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    A culpa, sim, é da esquerda!

    Matheus Brum Matheus Brum 13/11/2017

    Sim, amigos e amigas, a culpa de toda esta crise que vivemos no país é da esquerda. Mas não pelos motivos que a grande mídia e os grupos de direita, aparelhados com o grande capital tentam impor, dia a dia. A culpa é nossa por termos nos afastado daquele que sempre quisemos proteger e fazer melhorar de vida: o povo.

    Quantos partidos de esquerda, correntes partidárias, movimentos sociais, ou sindicatos estão presentes, diariamente, nas áreas de vulnerabilidade social? Quais lideranças políticas vindas destas comunidades estão sendo formadas? Quais trabalhos de base têm sido feitos, para criar uma nova geração consciente dos direitos e deveres políticos? Quantas pessoas temos estimulado a resistir, diante de tantas atrocidades? Por fim, quantos jovens, homens e mulheres temos conclamado para juntos, gritarmos contra as reformas feitas por Michel Fora Temer? A resposta é zero para todas as perguntas.

    A esquerda no Brasil é fomentada nas Universidade e Institutos Federais. Nestes locais, há professores que sabem a teoria Marxista, Leninista, Stalinista, Fidelista, Chavista, Lulista, Guevarista, etc, de cabo a rabo. Mas, na grande maioria, os debates travados ficam dentro dos muros universitários. Infelizmente, não são todos que têm acesso a estes espaços.

    Também faço parte desta “esquerda acadêmica”, que lê livros, sabe das teorias, tem acesso a informação e conversa com seus pares, que têm o mesmo conhecimento. No entanto, este grupo não consegue dialogar com o povo. Na sua grande maioria, o pobre, que passa dificuldade financeira, trabalha exaustivamente, e quer saúde, educação e um futuro melhor para os filhos, está pouco se lixando para teorias. Para eles, não importa quem é o presidente da República, desde que faça algo para a melhorar suas vidas.

    E é isso que precisamos mudar! Para isso, temos que propagar as ideias dos sociólogos, filósofos, antropólogos, historiadores, cientistas políticos e comunicadores, para a criação de novas lideranças populares, que irão lutar por melhores condições de vida para aquela e outras comunidades. Se na teoria o poder é do povo, este precisa ser incentivado que ele participe, não ficar esperando algum Messias que vai assumir o poder e mudar tudo. Até porque, este ser, não existe!

    Ninguém melhor para entender os anseios das comunidades carentes do que alguém que passou por toda a precariedade na qual o Estado o trata. Nenhuma teoria, nenhum livro, consegue simular a condição de alguém que vive numa favela, rodeado de violência, desigualdade social, do abandono do poder público e da falta de lazer, educação, saúde e oportunidades.

    Não obstante, nestes mesmos locais está sendo plantada a corrente do conservadorismo, incentivado pelas Igrejas Neopentecostais. Este discurso acentua a desigualdade e a polarização de ideias, uma vez que os coloca próximos a políticos que não têm propostas para melhoria social, acirrando de vez os problemas que temos no Brasil.

    Enquanto tudo isso acontece, a esquerda “academizada”, fica brigando, discutindo quem é melhor, que partido é “mais de esquerda” que o outro, formando líderes que não tem apreço popular, que não sabem a linguagem ou as necessidades do povo. Falam de Revolução do Povo, sem o povo! Reclamam da democracia, mas não propõem em novas formas de governo!

    Ano que vem teremos eleições. Quais as novas cartas na mesa? Quais novas opções teremos? Ou melhor.... qual o futuro nos reserva para daqui 30 anos? Não adianta formar novos líderes progressistas brancos, que estudaram nas melhores escolas, que possuem uma boa condição financeira, mas que nunca pisaram numa favela. Precisamos dos negros, dos pobres, dos estudantes vindos da periferia, dos índios, dos trabalhadores mais humildes, dos sindicalistas, dos membros da comunidade LGBBTI, dos pequenos agricultores, dos pequenos pecuários, enfim, de todos que compõem esta grande e diversa Nação, chamada Brasil.

    O GOLPE do ano passado ainda precisa ser refletido.... lutamos muito pelo povo, mas até que ponto o trazemos para o nosso lado? Ou retornamos às nossas origens, ou corremos o risco de formar gerações tão conservadoras quanto a dos nossos pais. Nossa luta irá continuar, mas temo que o povo não queira saber de nós, num futuro não muito longevo.

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