Mercado de flores aquecido o ano todo
Engana-se quem pensa que a primavera é
a única estação das grandes vendas
Repórter
30/08/2007
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, primavera não é mais sinônimo
de flores para o mercado.
Segundo a proprietária de uma floricultura, em Juiz de Fora, Eleoni Kopke,
(foto abaixo)
não existe época para as plantas florescerem. "Não temos mais sazonalidade. As
plantas são criadas em estufa, o que permite simular o ambiente natural delas"
, explica.
O irmão de Eleoni e também proprietário de floricultura,
Ebson Kopke (foto abaixo), conta que as maiores vendas ocorrem em datas comemorativas.
"Há alguns anos, os casamentos
só aconteciam em maio. Hoje, durante todo o ano temos eventos e datas comemorativas
(leia matéria).
As flores se tornaram uma ótima opção de decoração e presentes. Vendemos muito em dias comemorativos de santos e padroeiros, no dia da secretária, do radialista e
por aí vai"
.
As flores também são responsáveis por movimentar o mercado na cidade. Atualmente, existem cerca de 60 floriculturas e, segundo Ebson, a concorrência é grande e este ano as vendas cresceram cerca de 8% e 10% em relação ao ano passado.
Segundo ele, as melhores épocas para o mercado são o segundo e o quarto trimestres.
"No segundo trimestre, pegamos o dia dos namorados e o dia das mães. Já no quarto,
temos muitos casamentos e as festas de final de ano"
, explica.
Para Ebson, a única estação do ano que pode atrapalhar o desenvolvimento das flores
é o inverno. Nessa época, há uma redução da produção e um aumento dos preços. "Mas
não pense que isso é motivo para atrapalhar o negócio. As pessoas acabam escolhendo
em função do preço e levam uma mais barata, mais não deixam de comprar"
.
Para driblar a concorrência
Ebson diz que escolheu o mercado de flores para investir, porque é um mercado que
possibilita boas idéias, mas que ao mesmo tempo é carente delas. "Já consegui
desenvolver muitas idéias boas e ainda tenho muitos projetos"
.
Um dos diferenciais é a loja virtual que está na internet há um ano e cinco meses.
Segundo o proprietário, vende cerca de 38 flores por mês. Ele notou também um crescimento
das vendas no espaço físico da loja por causa da internet. "O mais interessante
é que esta loja é feita para os clientes que não são daqui. A rotatividade na cidade
muito grande por causa das faculdades, onde as pessoas fazem muitas amizades. Quando
vão embora, querem presentear as pessoas que ainda estão aqui e acabam procurando a
nossa loja virtual"
.
Quando o entregador vai à casa da pessoa levar o presente, ele leva junto uma câmera
fotográfica. "Esse momento é especial, porque fazemos o registro do momento mágico da
entrega. Quem fez a encomenda recebe a foto e, além de se certificar de que a entrega
foi feita, pode ver a reação da pessoa"
, explica o proprietário, que já tem a idéia
de gravar vídeos desse momento.
Outra aposta para vencer a concorrência é a assinatura de flores. A pessoa escolhe
o que quer mandar, para qual endereço e quando. "Fazemos a entrega de acordo com a necessidade
do cliente"
. O envio de flores também é uma alternativa. Algumas empresas contratam
o serviço da floricultura para ela enviar flores, como presente, aos clientes.
"No envio de flores, a empresa nos passa a agenda de aniversário de seus clientes.
Nós escolhemos uma flor que tenha mais a cara da empresa, como a cor, por exemplo,
e enviamos para os clientes. É ótimo ser lembrado, principalmente por quem não esperamos"
,
explica Ebson.
Ebson e a irmã apostaram também em uma Escola de Design Floral. Eles ministram as aulas
e a proposta é uma parceria com outra empresa da cidade pra profissionalizar ainda mais
o curso. "Cerca de 80% de quem nos procura quer aprender a cuidar de plantas
e fazer o arranjo por hobby. É muito
importante atender esse mercado"
, explica.
Para fortalecer o mercado na cidade
Segundo Ebson, o que falta para fortalecer o mercado de flores em Juiz de Fora é a união.
"Seria ótimo se pudéssemos criar uma cooperativa de floriculturas aqui. Isso iria possibilitar
comprar mais, diminuir o preço, aumentar o lucro e ter lojas mais confortáveis"
.
Ele diz não ter medo da concorrência. "Ela é muito boa, pois aquece o mercado.
O cliente funciona por comparação e é ele quem decide. As boas empresas ficam no mercado"
,
explica.
De acordo com ele, as mulheres heterossexuais são as responsáveis por cerca de 60% de todas as compras. enquanto que os homossexuais ficam com 15% e restante é para homens heteressexuais. As ocasiões que atraem mais vendas são as formaturas e os casamentos, enquanto que as datas comemorativas que mais contribuem para aquecer o mercado é o dia das mães e dos namorados.
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