

Repórter: Sílvia Zoche
Edição: Ludmila Gusman
Designer: Lívia Mattos
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Corre daqui, de lá e são tantas coisas para se resolver para o casamento -
tanto no religioso quanto no civil - que parar um dia para fazer o chamado
curso de noivos, para algumas pessoas, parece perda de tempo. Será? Marilda
Villela, que faz parte da pastoral familiar da igreja católica, diz que há
casais que chegam no curso sem ao menos saber o que é o sacramento do
matrimônio. "É o sinal do amor de Deus que quer se expressar no amor do
casal. Eles serão a família de amanhã", ensina.
Para o coordenador da pastoral familiar, Márcio Villela, o correto é falar preparação para o matrimônio. "A diocese de Juiz de Fora quer uniformizar a linguagem e desmistificar o curso de noivos", diz. E lembra que dentro da diretriz pastoral, o bispo recomenda que a preparação aconteça seis meses antes do casamento. "A maioria dos noivos chega com a cabeça da época de 1ª Eucaristia, da 1ª catequese e não sabem a importância e responsabilidade do que vão prometer no altar", afirma Marilda.
Ela conta que quando moravam em São Paulo e trabalhavam com a pastoral de lá, um casal desfez o noivado passados três meses do curso. "Eles viram que o casamento é coisa séria. Não é brincar de casinha. Por isso é importante que o casal não deixe para fazer a preparação em cima da hora", ressalta.
Villela complementa dizendo que a "antecedência é para que o casal tenha discernimento. A intenção é ajudar. A preparação é para o casal ter uma decisão segura. Nas conversas, procuramos trabalhar a essência do relacionamento, a ternura, o carinho, o amor, que não é algo que acaba e sim um compromisso para vida toda".
No dia da preparação, os agentes da pastoral conversam oito temas com os casais presentes: o amor conjugal, o conhecimento de si mesmo e do outro, o diálogo, o exercício da sexualidade humana, o planejamento familiar, o sacramento do matrimônio, a celebração litúrgica do matrimônio, e os aspectos juríco-canônicos do matrimônio.
Neste último, é esclarecido que o
compromisso assumido não é só religioso, mas também legal, podendo até mesmo
ser anulado. "É um processo demorado, de cinco anos, e corre no tribunal
eclesiástico, mas que somente o Papa pode resolver. Um exemplo de nulidade é
quando os noivos casam dizendo 'vamos ver se vai dar certo'. Para que isso
não aconteça é que existe o curso", explica Marilda (foto).
O trabalho personalizado é um ideal do coordenador da pastoral. "Já fazemos isso na paróquia do Bom Pastor, porque é uma paróquia pequena. Em maio, vamos realizar uma tarde de formação, no formato de workshop, com as pessoas que já são agentes pastorais. O objetivo é formar um grande centro de trabalho, melhorar os temas da preparação para o matrimônio e o atendimento aos noivos", explica Villela (foto acima).
A PAPELADA
A possibilidade de não se encontrar local para fazer o curso em tempo hábil é
algo real.
Segundo as diretrizes da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e de Dom
Eurico, pela diocese, podem participar da preparação, no máximo, 20 casais,
que devem ser preparados, no mínimo, durante 12 horas.
O secretário paroquial da Catedral Metropolitana de Juiz de Fora, Luiz Carlos
Lawall (foto ao lado), explica que são poucos os locais que oferecem cursos de noivos
na cidade. Villela diz que nem todas as igrejas oferecem a preparação
para o matrimônio, simplesmente, porque quase não são realizados casamentos
naquela paróquia. "A Catedral e o Movimento Familiar Cristão (MFC) oferecem
curso uma vez no mês. Só que o MFC não prepara os casais no mês de dezembro
e janeiro e a Catedral não dá curso em janeiro. As outras paróquias, dão
curso, no máximo, três vezes por ano", diz Lawal.
Se os noivos forem de outra cidade, mas desejam casar-se em Juiz de Fora, por exemplo, Villela diz que não há problema. "Eles fazem o curso na cidade deles e apresentam o diploma aqui com os outros documentos. O secretário ou secretária da paróquia vai investigar a autenticidade do certificado".
Outro detalhe: sem o certificado do curso não há casamento. E não é só o certificado que é obrigatório apresentar na paróquia do bairro de um dos noivos. É necessário a certidão de batismo original e atualizada, tendo, no máximo, seis meses. Isso vale também para certidão de nascimento. Se você nasceu e foi batizado em outra cidade, em outra diocese, terá que entrar em contato com a igreja em foi batizado e com o cartório onde foi registrado para que enviem tais documentos. "Isso pode levar tempo. Se tiver parente na localidade, fica mais fácil", comenta Lawall.
Além disso, tem que se publicar na imprensa que os noivos vão se casar: é o
chamado edital de casamento e apresentar o xerox da carteira de
identidade (não precisa autenticar).
Não é por acaso que Lawall pede aos noivos para fazerem este processo com seis meses de antecedência. "Quanto antes melhor. E o certificado do curso tem validade de 11 meses. Facilita para quem faz o processo da habilitação matrimonial e para os noivos".
Se a igreja que os noivos escolheram casar não é no bairro de nenhum dos dois, o casal terá que pagar uma taxa de transferência do processo. Feito isso, é marcada uma entrevista do padre com o casal para saber sobre a vida religiosa, se existe parentesco entre eles, entre outros aspectos.
Sem dúvidas
Depois de feita preparação para o matrimônio, se o casal quiser conversar
com a pastoral familiar, é só entrar em contato com de 14h às 17h (segunda a
sexta), pelo telefone 3215-4214.