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Costuma-se dizer por aí que os momentos em que o goleiro mais aparece são
nas dificuldades de um time. É quando todos os recursos já foram esgotados e
todos os zagueiros ultrapassados que eles costumam aparecer para salvar a
equipe de sofrer um gol.
E no caso de José Luis Silva Peixoto, o "Zé Luis", ex-goleiro e hoje técnico do Tupi, isso não aconteceu só dentro de campo. O início da carreira se deu exatamente em situações que poderiam ser ruins, não fossem tão bem aproveitadas.
Imagine um garoto, pequeno, mais novo que os demais, querendo jogar bola mas sendo obrigado pelos maiores a ficar no gol. Com Zé Luis foi assim, em uma avenida de Campos, quando criança, ainda na década de 70. Mas o que poderia ter se transformado em frustração de criança, na verdade acabou dando o pontapé para uma série de acontecimentos que povoaram toda a vida dele. Da obrigação, Zé Luis passou para o gosto, e assim começou a história do goleiro que tanto se identificou com Juiz de Fora.
"Eu morava em uma avenida com 15 casas juntas, divididas apenas por uma parede. Em frente havia um terreno baldio, com gol de pedra ou chinelo. E foi assim que eu comecei mesmo. Sempre brincava ali, mas era o mais novo e sempre os mais velhos me mandavam ir para o gol, até que surgiu o time de futebol, como surgem por todos os bairros, desses que lavam a própria roupa mesmo", disse Zé Luis, que estreou na categoria dente-de-leite e, como a maioria dos brasileiros, tinha na condição humilde de sua família uma grande motivação para ser um dia um craque do futebol.
O Flamenguinho de Campos, que surgiu no bairro de Zé Luis, começou ousado e
disputando partidas contra os três grandes times da cidade: Rio Branco,
Goytacaz e Americano. E foi contra esse último, o mais famoso, que Zé Luis
viu os rumos de sua ainda recente carreira mudar. Seu time perdeu por 9 a 0
e ele, claro, era o goleiro. Sofreu nove gols, mas mesmo assim,
destacou-se. "Minha participação chamou atenção de maneira positiva e negativa também.
Mas eles gostaram e me chamaram para atuar na equipe do Americano", lembra
Zé Luís.
Daí para frente as coisas caminharam como na carreira dos vitoriosos do futebol. O início no Americano, em 1982, no Campeonato Carioca de Juniores, é lembrado até hoje. No Rio, é tradição os jogos dos times de juniores acontecerem na preliminar dos grandes jogos e isso fez com que Zé Luis pudesse respirar desde cedo os ares dos grandes jogos. Do Americano, acabou sendo convidado para jogar no Botafogo e assumiu a titularidade da camisa 1 dos juniores alvinegros.
O novo pulo da carreira se deu em 1985, quando Zé Luis se profissionalizou, também pelo time da estrela solitária. Depois passou por vários clubes, e conquistou títulos. Um dos mais importantes foi o campeonato cearense, pelo Fortaleza, em 1987."Foi fantástico porque o time estava oito anos sem ganhar títulos, e lá a torcida é apaixonada mesmo", conta Zé Luis, que venceu ainda o Campeonato Mineiro de 2000, pela URT. Além disso, o goleiro disputou campeonatos importantes como o Brasileiro, o Carioca, o Paulista e o Goiano, além do Torneio Internacional Ramon de Carranza, disputado na Espanha.Em tantas andanças, trabalhou com profissionais conhecidos no futebol, como os técnicos Zagallo, Abel Braga e Jairinho.
"Fizemos uma campanha maravilhosa. Disputamos um bom Campeonato Mineiro. Depois veio a Série C, e chegamos ao quadrangular final de um torneio com 64 clubes. Não subimos, mas foi ali que o Tupi se mostrou para o Brasil. Isso são coisas que marcam.
Em futebol, as carreiras costumam ser muito mais curtas do que em outras
profissões. E, embora no caso dos goleiros a idade para jogar até avance um
pouco mais, não dá para continuar por tanto tempo. Zé Luís foi goleiro
durante 21 anos, incluindo os tempos de amador e profissional. Depois
precisou parar. Parar de entrar em campo, mas não de se dedicar ao futebol.
Por isso, em 2003 voltou para treinar os goleiros do time júnior do Tupi.
Continuou no clube nos anos seguintes, e passou a preparador do time
profissional em 2004 e 2005. No segundo semestre do ano, no entanto, Zé Luis foi para longe de Juiz de Fora. E para bem longe, para a cidade venezuelana de Mérida, onde treinou os goleiros do Estudientes. Lá encontrou grandes diferenças na prática do futebol, e exatamente por isso aprendeu muito.
"É tudo diferente. Eu tive a oportunidade através do Ricardo Strade, o "Uruguaio" e fui. Eles mostram um bom trabalho, mas é tudo diferente. O futebol não é o esporte mais praticado. Primeiro vem o beisebol, depois o basquete, depois o ciclismo e só depois o futebol. Mas foi interessante. Pude conhecer o trabalho do Richard Paz (técnico da Seleção Venezuelana) e que nasceu na cidade onde eu estava. E posso dizer que eles pecam pela estrutura, mas alguns times investem principalmente o dinheiro do petróleo, que corre muito no país".
A passagem foi boa, mas Zé Luis quis voltar para Juiz de Fora onde mora com
a esposa e o filho. Estava lá, ajudando na peneira realizada pelo Tupi,
contribuindo sem nenhum compromisso de receber pelo clube. O amor foi
recompensado, e a nova comissão que cuidava do clube convidou-lhe para
assumir o cargo de técnico do time profissional do Galo. Dois jogos na nova
função e ele já conseguia tirar as primeiras conclusões: é bem diferente ser
técnico.
"A privação é muito maior por você não poder estar dentro do campo e fazer as coisas que são necessárias. Temos que tomar as atitudes e trabalhar muito durante a semana, montando a equipe e passar tudo para o atleta. Se não conseguir, não adianta nada. Hoje o mais importante é estar com o grupo fechado, pois facilita a assimilação das orientações", avalia Zé Luis, o técnico com alma de goleiro. E alma passada de pai para o filho Vítor, de 13 anos, que também escolheu essa com sua profissão. Orgulho em dobro para o pai. "Ele já é goleiro e até foi campeão agora pelo Tupynambás".
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A carreira de Zé Luis Amador - de janeiro de 1981 a outubro de 1985, nas equipes do CR Flamengo, Americano FC e Botafogo FR Profissional - de novembro de 1985 a maio de 2002, nas equipes do Botafogo FR, Fortaleza EC, América-MG, EC Caldense, São Carlos-SP, Francana-SP, Atlético Goianiense-GO, Rio Branco-MG, Tupi e URT-MG
Campeonato Brasileiro Campeonato Carioca Campeonato Paulista Campeonato Goiano Campeonto Cearense Torneio Internacional Ramon de Carranza (Espanha)
Campeão Cearense pelo Fortaleza, em 1987 Campeão Mineiro pela URT, em 2000
Tupi FC durante o Campeonato Mineiro e o Campeonato Brasileiro da Série C Estudientes de Mérida (Venezuela), em 2005
Luciano Quadros (São Caetano); Émerson (Atlético-MG); Rodrigo Posso (Ipatinga); Paulo César, Eládio, Beto e Renan (Tupi FC), Manuel San House e Roberts Ribas (Estudientes)
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