Os empresários Sérgio de Almeida Alves e a esposa Maria Cristina Resende Alves (foto ao lado) trabalham duro para garantir o sucesso do bar que é hoje um dos mais antigos do Brasil, sem nunca ter mudado de endereço, com mesmo nome e sem ter interrompido as atividades.
Criado em 1929 por um imigrante italiano chamado de Orestes Mandia, o bar era parada dos viajantes que iam de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro (antiga estrada União Indústria). Lá encontravam sanduíche de pernil, coalhadas frescas, biscoitos fritos e as tradicionais médias de café com leite e pão com manteiga.
Em 1955, um casal de portugueses, também imigrantes, Antônio e Albertina Alves, adquiriu o estabelecimento, que, atualmente, é administrado pela segunda geração da família. O negócio passou para as mãos do filho Sérgio em 1990.
Cristina conta que foram necessárias algumas mudanças quando assumiu junto
com o marido o bar. A primeira foi no horário de abertura da casa. "No início,
o horário de funcionamento era de 04h às 21h. Na época, entretanto, a região era
movimentada. Abrigava a 4ª Região Militar, com 400 contingentes, que depois deu lugar
à 4ª Brigada de Infantaria, com apenas 80 oficiais. A Rede Ferroviária foi privatizada
e a uma empresa próxima ao bar fechou as portas. Os profissionais eram o público do bar.
Passamos a abrir de segunda a sexta, às 16h30 e sábado e domingo, às 12h"
.
Ela conta que foram feitas reformas físicas e aperfeiçoamentos no cardápio. Quando Cristina e Sérgio começaram a administrar o bar, eram os dois e uma funcionária. Agora, são 18. Para Cristina, o segredo para o empreendimento prosperar é a busca constante por inovações, a criatividade, qualidade no atendimento e sabedoria para administrar os trabalhadores.
"Preocupamos com a especialização dos funcionários, que possuem capacitação na área
de cozinha e manipulação de alimentos, segurança alimentar e excelência em atendimento.
Hoje, contamos também com um suporte de uma empresa que presta consultoria em segurança
alimentar e temos uma nutricionista no nosso quadro de funcionários"
.
Desde 2001, o estabelecimento participa de festivais gastronômicos, lançando
novos pratos que acabam sendo incorporados ao cardápio da casa. "Considero esses
eventos importantes para a divulgação da culinária mineira, da casa e também para
movimentar a cidade"
.
Em 2004, foram premiados por um festival sendo considerados o boteco nota dez. "Um
outro estabelecimento saiu vencedor pelo voto do público e nós pelo da comissão julgadora.
O diferencial que contou para conquistarmos o título foi o atendimento"
, explica.
O bar também conquistou prêmio nacional pela qualidade em servir cerveja.
A empresária conta que no cardápio da casa são mais de 180 variedades em comida. Sempre com nomes diferentes, como mineirinho come quieto, jabá de jagunço, jequitinhonha, dentre outros. Ela já anuncia novidade para ser apreciada em setembro: o bumba-meu-boi. Também oferecem uma carta de cachaça com mais de 200 opções para venda e coleção de mais de dois mil títulos. Inovando ainda mais o cardápio, passaram a oferecer este ano sobremesas e coquetéis.
Para retribuir o carinho de clientes que são fiéis à casa, todo ano os empresários
organizam uma confraternização convidando os fregueses para passar o dia no bar.
Fazemos dos nossos clientes grandes amigos"
.
A casa vai inaugurar em breve um espaço gourmet no segundo piso. Cristina afirma que, no total, já foram realizadas oito reformas na estrutura física para proporcionar mais conforto aos clientes. Ela ressalta ainda a importância de fazer novos cursos para aprimoramento na arte de servir. Em 2009, o bar vai comemorar 80 anos de existência.