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    Consumo de refrigerante em excesso faz mal à saúdeO consumo não deve passar de dois copos por dia. Maioria das bebidas à base de laranja e limão e as dos tipos diet e light apresentam substância cancerígena

    Daniele Gruppi
    Repórter
    7/5/2009

    O refrigerante está tão incorporado à alimentação, que algumas pessoas não conseguem mais controlar o consumo. O músico Felipe Amorim, 25 anos, confessa que é difícil resistir à bebida. "Consigo ficar, no máximo, um dia sem beber um refrigerante."

    Felipe conta que acaba substituindo a água por suco ou refrigerante. "Tomo pouca água. Às vezes, tenho pouca paciência para preparar o suco. Como o refrigerante é mais prático, acabo optando por ele."

    Na sua preferência está um refrigerante tipo cola. "Bebo quente e sem gás. Quando a garrafa de três litros está no final, sem gás e ninguém mais quer, aproveito para degustar. E não tem hora para beber, tomo até no café da manhã." A funcionária pública, Simone Gonçalves, 35, também é uma consumidora assídua de refrigerantes. Ela chega a tomar 1,5 litro por dia. "Gosto do sabor."

    Para quem consome o refrigerante em excesso, a nutricionista Cláudia Montianéle de Castro faz um alerta. "A bebida causa obesidade e provoca cáries. Os tipos cola, que contém cafeína e ácido fosfórico, roubam cálcio do organismo, provocando perda de massa óssea ou diminuição da densidade mineral óssea. Além disso, por conter corante caramelo, os tipos cola podem aumentar a resistência à insulina e, consequentemente, o risco de desenvolver diabetes tipo 2."

    Segundo a nutricionista, os refrigerantes possuem calorias vazias, ou seja, têm calorias, mas não nutrientes. Cláudia afirma que o limite de consumo não deve passar de dois copos por dia. "A bebida não deve fazer parte da alimentação diária das pessoas. Existem substitutos muito mais saudáveis, como os sucos naturais, bebidas à base de soja, água, água de coco e chá."

    Pesquisa constata substância cancerígena nos refrigerantes

    foto de várias latas de refrigeranteA Pró-Teste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - divulgou nesta semana uma pesquisa realizada com 24 refrigerantes. Em sete, constatou-se a presença de benzeno. Cláudia explica que se trata de uma substância cancerígena encontrada no ar, pela queima de carvão e óleo.

    "O benzeno pode ser formado em substâncias que contêm benzoato de sódio e ácido ascórbico (vitamina C) na composição. As temperaturas elevadas e a luz podem estimular a conversão do benzoato de sódio juntamente com o ácido ascórbico em benzeno."

    A nutricionista diz que o benzeno pode ser encontrado na maioria dos refrigerantes à base de laranja e limão, devido à vitamina C, e também naqueles do tipo light e diet. "O açúcar inibe a formação de benzeno e a restrição dele na bebida tipo light e diet pode favorecer a sua formação."

    Foram descobertos ainda dois corantes impróprios para as crianças: o amarelo crepúsculo, proibido em países europeus por aumentar a hiperatividade, e o amarelo tartrazina, que pode causar alergias. Em relação à higiene, não foram encontrados microrganismos nos refrigerantes, nem qualquer problema que pudesse comprometê-los.

    Conforme a Pró-Teste, para resolver o problema basta aos fabricantes a substituição do conservante ácido benzóico por outro que não reaja formando benzeno. O órgão irá notificar a Anvisa e o Ministério da Agricultura para que estabeleçam uma legislação proibindo a presença de benzeno nas bebidas, em quantidade superior à permitida na água potável, e de corantes impróprios para as crianças, nos alimentos e bebidas em geral.

    "Os consumidores devem estar atentos aos rótulos das bebidas e verificar se elas possuem benzoato de sódio e vitamina C na composição. Devem ainda procurar armazenar em locais frescos e fora da incidência da luz", aconselha Cláudia.
    Diet, light e zero

    foto de várias garrafas de refrigerantes Na pesquisa também foram medidos o teor de açúcar das bebidas para checar se as que se denominam diet, light e zero realmente o são e para verificar se as tradicionais abusam do açúcar. Não foram constatados problemas na denominação, mas todos os refrigerantes têm açúcar demais para que o consumo por crianças seja tolerável.

    Ao final do teste no laboratório, os consumidores degustaram as bebidas sem identificação para apontar se eram versões tradicionais, diet, light ou zero. Em vários casos, as pessoas não souberam que versão lhes foi oferecida.

    De acordo com a nutricionista, não só os refrigerantes diet e light são confundidos no mercado, os alimentos também. Ela esclarece que light é o alimento que apresenta redução mínima de 25% em determinado nutriente comparado com o convencional. "É ideal para quem está fazendo dieta para redução de peso."

    O diet é recomendado apenas para pessoas diabéticas, pois há restrição de açúcar na composição nutricional. Segundo Cláudia, não é necessariamente menos calórico que o alimento comum, já que é possível acrescentar outro nutriente para compensar a restrição do açúcar.

    No refrigerante zero, não há calorias ou há em quantidade insignificante. Porém, tem acréscimo de sódio na composição e não deve ser consumido por pessoas hipertensas. "O mineral eleva a pressão arterial, além de possuir um gosto residual de adoçante maior do que o light."

    Consumo de refrigerantes por crianças

    Cláudia afirma que as crianças devem evitar consumir os refrigerantes. A bebida prejudica no processo de absorção de cálcio, substância importante para a meninada que ainda está em fase de formação óssea. Os refrigerantes também contribuem para aumentar o índice de sobrepeso e obesidade infantil. "Os refrigerantes diet ou zero não são recomendados para crianças."

    Confira a pesquisa feita pela Pró-Teste (Clique para ampliar)


    tabela

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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