"A cidade devia isso a ele"
. Essa é a resposta da cineasta Emmanuelle
Dias Vaccarini (foto abaixo) à pergunta sobre a escolha do personagem Arthur
Arcuri para o seu documentário.
Formada em Artes, Emmanuelle já era apaixonada pelo trabalho do arquiteto, na faculdade de Cinema, conhecedora da técnica,a moça decidiu que era hora de mostrar ao público o trabalho de Arthur Arcuri.
"Minha mãe trabalhava com ele e eu sempre o via nas exposições e palestras que
freqüentava durante a faculdade. Sua obra e a própria personalidade dele sempre me
encantaram. Acho que já estava passando da hora de alguém reconhecer a sua importância
para a cidade"
, justifica-se.
Entre o amadurecimento da idéia, as negociações com o arquiteto, a quem Emmanuelle
chama carinhosamente de "doutor Arthur" e o começo das filmagens foram três anos.
"Eu estava esperando que o projeto fosse aprovado pela Lei Murilo Mendes e também
o aceite do dr. Arthur e da Alice, filha dele"
.
Emmanuelle relembra que no primeiro contato com Arthur, ela foi acompanhada da mãe,
que já conhecia o arquiteto e ele não deu a resposta de imediato. "Ele ficou
receoso, queria entender o porquê da escolha do nome dele, mas em momento algum
me disse não. Só queria tempo para pensar"
.
Para se fazer entender, Emmanuelle foi muito clara: queria falar sobre sua vida
e obra, porque Arthur Arcuri é um nome de peso para a cidade. Segundo a moça, o arquiteto
fez muito pelas artes da cidade. "Ele permitiu que o meio cultural caminhasse
no século XX. Além disso, é uma pessoa super simples, acessível"
.
Depois desse primeiro encontro, as negociações continuaram por telefone com o arquiteto, que já está com 96 anos e sua filha, Alice Arcuri. Muitas conversas depois, o primeiro contato com Arthur e a equipe de filmagem aconteceu no final de 2007.
"A gente fez um roteiro, mas estávamos todos muito envolvidos pelo projeto. Queríamos
filmar tudo, capturar cada detalhe, cada pedacinho de pele dele, fazer todas as
perguntas de uma vez só... e ele estava calado, falou pouco"
, relembra.
Depois disso, o arquiteto se empolgou e decidiu escrever a sua biografia para facilitar o trabalho de Emmanuelle e sua equipe. Enquanto ele escreve as suas memórias, Emmanuelle entrevistou outras pessoas, de alguma forma ligadas à Arthur Arcuri.
Da família, vão aparecer no documentário, a esposa, Geralda Arcuri (na foto
ao lado, com Arthur Arcuri)
e a filha Alice.
Dos amigos, o advogado Almir de Oliveira vai ser o porta-voz. Entre os colegas de trabalho, está o diretor superintendente da Fundação Museu Mariano Procópio, Francisco Antônio de Mello Reis, que administrou o município quando Arcuri era o diretor do Museu. O dramaturgo José Luíz Ribeiro aparece na filmagem dando o depoimento de um ex-aluno apaixonado pelo trabalho do mestre.
Segundo Emmanuelle, o fato de o personagem principal da obra ter decidido fazer a sua biografia atrasou um pouco as filmagens, mas ela espera que o documentário seja lançado até o fim de 2008.
"Vamos ter que regravar a entrevista com ele, agora de uma forma mais organizada,
sem o arroubo apaixonado da primeira (risos). Isso atrasou um pouco, mas vai ser
muito bom para o resultado final. O dr. Arthur está muito empolgado"
.
Além da nova entrevista com Arcuri, Emmanuelle, sua equipe e Alice, estudam a
possibilidade de promover um encontro com Arthur Arcuri e o amigo e também arquiteto,
Oscar Niemeyer (foto ao lado). "Estamos analisando por causa da idade dos
dois, mas ambos estão muito empolgados com a idéia de se reencontrarem"
, comenta.
Depois de tudo concretizado, Emmanuelle pretende enviar o documentário para instituições, bibliotecas, imprensa e festivais. Segundo a moça, trabalhos como esse, baseados na história de um personagem de destaque no cenário local é fundamental para a manutenção da identidade de uma cidade.
"Meu objetivo é mesmo divulgar o documentário, apresentar a história do dr. Arthur
para as pessoas da cidade e levar Juiz de Fora e a nossa cultura para outras localidades.
Isso é muito importante para a preservação da cultura da cidade"
.
A moça revela que "trabalhar com a memória de outras pessoas é manter acesa
a chama daquela história. É eternizar o momento vivido por uma pessoa e que outras
nem têm conhecimento"
.
A cineasta explica que a idéia do documentário é contar a história de vida do arquiteto,
em terceira pessoa. "Estamos trabalhando para que eu não apareça, o destaque vão
ser ele e os personagens que fazem parte da sua vida. Só vamos usar uma fala ou
outra se não tiver outro jeito"
.
*Marinella é estudante de Comunicação da UFJF
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