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Juiz de Fora, 26/07/2008

Mãos masculinas na cozinha
Pais mostram que cozinha também é lugar de homem... e para cozinhar

Sílvia Zoche
Repórter
julho/2006

Não tem jeito. A cozinha, muito mais do que a sala, é o ambiente da casa onde todos se sentem mais à vontade, onde as conversas e as risadas rolam soltas. Dali saem os alimentos para o estômago e, porque não dizer, para a alma. Sim, porque gostar do que se faz já é pré-requisito para um excelente resultado e nisso pode-se incluir a culinária, profissional ou não. O "fazer com amor" dá um sabor especial nas refeições. Imagine se for alguém também especial em sua vida, como o seu pai? É claro que cozinha é lugar de homem, é lugar de ser humano. E se for pai, então. Hum! Realmente, fica tudo de bom. É que isso demonstra que pai e mãe dividem tudo em casa - do amor às tarefas - e que o equilíbrio na família é conseqüência.

O italiano Salvatore Imbroisi (foto acima, cozinhando para os amigos) é um desses homens que arrasa na cozinha e deixa todo mundo babando. Também pudera. Sua família sempre teve restaurante. "Comecei a gostar de culinária desde os 10 anos de idade. Nasci no meio". Quando veio para o Brasil, continuou a tradição de restaurante. Apesar de, atualmente, não se envolver profissionalmente com a gastronomia, mas como ele é um legítimo italiano, "as pessoas esperam que eu cozinhe", diz.

E assim o faz, com todo o gosto e acredita que, hoje em dia, há mais homens na cozinha do que mulheres. "Pelo menos, na turma que conheço", faz a ressalva. "O homem encontra na culinária um momento de relax, mas tem que gostar, tem que fazer com amor, porque senão o pessoal vai jogar a comida na tua cabeça", brinca.

Como a amizade e a família são importantes em sua vida, teve uma época que Salvatore reunia cerca de 60 pessoas em um sítio para brincar, jogar tênis e cozinhava para todos. "A importância da gastronomia na família é 90%, sem medo de errar. Quer ler isso vai achar que eu só comia. Mas não é isso. É daí quem vem as outras coisas. A culinária agrega, faz amizades", fala. Só que as reuniões acabaram quando ele percebeu que a turma mais jovem só chegava para almoçar e a conversa, o bate-papo antes dos comes e bebes deixaram de acontecer. "Me mudei e só chamo os parentes agora", confessa.

Ele, que se considera um autodidata, faz de tudo de uma boa massa até o churrasco e a feijoada. "Vou para a cozinha e aproveito o que tenho, sem necessidade de seguir a risca uma receita. Mas é porque tenho a experiência ameu favor. Ivento muita coisa, porque tenho noção de cozinha", diz. O fundamental é que o preparo da comida resulte em uma refeição "substanciosa e gosotosa. Não adianta ser bonita e não ter um gosto bom, não satisfazer".

Na família, os dois netos - um menino e uma menina - levam jeito para culinária. Já as duas filhas de Salvatore... "Elas não gostam não. O meu filho gosta mais como hobby. Ele faz uma pizza, um canelone de primeira qualidade. Em casa, a minha mulher prefere lavar os pratos e que eu cozinhe. Eu acho que a mulher se protege demais. Porque se ela mostrar que sabe cozinhar, até o marido vai cobrar que ela cozinhe e aí arruma confusão. Então, ela diz que não sabe e pronto", ri.

Salvatore conta, orgulhoso, que o neto (foto acima), certo domingo, pediu ao avô para preparar um capelletti in brodo, uma espécie de sopa de capelete. "Mas minha neta prefere capelletti ao molho branco. Ela tem treze anos e foi preparar. Ficou bom, mas faltou uma pitada de tempero, como noz moscada e uma pimenta, mas eu estimulo! E fico por perto, porque criança sozinha na cozinha não entra", enfatiza.

Sugestão de cardápio no dia dos pais: churrasco. "É o que todo mundo gosta e o que dá menos trabalho".

