Esporte
Triatleta juizforano se destacou no esporte e figurou entre os cinco melhores do país. Ele faleceu em 2005.
Djenane Pimentel
Repórter
28/02/05
Melhor do que ser um atleta... é ser um triatleta! Que o diga o juizforano
Thiago Machado dos Santos, que figura entre os cinco melhores do
esporte no país. O vice-campeonato sul-americano e o quarto lugar
no campeonato brasileiro, títulos conquistados em 2004, fazem de Thiago
um dos esportistas mais promissores do triatlo,
atualmente, além de ser orgulho
para Juiz de Fora.O jovem, que passa dias e dias treinando duro, tem se destacado cada vez mais nas várias competições em que participa, ficando quase sempre nas primeiras colocações. E não é pra menos. Thiago segue uma rotina diária de exercícios e determinação. Não dá para ficar doente e muito menos sentir preguiça. "Quando pinta o cansaço, não páro para pensar muito, porque senão desisto", afirma. "O jeito é colocar logo o tênis, a roupa, e pegar a bicicleta".
Para ele, correr é a parte mais difícil do esporte. "Acho que tenho um pouco de dificuldade na parte da corrida, mas tento sempre me aprimorar nisso, sem deixar de lado a natação e o ciclismo, claro".
Começou cedo
O atleta, de 29 anos, começou a pedalar e nadar com seis. Mas o triatlo só
foi aparecer na vida de Thiago em 97. "Antes, eu havia sido campeão mineiro
e bicampeão brasileiro de Mountain Bike (Junior). Representei o país em
mundiais no Canadá, França e Alemanha", conta.
De 1998 a 2001, ele também fez parte da equipe de natação do Clube Bom Pastor e chegou a ser vice-campeão mineiro de 1.500 metros. Já o triatlo começou meio que por diversão. "Participei de um campeonato e gostei do clima, das pessoas", diz. "Como já nadava e pedalava, foi mais fácil".
Em 1998, participou do mundial, na Austrália. Desde então, os treinos vêm se intensificando. Mas, foi em 2000 que o triatleta começou a receber os bons resultados do trabalho contínuo. "Fui campeão carioca e fiquei em 4º lugar em uma prova internacional, em Caiobá (Paraná)", conta.
Patrocínio
O atleta, que tem como "patrocinadores"
as empresas Light Speed e Rede Sempre, afirma que não recebe salário.
O patrocínio vem por meio de ajuda em
viagens e materiais esportivos. A multinacional Light Speed fornece
os equipamentos - como a bicicleta em que treina, que custa em torno de 16
mil reais - além de cobrir as viagens dentro e fora do país. A Rede Sempre
também patrocina as viagens. Em JF, ele também tem o apoio de duas
academias - Maximus e Bodytech, onde treina todos os dias.
"Tive duas boas notícias, na semana passada: de que a Light Speed quer continuar o patrocínio, e que a Mizuno também está interessada", informa.
Thiago também está pleiteando o Bolsa-Atleta, benefício do Ministério do Esporte para os esportistas que não possuem patrocínio. Segundo ele, como estas empresas não lhe pagam um salário fixo, é possível que esta bolsa seja conseguida em breve.
Dia a Dia
Vencer já faz parte do currículo do triatleta Thigo Machado dos Santos. Mas,
para isso, o jovem tem que fazer sacrifícios. Um dia na vida de Thiago é
muito diferente da de qualquer outro ser humano "normal".
Segundo ele, sua rotina é acordar por volta de 7h30, tomar um café, comer uma fruta, e sair para correr. Depois de correr entre 18 e 25 Km (em média), ele retorna para casa, e, aí sim, toma um café mais reforçado. Às 11h, vai para o clube, nadar. Depois de 40 minutos de alongamento e 7 mil metros percorridos na piscina, o atleta finalmente almoça. Mas não muito, porque não pode estar com a barriga cheia para o terceiro treino do dia - o ciclismo.
Depois de descansar um pouco, após o almoço, Thiago sai novamente, desta vez com a bicicleta, às 15h30. Roda, em média, 80km, na BR 040. Todos os dias, sem descanso. Quatro vezes por semana, ele ainda faz um último treino, à noite: 10 Km de corrida.
"Quando as competições têm datas próximas, eu procuro forçar mais no início
da semana e treino até seis horas por dia. Já na quarta, quinta e sexta,
treino de duas a três horas; e, no dia da competição, uma horinha só",
conta.
O treino de Thiago é mais intenso - sete horas por dia, todos os dias - quando as competições são intercaladas por um período maior. Segundo ele, no ano passado, o descanso foi mínimo: sete dias, durante o ano todo.
Thiago diz que, mesmo cansado, o segredo é não pensar muito. "No meio do treino, o seu humor já muda, melhora. Exercício só faz bem". O atleta explica que, se em um determinado dia, sente que seu corpo não está bem, ele tenta agüentar, mas não força além do necessário. "Faço o que der para fazer, mas, pelo menos, não fiquei parado de tudo", acrescenta.
Diversão sim
Thiago esclarece que, mesmo com toda a disciplina do mundo, não deixa de
lado alguns passatempos. "Nos fins de semana, gosto de sair com meus amigos,
comer chocolate, beber refrigerantes, ir à churrascarias, tomar uma
cervejinha, de vez em quando. Claro que isso não faz parte da minha rotina,
mas não posso ficar 'bitolado', senão..."
Se nos sábados e domingos, a regra muda, durante a semana é outra coisa. "Procuro me regular mais, mas, mesmo assim, como de quatro a cinco mil calorias por dia". Tudo isso? "É porque gasto muito também", ele avisa.
Não bastasse os treinos, o triatleta conta que adora música e ainda participa da Orquestra Sinfônica do Pró-Música, dedicando-se uma hora por dia aos estudos do Oboé. "Ainda não consegui fazer nenhuma apresentação, por causa do triatlo, mas freqüento todas as aulas".
Futuro
Este ano, Thiago já participou de algumas competições, que lhe renderam
frutos. Venceu a 1ª Etapa do Estadual de Aquatlo de Niterói; ficou em
segundo lugar no Triathlon de La Paz, na Argentina; e obteve o quinto
lugar na 17ª edição do Sesc Triathon de Caiobá (PR), onde diz não ter
se sentindo muito bem.
Agora, o atleta se prepara para obter melhores classificações no ranking mundial, e para uma competição, que se inicia no próximo mês, onde serão selecionados cinco atletas para compor uma seleção permanente de triatlo. Então, corre, Thiago! Porque, para nós, só nos resta esperar... e torcer.
*O atleta faleceu durante um treinamento em 2005
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