O recorde dele é ficar em pé, na mesma posição e sem se mexer por três horas seguidas. Mas são a arte e a representação que conquistam público e crítica. Júlio César Ferreira está há três anos nessa profissão e revela curiosidades de uma arte que encanta quem passa pelo Calçadão da Rua Halfeld.
A fórmula da tinta que passa no corpo ele revela, mas pede segredo. O ofício ele
aprendeu com a ex-esposa no Rio de Janeiro e foi lá que onde ele desenvolveu
suas técnicas. "No início recebia muitas críticas ou porque não ficava totalmente
parado, ou porque olhava sempre para frente sem representar. Ser estátua é mais que isso,
você tem que passar uma emoção, ter uma expressão no rosto que cative"
, explica.
As particularidades dessa arte ele aprendeu com o tempo e há quase um ano só
recebe elogios. Para fazer a estátua se mexer é só contribuir com a arte e
ajudar depositando dinheiro na caixinha. Cada ajuda arranca uma reação diferente
da estátua. "Antes eu não sabia fazer isso, agora que domino a técnica
vejo que é fundamental essa interação com o público"
.
As crianças adoram, muitos adultos também, alguns curiosos pedem explicações
sobre quem Júlio está representando. "Muitas vezes represento Júlio
César, o imperador de Roma. Quando há o interesse, vêm conversar comigo e explico
a história dele, de vez em quando alguém quer falar comigo e desço da bancada
para falar sobre a arte"
, conta.
O olho de uma estátua viva nunca fica totalmente fechado, ele tem que estar atento
caso atraia a atenção de alguém. "Eu escuto tudo que os outros falam e a
maior concentração para não rir quando alguém vem mexer comigo. Mas tem vezes
que chego até a dormir em pé"
, revela.
Se você já está pensando em tirá-lo do sério, pode se preparar."Muitos
fazem piadas, gracinhas para tentar fazer com que eu ria, mas nunca conseguiram"
.
Só mesmo algumas pessoas extrapolam na brincadeira. "O que não gosto
é de mulheres que chegam me apertam, passam a mão para ver se tinta sai. Isso
tira a concentração"
, conta.
E Júlio exemplifica com um caso de quem passou dos limites. "Uma mulher chegou e levantou minha
fantasia para saber o que tinha embaixo. Eu uso bermuda jeans, mas foi um desrespeito
e até falei com um policial"
, recorda.
Além de se apresentar nas ruas da cidade, onde chega a faturar R$ 100* por dia,
Júlio César também se apresenta em formaturas e eventos. Mas quem quiser vê-lo no calçadão
deve se apressar. "Eu vou fazer a estátua
só até julho, agora vou ser empresário e trabalhar na área de alimentação.
Vou abrir uma lanchonete como eu sempre quis, mas vou continuar me apresentando em eventos fechados"
,
diz.
A valorização de sua arte acontece mais nos grande centro. Júlio conta que
já foi convidado para vários programas de entrevistas e já participou
inclusive de filmes. "Só nos grandes centros temos um reconhecimento. Em Juiz
de Fora, sou ó único a fazer esse tipo de trabalho"
, afirma.
Júlio aconselha que ninguém tente fazer a tinta cinza que tem todo um
processo especial de montagem. "A maquiagem fica até o dia inteiro no meu
corpo, não sai fácil, mas não posso deixar você divulgar. Já teve caso
de gente que tentou fazer, mas errou na mão e teve problemas de saúde"
,
conta. O certo é que nada tem a ver com tintas convencionais ou guache.