"Arte é tudo aquilo que mexe com a sensibilidade e a criatividade humana.Todos
somos artistas no momento em que nos dedicamos a um ofício com amor"
. Assim
Marcus Marchiori define arte, com um olhar democrático e fraterno sob a função
que desempenha há 30 anos com paixão e dedicação.
Em 1977, Marcus Marchiori era ainda uma criança que brincava com soldadinhos de chumbo quando sua tia o pegou pela mão e o levou ao Grupo Arte, tradicional companhia de teatro de Juiz de Fora, para fazer um teste para uma peça. O objetivo da tia era ajudar o amigo, o diretor Ademir Fernandes, que buscava um intéprete para o co-protagonista de sua peça.
O pequeno Marcus, então com sete anos de idade, parecia perfeito para o papel de Marcelinho. E era. Não só para fazer o Marcelinho como para muitos outros papéis que a tia nem sequer imaginava naquele finalzinho da década de 70.
Nesse primeiro contato com o palco, Marcus interpretou um menino que abandonava seu soldadinho de chumbo, universo que lhe era bastante familiar. A peça 'A caixa encantada', dirigida por Ademir Fernandes, tratava desse abandono sob a perspectiva do brinquedo abandonado e abriu as portas de um mundo novo para aquele garoto que nem entendia direito o que estava acontecendo.
De lá para cá, passaram-se 30 anos e, hoje, Marcus Marciori já não seria mais escalado para representar um garotinho. O menino cresceu e transformou-se em um homem imerso no universo artístico, pai de quatro "marcelinhos", cheio de responsabilidades de gente grande. Mas se você prestar bem atenção no seu olhar brilhante e no sorriso fácil, não demorará a reencontrar o menino de sete anos.
Marcus é um ator experiente, já trabalhou no rádio, no cinema e em produções
globais, contracenando com grandes nomes da teledramaturgia brasileira, como
Lima Duarte. Mas não nega que sua grande paixão é o teatro. "O teatro é uma arte instantânea. Olhar no olho do espectador, perceber suas reações e interagir com ele são coisas que não têm preço", derrete-se o "menino", hoje com 37 anos.
Contrariando o consenso de que Juiz de Fora não oferece espaço para o teatro,
Marcus orgulha-se de sua história profissional e garante que a cidade é um
celeiro de grandes artistas. "Juiz de Fora é uma fábrica de cultura, o que
falta é a união da classe"
, garante. E acrescenta: "Juiz de Fora é fantástica,
oferece excelentes condições de infra-estrutura, está perto de grandes centros
e nos últimos anos melhorou muito"
.
Mas pondera que o grande desafio de se fazer teatro na cidade está no quesito
formação profissional. Segundo Marcus, não temos nenhum centro específico de
formação profissional do ator e também da parte técnica. "Teatro não é só
intuição e talento natural. Um ator para ser bom tem que saber algumas técnicas,
tem que ter estudo"
, ensina o ator.
Além disso, o ator alerta que um bom espetáculo não se faz só de grandes atores.
Existe toda uma equipe técnica que trabalha junto e contribui para o sucesso do
espetáculo e Juiz de Fora não tem qualificação para esses profissionais.
"Não temos sequer um cenógrafo, somos nós, atores e diretores que nos desdobramos
na produção de cenários, iluminação e trilha sonora. O resultado tem sido muito
bom, mas não é o ideal"
, lamenta-se Marcus.
Há dois anos presidindo uma fundação que cuida dos atores, Marchiori garante
sua preocupação é fazer essa qualificação, direcionar talentos e unir a classe
artística da cidade e região. "A Associarte oferece cursos de teatro que não
se focam exclusivamente na formação do ator. Se percebemos que um aluno tem mais
habilidade para a cenografia, por exemplo, incentivamos que ele faça cursos
nessa área"
, orgulha-se.
