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Juiz de Fora é pólo produtor de meias A produção é superior a 300 mil pares de meias por dia, o que leva a cidade a ser o segundo pólo produtor no país, perdendo somente para São Paulo, capital


Priscila Magalhães
Repórter
13/10/2008

A produção industrial de meias em Juiz de Fora coloca a cidade como o segundo pólo produtor do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo. Informações do Sindicato das Indústrias de Meias da cidade (Sindimeias) mostram que são cerca de 50 fábricas, produzindo seis milhões de pares por mês. Há dois anos, a produção estava em torno dos cinco milhões mensalmente.

Entretanto, o proprietário de uma fábrica da cidade, Frederico Amorim Moreira, no mercado há dez anos, vai um pouco além e também considera as indústrias informais. Segundo ele, o número deve estar próximo a 80 fábricas.

Dados do Sindimeias também mostram que entre 2004 e 2006, a produção cresceu. No primeiro ano, eram produzidas 22.061 toneladas de meias. Em 2006, quando o setor empregava mais de dois mil funcionários, o número passou a 23.460 toneladas.

O fabricante conta que há dez anos eram apenas duas grandes empresas na cidade e cerca 15 médias e pequenas. O maior crescimento do setor foi percebido há cerca de seis anos, sendo que há quatro, o número de fábricas dobrou. Entre os fatores que contribuíram para este aumento, estão a queda de preço das máquinas novas, o que provocou uma renovação nas fábricas maiores. As máquinas usadas foram vendidas para quem ainda não produzia. Segundo Frederico, nos últimos dois anos, o número de fabricantes aumentou de 30% a 40%.

Frederico ainda leva em consideração a melhoria do padrão de vida das classes mais baixas. "Isso estimulou o consumo", observa. O fabricante diz que o aumento das vendas foi percebido, principalmente, para as cidades do Nordeste brasileiro. Ele estima um crescimento da produção em cerca de 30% no ramo entre 2007 e 2008, em Juiz de Fora.

foto de meias coloridas foto de meias coloridas

As meias produzidas na cidade são vendidas para Pernambuco, São Paulo, Goiás e Rio de Janeiro. Destes locais, elas ainda seguem para outras cidades. O consumo interno é pequeno, se comparado à produção diária. Frederico explica que são cerca de 700 máquinas eletrônicas produzindo, diariamente, cerca de 330 mil pares por dia. "Cada máquina eletrônica produz 40 dúzias de meias de algodão por dia", explica.

As máquinas mecânicas, usadas no início da produção, ainda estão trabalhando na cidade. Elas produzem as meias sociais, mais finas, produzidas em larga escala há cerca de cem anos. "Só depois é que começou a produção das de algodão, mais grossas, pois percebeu-se que elas absorviam o suor e a outra mais fina, não".

O fabricante conta que existem máquinas de cem anos ainda funcionando em Juiz de Fora. "Na minha fábrica tem algumas de 50 anos atrás. Máquinas de meias é uma coisa muito antiga", diz. E completa, contando a história de que um dos grandes produtores, atualmente, veio à cidade aprender como fabricar. "Aqui já havia uma colônia de libaneses que produzia. A família era proprietária de uma relojoaria em Araraquara e o pai mandou um de seus filhos para aprender aqui em Juiz de Fora".

Exportação

Apesar do problemas pelos quais passa a economia mundial, com a crise americana e o aumento do dólar, Frederico diz que as esperanças para o futuro deste segmento em Juiz de Fora são positivas. Ao mesmo tempo que o aumento da moeda americana dificulta a entrada de produtos importados no país, estimula a produção nacional e a exportação, mas o fabricante teme pela matéria-prima. "Usamos matéria-prima 100% importada e acabamos pagando mais caro".

foto de meias coloridas foto de meias coloridas

Além disso, ele diz que os países não importaram o produto por causa da crise em setembro. "Ainda não exportamos e não dá tempo mais de chegar ao mercado externo antes do Natal". Entretanto, ele é otimista e acredita na recuperação do mercado. Dados do Sindimeias mostram que a exportação do produto é pequena, quando comparada à produção total. Em 2004, quando 22.061 toneladas de meias foram produzidas, 376 foram exportadas. Já em 2006, quando a produção foi de 23.460 toneladas, 325 foram exportadas.

Sobre os custos da produção, Frederico diz que não são altos. O investimento acontece em torno do investimento no maquinário. Ao mesmo tempo, há uma economia na mão-de-obra, já que as máquinas produzem automaticamente. Segundo o fabricante, esse baixo custo reflete diretamente no preço das meias. "É um produto barato. Uma dúzia custa entre R$ 14* e R$ 30*".

Diagnóstico aponta carências e potencialidades do setor têxtil

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em parceria com o Sindicato das Indústrias do Vestuário de Juiz de Fora (Sindivest-JF) lançam nesta quarta-feira, 15 de outubro, às 19h30, o Diagnóstico das Indústrias do Setor Têxtil e Vestuário de Juiz de Fora.

O Diagnóstico aponta as carências e as potencialidades do setor na cidade a partir de uma pesquisa que traçou o perfil da atividade têxtil. Os números foram apurados em novembro e dezembro de 2007 e em janeiro deste ano entre 187 empresas representantes de todos os segmentos da cadeia produtiva, formada por empresas de fiação, tecelagem, malharia, meias, confecção e beneficiamento. O resultado aponta que a cidade continua tendo um dos parques têxteis mais expressivos do país.

Juiz de Fora é apontada como o terceiro município de Minas com maior número de empresas do setor têxtil e de confecções e emprega 30,6% dos trabalhadores da indústria. As pequenas e médias empresas predominam na cidade, ocupando 68,6% e 27,6%, respectivamente. As médias e grandes somam 3,7%. Segundo o Diagnóstico, o setor de meias se destaca. Na cidade estão 90% das indústrias fabricantes de Minas e 28,5% do país.

Informações enviadas pelo Sindivest-JF

*Valores fornecidos em outubro de 2008

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