Especial Páscoa
A celebração em algumas religiões

Repórter: Sílvia Zoche
Edição: Ludmila Gusman
Designer: Lúcio Tanini

A Páscoa é um dia importante no calendário litúrgico das religiões cristãs, porque celebra-se a ressurreição de Jesus Cristo. Mas, há algumas diferenças entre algumas delas como a católica, protestante metodista e espírita kardecista.

A kardecista, por exemplo, não comemora a páscoa. Para os protestantes metodista, não é necessário deixar de comer carne vermelha. Já entre os católicos há o costume de se fazer procissões. Em comum em todos os segmentos cristãos é o exemplo de vida que Jesus deixou.

Católicos

O padre católico e professor do curso de Teologia, João Justino (foto ao lado), diz que para liturgia católica, a Páscoa é a festa mais importante que celebra o ponto central de crença e verdade, através da ressurreição de Cristo. "É uma festa de ensinamento, vinculante à fé. Na igreja católica, envolve todo o período da Quaresma, de penitência até o Trido Pascal", explica.

O Trido Pascal começa na quinta-feira, com a Santa Ceia, depois a sexta-feira, que relembra a Paixão de Cristo e o sábado, em que acontece a Vigília Pascal. Nestes três dias, que precedem a Páscoa, o que predomina são as celebrações na igreja. "Mas há comunidades que fazem teatro e outros tipos de celebrações para integrar a comunidade".

Em família, na quinta-feira, a indicação é fazer uma ceia que recorde a ceia de Jesus com os apóstolos e "eleger algum gesto que expresse o cuidado com a vida em sintonia como o lava pés, como incluir os deficientes e os enfermos". Na sexta, o jejum, a abstinência da carne e o recolhimento. O sábado é o dia de silêncio. No domingo, dia festivo, da vitória da vida sobre a morte.

Na tradição católica, a Páscoa se prolonga por cinqüenta dias, na Festa de Pentecostes com a descida do Divino Espírito Santo. "Um período para revitalizar a própria fé, dando testemunho", comenta o padre.

Espíritas kardecistas

Na doutrina espírita, não há comemoração da Páscoa. Para os adeptos da religião, não existiu ressurreição. "Cientificamente, é impossível. O que houve foi uma aparição do corpo espiritual, que é algo natural. A vida de Jesus é cheia de exemplos. Não há motivo para se fixar em sua morte", dizem as espíritas, Denise Ribas Ribeiro e Alcimara Miana Machado.

Pessoas de outras religiões que buscam o espiritismo acreditam que vão encontrar alguma comemoração na Páscoa. "Esclarecemos o porquê de não comemorarmos. Inclusive nas aulas não há o que falar sobre o assunto, só se perguntarem e novamente dizemos o motivo. O que explicamos nos cursos são o mundo espiritual, a imortalidade da alma, a comunicabilidade, a reencarnação, a pluralidade dos mundos habitados e a lei de causa e efeito".

Protestante metodista

Para os protestantes, o dia mais rico é domingo de Páscoa. Eles não dão tanta ênfase ao julgamento de Cristo. "O significado da Páscoa é de renovação e pacto com Deus. O eixo teológico comum no segmento cristão é a ressurreição, mas há formas diferentes de ênfase", diz o pastor metodista e professor do curso de Teologia, Messias Valverde (foto ao lado).

A instituição da Ceia (João 13:1-15) é lembrada na quinta-feira, mas não existe culto na igreja. Na sexta, há encontros, mas o enfoque é para dimensão do perdão de Cristo crucificado para com o ladrão (Lucas 23:33-43). O jejum é recomendado, mas não há obrigatoriedade.

"É mais uma reflexão durante as orações". O sábado é um tempo mais reflexivo, de tristeza pela morte de Cristo. "A recomendação oficial é de reunião no templo de 22h de sábado à meia-noite, porque ainda não se tem a notícia da ressurreição", explica.

O domingo é festivo. "Destacamos a notícia de Cristo ressurreto trazido pelas mulheres (Lucas 24:1-12) durante a madrugada e à tardinha, o encontro de Jesus com os "Caminheiros de Emaús" (Lucas 24:13-25)".

Formação cristã

Mas nem sempre os ensinamentos de católicos e protestantes prevalecem nas festividades religiosas, dando lugar, algumas vezes, ao que o mundo capitalista dita. É o que pensam padre João Justino e pastor Messias. "Primeiro, há uma falha na formação dos cristãos. Segundo, é que vivemos no contexto em que a economia influencia no agir das pessoas e fez no descanso uma forma de comércio. As festas religiosas perdem o sentido para uma grande parte da população", diz o padre, que ainda lembra que os dias da Semana Santa, o "auge da vida litúrgica", os católicos não deveriam fazer viagens e sim celebrar. "Movimentos como feriado não é cristão".

O pastor Messias diz que o mundo capitalista é inteligente por perceber que, em algumas datas, os cristãos estão mais sensíveis. "No calendário litúrgico com datas como a Páscoa e o Natal, os sentimentos estão à flor da pele de todos e faz com que o comércio explore e crie necessidades e suprimentos para estas. Se o cristão fosse mais crítico, ia refletir e não se deixaria levar", diz. Ele acrescenta que a Ciência, apesar de seus aspectos positivos, deixou o ser humano mais racional e tirou um pouco do lado teológico e praticante.

"Grande parcela desconhece o verdadeiro sentido da Páscoa e reduz o dia ao que acontece na igreja e não vê que a celebração é dentro de si mesmo", reflete padre João Justino.

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