Ludmila Gusman
22/08/02
Marcos Antônio Pires Marinho é um juizforano que vive “para” e “pelo”
teatro. “Costumo dizer às pessoas que se não tivesse descoberto a arte desde
muito cedo, provavelmente, teria passado por um longo período de tratamentos
psiquiátricos”, brinca. Além de ator, ele é diretor de peças premiadas e de
grandes sucessos em Juiz de Fora. Em sua trajetória há de se destacar ainda
atuações como figurinista, assistente, roterista, figurante e variadas
funções no teatro e cinema. Como todo bom artista, além de interpretar e
dirigir, Marcos Marinho pinta, dança, canta, desenha e escreve. “Não toco
nenhum instrumento, mas gosto de fazer um pouco de cada coisa”, completa.Atualmente, ele é diretor da peça Pela Noite, do "Grupo Pequena Companhia de Teatro Sujo", e divide seu tempo oferecendo cursos e ministrando aulas de teatro no Espaço Mezcla (Rua Padre João Emílio, 24). “Criei o Mezcla para valorizar a arte. É um bar que também tem o espaço disponível para dança, capoeira, teatro e cursos eventuais”, explica.
Na trajetória artística de Marcos Marinho estão incluídas muitas peças e experiências emocionantes. Antes de optar pela arte, o ator revela que quase se tornou um monge. Em 1980, ele ingressou no Seminário em Juiz de Fora e em seguida mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou no Mosteiro de São Bento e ingressou na Faculdade de Filosofia na PUC. Até o último período do curso dividia seu tempo entre os estudos e as peças de teatro no Rio de Janeiro e Juiz de Fora. "Comecei a vir muito para cá e resolvi transferir para a Federal, terminando o meu curso em Juiz de Fora", conta.
Artista desde pequeno
Para quem é artista nato, o dom não fica escondido por muito tempo. A aptidão
pela arte se manifesta ainda na infância, nas brincadeiras de rua, nas
peças de teatro do colégio... Com Marcos
Marinho não foi diferente. Aos 7 anos ele já participava das
semanas cívicas da escola e dos grupos de teatro em bairro. “Tenho isso
muito forte na memória. Na adolescência também dei continuidade a estas
participações nos grupos de jovens, sempre montando peças e realizando
shows. Guardo muito essas recordações", lembra.
Aos 16 anos, Marcos Marinho montou sua primeira peça que agradou não só o público como também um padre que pediu a reapresentação na igreja do bairro Grama. “Era um padre muito culto, falava francês fluentemente, um artista que escrevia para novelas, um intelectual. Tive convivência com ele um bom tempo, acho que isso também me influenciou na arte e na idéia de ser um monge mais tarde. Mas acabei deixando o seminário", conta o ator.
Outra pessoa que o incentivou a ingressar no mundo das artes foi o artista plástico Renato Stehling. Com ele, o ator pintava quadros, recebia sugestões e descobria um lado que ainda não havia se manifestado. Marcos Marinho também gostava de pintar. “Eu desenho ainda hoje. Sempre tive a sorte de viver com artistas durante a minha infância. Isso me ajudou muito”, ressalta.
A descoberta do teatro
O ator começou a trabalhar profissionalmente com o teatro a partir de 1982.
De lá para cá não parou mais. Antes, de retornar a Juiz de Fora, ele atuou,
no Rio de Janeiro, no espetáculo Teatro de Rua, sob a direção de
Paulo César Coutinho. A peça ficou em cartaz por dois anos. Em seguida,
Marcos Marinho veio para Juiz de Fora e, após realizar um curso de teatro
com Henrique Simões, participou do grupo Corpo em Cena, divulgando a
peça Declausura. A participação nesta equipe durou três anos (83-86).
Em 1988, o artista fundou o grupo teatral Navegar ao lado da
jornalista Márcia Carneiro e da atriz Miriam Motta. O nome, segundo ele,
surgiu depois que o trio encenou a peça Navegar. “O espetáculo fez
tanto sucesso que resolvemos continuar com o nome. O grupo existe até hoje
com novos atores encenado novas peças", diz.
Paralelo às apresentações do Navegar, em 1990, Marcos Marinho foi contratado pelo Sesi de Juiz de Fora para dirigir o grupo Teatro do Sesi que mais tarde recebeu o nome de Grupo Embaixo do Céu. Ele coordenou as atividades no local por onze anos, realizando uma média de duas peças por ano. “Trabalhávamos, predominantemente, com o teatro de rua, um teatro educativo, didático nas empresas e escolas. Sempre gostei muito dessa coisa de teatro em espaço não teatral".
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Um teatro diferente
Baseado nas teorias do escritor polonês Grotowski, Marcos Marinho abraçou a
idéia de "fazer um teatro", em espaços diferentes, onde o ator é o centro,
em locais que fogem do tradicional "palco - platéia".
"Não que eu despreze esse tipo de teatro, mas eu sempre trabalhei muito com
o outro estilo. Procuro colocar isso nas minhas peças", ressalta.
Em suas criações Marcos Marinho lembra de ter feito teatro em construções, pátios, ruas e idealizado ambientes para tornar a história mais próxima do público. "A peça Pela Noite é assim. Criamos um cenário redondo em que a platéia fica em volta. O teatro se desenvolve ao redor como se fosse mesmo pela noite", diz.
Marinho na direção
Além de trabalhar na direção e atuação de peças de sua autoria, Marcos
Marinho, durante os mais de 20 anos de teatro, foi convidado para dirigir
inúmeras peças de outros grupos teatrais.Com suas idéias, sempre muito
aplaudidas, ele já dirigiu shows do grupo Lúdica Música, da banda
Eminência Parda, do grupo Declamar, Asa do Ivento,
Pequena Companhia de Teatro Sujo, dentre outros. Abaixo selecionamos
algumas das inúmeras peças que o artista participou seja como diretor, ator,
figurinista ou colaborador.
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