Culinária por profissão
Durante seis anos, a gastronomia em hotéis, ao lado de chefes de cozinha de alta categoria, fez parte da vida de Tibério Alfredo Silva (foto ao lado, com a filha Mariana), formado em Hotelaria. Ainda faz parte, só que hoje mais na área acadêmica e para a família e amigos. Antes, ele gerenciava hotéis, verificava de perto a cozinha e encontrava soluções pra melhor atender os clientes. "Eu reparei que as crianças não davam sossego para os adultos nos restaurantes dos hotéis. Então, criei um cardápio com refeições que atraíssem o interesse delas, numa área para elas, com mesas e cadeiras para a altura delas... Foi incrível como deu certo", relembra.

Cozinhar, para Tibério, é um ato de prazer e não de obrigação e o que ele gosta é de experimentar o novo. "Eu me dou o direito de experimentar e dizer que não gostei". Nos restaurantes, enquanto sua esposa pede o que já conhece, Tibério gosta de se aventurar. "O que mais me atrai é uma receita exótica. Gosto de novos sabores", diz.

A pequena Mariana, de dois meses, filha de Tibério e Tereza, certamente vai aprender a cozinhar brincando e vendo que a divisão de tarefas é algo natural. "A Tereza e eu dividimos as tarefas, as despesas... Senti na pele o que é morar sozinho e não saber fazer as coisas, porque meu pai não sabia fritar um ovo e fui criado assim", conta. "Por que a gente fala sobre a famosa 'comidinha da mamãe' e não 'a comidinha do papai'?".

Sugestão de cardápio no dia dos pais: "Mesmo que o pai não tenha costume de cozinhar, vá brincar de fazer biscoitinhos, saladinha dentro do tomate... Transfomar o momento do preparo do alimento em algo divertido, mas sem se tornar brincadeira".

Aloisio Scolforo, antes de tomar gosto pela culinária, cozinhava por obrigação. "Foi na época em que servi o exército, porque era obrigatório o aprendizado, mas acabei tomando gosto pelo fogão". Tanto é verdade que faz sucesso entre os amigos dos filhos, que acredita ser a culinária um elo entre as pessoas, por aproximar as pessoas, "principalmente nos momentos que antecedem os preparativos", comenta."É lógico que eles vivenciam os preparativos. Mesmo um deles não morando mais comigo, com freqüência ele está pedindo sugestões. Penso que eles gostam de meus pratos, porque um deles já faz pratos deliciosos".

Sugestão de cardápio no dia dos pais: Algo bem especial - desde que não seja cabrito ou camarão - como, por exemplo, um prato feito a base de trutas ou frango xadrez ou uma moqueca bem apimentada.

Braços cruzados...
...só no dia dos pais. É que André Luiz Pereira Machado participa de um Grupo de Casais, da igreja católica. Neste movimento, quando no dia dos pais, as esposas é que preparam todo o almoço e os homems nem se mexem. Em compensação, a cozinha fica por conta deles no dia das mães. "Aí, são elas que não fazem nada", conta.

A facilidade na cozinha existe, porque o pai de André era dono de açougue e gostava de cozinhar. E ele garante que faz qualquer prato com carne, principalmente. Em casa, as tarefas também são divididas, educação passada para os filhos e diz que o filho mais velho até gosta de cozinhar. "Isso é bom, porque ees dão mais valor ao que comem em casa e valor ao pai e à mãe. Normalmente, quando são mais novos, eles costumam reclamar da comida, mas não sabem o trabalho que dá para fazer", exemplifica.

Sugestão de cardápio no dia dos pais: picanha invertida. "O pessoal adora. Pega a picanha, abre no meio e puxa ao contrário. Recheia com provolone, bacon, lingüiça, passa sal grosso. Envolve em papel laminado e leva ao forno".

Seu pai
Se o seu pai também é fera na cozinha ou, pelo menos, gosta de preparar alguma receita de vez em quando, envie para redacao@acessa.com o prato que você mais adora que ele prepare.

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