Esporte

Ginástica de Trampolim
Procura pela ginástica de trampolim aumenta, em Juiz de Fora,
após sucesso da gaúcha Daiane dos Santos

Sílvia Zoche
11/08/04

Os professores e técnicos de equipes de trampolim: os irmãos Deber Zambelli e Wanderson Zambelli falam da procura pela ginástica e como é o treinamento

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Divulgação Delírio, empolgação e vontade. Estas são as sensações que a garotada de Juiz de Fora e do Brasil inteiro sente ao ver Daiane dos Santos, a primeira ginasta a executar o salto de nome complicado: duplo twist carpado. Este exercício recebeu a nota Super E (grau máximo de dificuldade) e batizado pela Federação Internacional de Ginástica com o nome "Dos Santos".

Em Juiz de Fora, a modalidade de ginástica praticada é a de trampolim (disciplina da ginástica artística em que o atleta executa saltos acrobáticos no trampolim, duplo mini trampolim e tumbling) diferente da olímpica. Como explica o professor e técnico, Deber Zambelli, (foto abaixo) as duas modalidades possuem os mesmos elementos, mas em aparelhos diferentes. Mesmo assim, a procura pelo esporte tem aumentado na cidade.

Deber Zambelli e algumas 
de suas alunas

No núcleo de esporte - escola Estadual José Eutrópio - em que Deber dá aula, ele percebeu que a procura quadruplicou. "Depois que a Daiane saiu na mídia, divulgou mais a ginástica. Eu tinha 30 alunos, hoje eu tenho 120 no núcleo e no colégio em que dou aula, eu tenho 60 alunos. A procura está muito grande e eu acho que a gente da ginástica tem que aproveitar isso", diz.

O professor e técnico, Wanderson Zambelli, (foto abaixo) também percebeu um aumento significativo na procura pelo esporte. Segundo Wanderson, as meninas são as que mais têm interesse pela ginástica, mas os garotos passaram a se interessar mais pelo esporte este ano. "Aqui no colégio em que dou aula já não tem vaga", fala.

Wanderson Zambelli e 
uma de suas alunas

A ginástica, independente de ser olímpica ou de trampolim, exige treino, disciplina e garra, porque se o objetivo é ganhar, é importante também que o atleta saiba perder e isso exige controle psicológico.

Wanderson exemplifica com o caso de uma aluna que fazia ginástica, há alguns anos, mas desistiu, por não agüentar a pressão psicológica das competições. Deber fala de um aluno seu que sempre ganhou medalha de ouro. Quando ficou em 2º lugar em uma competição, não parou de chorar e precisou conversar com a psicopedagoga do colégio.

Talento
O mais indicado é que o atleta comece neste esporte quando ainda é criança. Wanderson explica que os pequenos não têm medo das acrobacias. "Quando a gente começa a ensinar, eles não têm muita noção de risco e com os maiores temos que trabalhar o medo". O mais novos na turma de Deber estão com cinco anos e na de Wanderson, com três. Mas isto não impede que garotos de 12 anos ingressem neste esporte. Acima de tudo, é preciso talento.

Segundo Deber, os próprios pais já percebem se a criança leva jeito para ginástica. "Eles vêem se ela é agitada, corre muito, pula demais e possui flexibilidade", diz.

Mas antes é preciso pedir exames médicos para saber se a criança está com a saúde em ordem e depois é feito um teste físico com o técnico. Estando apta, a criança pode ir para a escolinha ou equipe. "A criança tendo talento, vai direto para equipe. Por exemplo, o vice-campeão brasileiro Rafael Barbosa, de 10 anos, tem somente quatro meses de ginástica. Ele completou a minha equipe masculina", diz orgulhoso.

Divulgação Foto: ACESSA.com

No caso de Daiane, Deber diz que ela é uma atleta de alto nível por ter talento, força de explosão grande e força de vontade. "Ela já fez várias cirurgias no joelho e uma recente agora em junho, mas acho que se ela for para final, será primeiro lugar. Ela tem força de vontade para lutar e ir em frente".

Treino
Os treinos dos atletas são intensificados quando está próximo de competições. Os exercícios acontecem, geralmente, de segunda a sábado, com descanso no domingo e cerca de três horas diárias de atividades.

Mas antes é necessário aquecer o corpo, no mínimo, 15 minutos antes de saltar. De acordo com os técnicos, a criança aquece o corpo rápido por ser mais flexível. A partir dos 13 anos, é preciso aquecer de 30 a 40 minutos.

Como os atletas de Deber e de Wanderson estão na faixa estária entre cinco e doze anos, os campeonatos tornam-se muito cansativos e as crianças ficam nervosas. "São crianças pequenas e não agüentam carga excessiva de treino", diz Deber.