Empresários e trabalhadores não se entendem e projeto é mais uma vez adiado. Saiba porque e participe da enquete
Ludmila Gusman
08/08/02
Abrir ou não as portas do comércio aos domingos? A questão está sendo
discutida pelas entidades e sindicatos que pretendem atrair os consumidores
para fomentar o turismo em Juiz de Fora. O presidente do Comércio Varejista,
Odoni Turola, explica que através de um medida provisória em âmbito nacional
ficou decidido que os estabelecimentos funcionariam aos domingos. A medida
foi transformada em lei recentemente. No entanto, não estariam incluídas na
lista as cidades que possuem legislação própria, como é o caso de Juiz de
Fora. “Temos um Código de Postura de 1978 que está sendo revisto agora, onde
essa questão está sendo estudada, por isso ainda não começamos a funcionar
aos domingos. Precisamos aguardar as discussões para que a medida seja posta
em prática”, diz ele. No último dia 4 de agosto as lojas credenciadas à Câmara de Dirigentes Logistas (CDL) seriam as primeiras a iniciar o projeto, através de uma autorização conseguida por liminar. Mas, segundo informou o responsável pelo departamento de Relações Públicas da CDL, Rubens Vasconcellos, a ação não foi levada adiante porque chegou-se a conclusão de que não funcionaria se não houvesse uma participação coletiva. “Entramos em contato com a prefeitura e achamos melhor envolver todas as entidades na discussão, já que o resultado só será satisfatório com a participação de todos os interessados”, justifica. A próxima reunião ainda não foi marcada. Rubens Vasconcelos diz que entre as propostas está a autonomia dos comerciantes em abrir ou não o estabelecimento. “Isso vai depender do ramo de atividade de cada um. Se o comerciante achar que vai trazer lucro, ele abre. Caso contrário, não queremos obrigar ninguém a funcionar nos fins de semana. O nosso objetivo é atrair o maior número de pessoas para Juiz de Fora, oferecendo opções de lazer e proporcionando uma atividade intensa na cidade. Isso será bom para o comércio que vai ter lucro e também para os empregados que vão poder ganhar mais", diz .
O presidente do Sindicato dos Bares, Restaurantes e Similares, Antônio Jorge
Marques, acredita que a medida será importante para Juiz de Fora. Ele diz
que para atrair os consumidores alguns estabelecimentos oferecerão
descontos. Os hotéis pensam em descontos de 40% nas diárias,
já os restaurantes propõem a princípio 10% para aqueles que se hospedarem
na cidade. Já as empresas de transporte filiadas à Asetrap oferecerão 25% de
desconto nas passagens de volta para os turistas. “Vamos vender mais e
conseqüentemente o empregado vai ganhar mais e será possível admitir novos
funcionários. É uma ação em cadeia. Entendemos a preocupação dos
trabalhadores, mas em momento algum os sindicatos que aderiram ao
funcionamento do comércio aos domingos querem prejudicar os trabalhadores.
Eles terão todos os direitos", garante.
E os trabalhadores?
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comério, Silas Batista da
Silva, acredita que a lei não vai funcionar em Juiz de Fora. Segundo ele, as
compras nos fins de semana são uma questão de cultura. “Se nas
capitais isso não funciona, não acredito que aqui irá funcionar. Se
acontecer, não vai durar muito tempo. É uma queda de braço em que todo
mundo sairá perdendo”, diz. O presidente levanta também a questão da
falta de lazer para os empregados no comércio. “Não existe empregado que
fique mais à disposição de sua empresa que o trabalhador do comércio. Ele
começa a trabalhar às 8h e só termina às 18h. Isso, quando termina, pois a
loja fecha e há sempre algo a mais para fazer. Essas pessoas precisam do
domingo para descansar, sair com a família, têm outros afazeres”,
ressalta.
O presidente do Sindicato pretende reunir com a Associação Comercial, Câmara de Dirigentes Logistas, Sindicato do Comércio e demais interessados para apresentar algumas propostas, que ele preferiu ainda não divulgar. “Trata-se de uma série de sugestões viáveis e inteligentes. Precisamos de um projeto que contemple a todos. Não é de uma hora para outra que o comércio vai vender aos fins de semana, as decisões precisam ser estudadas, para não criar desgastes desnecessários”, argumenta.
Campanha de divulgação
Embora ainda não exista nada de concreto sobre a abertura do comércio aos
domingos, a idéia é criar ações que motivem a população a comprar. De
acordo com o relações públicas do CDL, Rubens Vasconcelos, a princípio as
lojas não abririam todos os domingos.
“Iríamos ainda criar atrativos, campanhas na mídia. Hoje além de não atrair
novos consumidores estamos perdendo os nossos para outras cidades que
investem no turismo. Juiz de Fora tem muito o que se aproveitar”, diz.
ATENÇÃO: o resultado desta enquete não tem valor de amostragem científica e se refere apenas a um grupo de visitantes do JF Service.
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