O grande barato de Marcus Marchiori é fazer humor - o que ele garante, é muito mais difícil do que fazer drama - mas ele já se aventurou em outros gêneros. Inclusive, utilizou o teatro para tratar de temas educativos sem caráter pedagógicos em empresas, à época em que desenvolveu o projeto Arte e Vida. Com esse projeto, Marchiori chegou a atuar em plataformas petrolíferas em Macaé, a convite da Petrobrás.
Marchiori conta que, em sua última jornada pelo drama, na peça 'Uma chance para
a esperança', que aborda o conflituoso relacionamento de um jovem casal em uma
atmosfera de vício e libertinagem, ele teve a real noção do quanto é difícil fazer
humor. "As pessoas estão mais predispostas a chorar do que a rir... acho que é
porque a vida já está sofrida demais e a identificação com a dor é mais fácil"
, analisa.
Com tantos personagens diferentes, aquele pelo qual o ator guarda carinho especial
é o Palhaço Sorriso. "O momento mais feliz da minha carreira foi apresentar
o Sorriso no Circo Orfei. Depois da apresentação, Frederico Orfei,
sobrinho do fundador do Circo, Orlando Orfei, ofereceu um
jantar para mim e minha família em pleno picadeiro. Foi minha maior alegria"
,
recorda-se, trazendo de volta o brilho do olhar do menino.
Colecionando prêmios, o ator conta que seu maior sonho é mostrar seu humor
na televisão. E revela: "isso é quase uma realidade, estamos negociadno a ida de um personagem para o Zorra Total". Segundo o ator, falta acertar mais alguns poucos detalhes, talvez ano que vem possamos nos orgulhar de mais um juizforano nas telas globais.
Além de prêmios, Marchiori coleciona histórias interessantes, como a temporada
em que ele dividiiu o mesmo teatro com uma atriz global, triplicando o número de
público que tal espetáculo atingiu. "Ela trabalhou com meia casa, nós tivemos
que fazer dois espetáculos seguidos para atender todo mundo"
, orgulha-se.
Seu sucesso mais recente, a comédia 'Ser ou não ser', em cartaz há quatro anos, já ganhou prêmio de melhor cenário, melhor iluminação, melhor espetáculo, melhor trilha original e, claro, melhor ator. A peça trata do universo das drag queen's e conta a história de um ator desempregado que tenta ludibriar a drag queen, vivida por Marcus Marchiori para conseguir um papel na novela das 20h.
Marcus orgulha-se de dizer que hoje, vive de arte em Juiz de Fora e mais, vive
com conforto. Mas admite que, não foi fácil chegar até aqui e, ainda hoje, tem
que se desdobrar para manter esse padrão. "È uma vida mambeme, a gente tem que viajar
muito, fazer de tudo um pouco para dar conta"
.
Ele conta que quando formou-se em veterinária, chegou a colocar em dúvida essa
vida, mas não se arrepende de tudo o que passou em nome da arte. "É muito difícil
ficar longe da família, mas não tem jeito, a arte tem que se espahar... fica a
saudade... imensa... mas estar no palco é inexplicável, é uma emoção ímpar, como se
me religasse na tomada para recarregar a minha energia"
.
A Associação de Artistas de Juiz de Fora e região é uma fundação particular cujo objetivo é apoiar toda e qualquer manifestação artística. Nasceu da preocupação do cabeleireiro José Maria, com a classe artística de Juiz de Fora.
A entidade funciona como uma empresa juridicamente perfeita que sobrevive do apoio dos associados. Além disso,todo projeto desenvolvido pela Associarte tem parte da renda revertida para a sede.
A Associarte funciona na sala Natálio Luz no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas e qualquer pessoa pode ir ao local e associar-se. Os associados contam com algum benefícios como: espaço de divulgação no site e no jornalzinho (a serem lançados em novembro), sede para reuniões, grupos de estudo etc., internet via rádio 24h, estrutura jurídica, cadastro atualizado além de desconto nas produções da fundação e convênio com estabelecimentos comerciais da cidade.