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    Uma Câmara de horrores  

    Matheus Brum Matheus Brum 20/12/2017

    Nesta última sexta-feira (15), a Câmara Municipal de Juiz de Fora entrou em recesso parlamentar de final de ano. Agora, os vereadores voltam a trabalhar no dia 2 de janeiro, antes de mais uma pausa, que ocorrerá na segunda quinzena do primeiro mês de 2018. Com as férias, completa-se um ano desta legislatura. E, qual o balanço que podemos fazer deste período? Posso definir em uma palavra: horror.

    Apesar de alguns nomes questionáveis, não acreditava que teríamos um ano legislativo tão esdrúxulo como verificamos. Tivemos o incrível e magnânimo “Dia do Fusca”; perda e mais perda de tempo com ridículas moções de repúdio; um catastrófico e sem sentido projeto “Infância sem Pornografia”, além de vereadores partindo para cima de manifestantes em plena “Casa do Povo”.

    Pois bem, este cenário todo que vivemos só foi possível graças aos votos dos juiz-foranos. Afinal, tanto o legislativo quanto o executivo são a representação final do que pensa a nossa sociedade. Isso vale para o nível estadual e nacional também. Portanto, é preciso fazer uma reflexão, profunda, sobre os motivos aos quais levam a teclar em favor de um (a) candidato (a). Vivemos tempos horríveis, mas que foram referendados pelas urnas.

    É preciso pensar na forma como votamos. Acredito que tudo deva ser baseado na ideologia. Um conceito complexo, mas que é necessário para nortear todas os nossos passos, não apenas os políticos. No mundo de hoje, não vejo as decisões sendo tomadas de forma ideológica. Aliás, vivemos um processo de negação de ideologia. Mas, negar a ideologia é uma ideologia.

    Vejo este processo de “confusão” no voto ser maior no campo legislativo. Vota-se em vereador, deputado federal e estadual, de forma muito passional. “Ah, é meu amigo”; “Ah, é um cara bonito”; “Ah, é pastor da minha igreja”; “Ah, distribuiu leite na comunidade”; “Ah, é amigo da minha mulher”; São muitos “ahs” e pouca justificativa prática. Muitos, aliás, nem sabem o papel do legislativo. Para manter a democracia ativa, é necessário entender o trabalho de cada órgão, e como eles precisam atuar em conjunto para a evolução política de uma cidade, estado e país.

    Voltando à Juiz de Fora, temos uma Câmara Municipal de qualidade extremamente duvidosa. Vemos vereador defender publicamente a intervenção militar, mesmo que isso signifique a própria perda do cargo (será que ele sabe disso?); temos defensor de grupelhos manipuladores como MBL; membros da “tradicional família brasileira”; bancadas da bala, católica e evangélica, fomentadores de um conservadorismo que cada vez mais precisam ser erradicados da sociedade. Enfim, um verdadeiro show de horrores.

    Por isso, é necessário que cada juiz-forano cobre do seu candidato uma postura firme diante do desmonte que acontece em nosso país. Ao invés de moção de repúdio ao Colégio de Aplicação João XXIII, por que nossos parlamentares não discutem sobre o contingenciamento de verbas feito pelo (des)governo Michel “Fora” Temer à Universidade Federal de Juiz de Fora? Por que eles não discutem a violência na cidade? Por que não propõem audiências públicas para debaterem a falta de empregos para os recém-graduados? Por que não percorrem os quatro cantos do município para ver os inúmeros problemas que as comunidades vêm passando?

    Por causa destas e outras perguntas, defendo que as pessoas precisam estar na Câmara, cobrando os parlamentares. Eles não podem simplesmente fazerem o que quiserem. Precisam defender os interesses do povo, não criar “Dia do Fusca”! Daqui a pouco, vai ter homenagem para o topete do Itamar, afinal, é o mais famoso do Brasil, não é mesmo?

    Que em 2018 possa haver mais cobrança, mais manifestações populares, para que nossa cidade enfim, tenha dias melhores.

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