar melhor o consumidor na escolha do produto certo para as suas necessidades?
o Qual é a reação dos consumidores frente à grande variedade de opções?
Um estudo realizado pela Columbia University Business School sob a coordenação da especialista
Sheena Iyengar - Revista HSM nº 68 - revelou que ao serem apresentados a 30 variedades
de geléias os consumidores via de regra haviam se arrependido da escolha devido a grande número
de embalagens e ficou comprovado que as melhores escolhas eram feitas quando a opção de compras
recaia entre apenas 5 tipos de geléias.
As novas opções de tecnologia proporcionou ao consumidor acesso ao mercado mundial na ponta dos dedos, muitos adoram esta facilidade mas outros, acham que é cansativo, ocorrendo o aumento do fenômeno conhecido como "cocooning" - conceito lançado por Faith Popcorn em seu livro "Relatório Popcorn", Campus, 1993, São Paulo.
Ocorreu também outro fenômeno com a abundância de opções: as pessoas (1/3 do universo pesquisado) sentiam-se sobrecarregadas com o aumento das opções de escolha. Devemos levar em conta que diversos produtos apresentam muitas outras funções além da básica; exemplo atual, o telefone celular que criado para facilitar a comunicação entre as pessoas - conforme diz a Nokia "Connecting People" ® - é oferecido para conexão sem fio à internet, câmera digital, tocador de MP3, jogo eletrônico, localizador de GPS e quantas mais opções forem apresentadas, ou seja, a conexão entre as pessoas foi ampliada com estas novas funções.
Existem estudos e entidades que se preocupam com o excesso de opções como é o caso do Consórcio de Simplicidade do Laboratório de Mídias do MIT (EUA) pregando que "produto aprimorado" não é necessariamente um produto com mais funções. De acordo com o especialista John Maeda existem empresas reduzindo as funções de celulares ocasionando um aumento significativo nas vendas. Conforme disse Einstein: "Simplifique o máximo que puder, mas não vá além disto". Muito em uso pelos consumidores os chamados "filtros on-line" que auxiliarão a encontrar produtos dentro das necessidades específicas de cada comprador e não com um número incontável de opções.
Por estarem no comando da situação, os consumidores encontram-se perdidos com o grande número de opções, assim o uso de especialistas ou filtros que auxiliarão a organizar e comprar melhor reveste-se de grande importância.Apresentam-se duas situações:
Providenciar a redução das opções de compra tornando seus produtos mais simples como, por exemplo, já o fazem a Ford "mantenha o simples", a Lexmark "promete descomplicar a vida do consumidor", o Citybank "cartão de crédito simplicidade";
o Oferecer opções para escolha, mas, tornar mais aceitáveis ao consumidor - criar o equilíbrio entre moderno & tradicional. Convém lembrar que o produto que é chamado de "vanguarda" em pouco tempo é superado e passa a ser obsoleto.
Concluímos com a observação de Kotler que afirma "estar cada vez mais difícil para os especialistas de marketing conseguir um nano segundo de atenção do seu Cliente e o grande desafio é aproveitar com eficácia os 30 segundos de um comercial na televisão". Empresário: qual o posicionamento a ser adotado por sua empresa?
Roberto Monti é consultor de Marketing.
Co-autor do livro (IN)Fidelidade , Uma Questão de Qualidade
Clientes Sonham, Empresas Concretizam.
Editora Virgo - São Paulo, 09/2000