O ritmo do forró pé-de-serra
Ludmila Gusman
11/07/02
Do forró agarradinho para as músicas cantadas no palco. A trajetória da
banda Farol de Vagalume teve início no gosto pela dança
que, em seguida, tornou-se paixão pela arte de cantar. Fernando Gaburi
(sanfona), Eduardo Santos (violão e voz), Ubirajara Pimentel - o
Bira (triângulo), Jussara Sarmento (vocal), Tiago Calderano (zabumba) e Udson -
Mindu (contra-baixo) são forrozeiros de coração. Cada um tem um motivo
diferente para gostar do forró, mas todos consideram o estilo musical um
ritmo divertido e bem animado. Não é à toa que, em dois meses de estréia, o
grupo já é sucesso e enche as casas nas apresentações. "São dois meses de
intensa atividade", conta Eduardo Santos. Durante esse período, os músicos
juizforanos não deixam de tocar um final de semana, com shows que podem durar
até cinco horas. "Houve situações em que a gente não aguentava mais e o
público ainda estava num pique total", lembra Bira. Com tanta animação, eles
garantem que mesmo cansados o show não pode parar e quem comanda o tempo da
apresentação é só público.
Banda multidisciplinar
A banda começou com quatro integrantes. Da primeira formação restaram três
músicos que mais tarde uniram-se a outros três. Hoje eles formam um grupo
diversificado que divide a paixão pelo forró com as atividades
profissionais. Eduardo é psicólogo, Fernando termina esse ano o curso de
Direito, Jussara é estudante de Letras, Direito e professora de dança,
Tiago e Mindu estão se preparando para o vestibular para Arquitetura e Bira
é executivo. Não bastasse a multiplicidade de funções, há de se destacar que
as idades também variam de 18 a 30 anos.
Apesar de profissões e idades diferentes, o interesse pelo estilo musical foi suficiente para unir os integrantes. A estréia do grupo aconteceu em maio de 2002. Para concretizar o início do sucesso eles convidaram os amigos para uma noite de forró. Na ocasião, tocaram músicas de forró pé-de-serra, xote, xaxado e baião e o retorno não poderia ser melhor. "Nosso estilo é direcionado ao público que gosta mesmo do forró. Tocamos músicas de bandas desconhecidas, mas que trazem a característica verdadeira deste estilo musical", diz Eduardo.
Muitos sonhos
Apesar de estar no início da carreira, os músicos acreditam que a banda
ainda vai trazer muitos frutos e já planejam lançar um CD com composições
próprias, algumas delas já estão em fase de finalização. "É muito cedo ainda
pra gente planejar algo, mas isso não impede de sonharmos. Ainda estamos
adquirindo a personalidade da banda, presença de palco, mas com muita
vontade de que tudo dê certo", acredita Eduardo.
De onde vem esse nome?
A história do nome da banda (pasmem!) só foi definido dois dias antes da
estréia. E para chegar ao Farol de Vagalume os integrantes apelaram
para as opiniões. Eduardo conta que o primeiro passo foi escolher na lista
telefônica um número do Nordeste. "Liguei pra lá, mas não adiatou muita
coisa. A pessoa não ajudou muito", conta ele. A segunda idéia foi entrar no
chat e pedir que os internautas dessem sugestões. "Conseguimos mais de 50
nomes diferentes e levamos para a votação do grupo. Por eliminação
selecionamos quatro", explica.
Com os quatro nomes selecionados - Munducá, Mamulengo, Farol de Vagalume e Mandacaru - os integrantes escolheram dois: Farol de Vagalume e o Mamulengo. Para definir, eles pediram a dez amigos que votassem no melhor. "Por incrível que pareça deu empate", diz Eduardo. Cansados de tanto indecisão, mais uma vez eles escolheram um número a esmo e ligaram para um nordestino resolver. "Caiu numa loja. Quando o cara atendeu expliquei a situação pra ele e pedi que ele votasse em um dos dois nomes. Ele escolheu Farol de Vagalume e assim ficou", conta. Depois os integrantes descobriram que já existia uma banda no nordeste chamada Mundocá e que Mamulengo significa fantoche. "Não tem nada a ver com o nosso propósito. Farol de Vagalume foi bem escolhido", avalia Eduardo.
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