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    Sobre paciência...

    Nome do Colunista Ana Pernisa 8/11/2017

    Começo esse texto convidando você a pausar e sentir as palavras que derramo nessas linhas de hoje.      

    Já parou para observar e se perguntar até onde nossa correria, o excesso de informações e estímulos nos ajuda, de fato, ou nos rouba de nós mesmos? E, nisso tudo, como anda seu nível de paciência?

    Observe! Já não olhamos as pessoas quando entramos nos elevadores ou enquanto andamos pelas ruas; não conversamos sem que o barulhinho  dos nossos dispositivos eletrônicos atrapalhem. Nos carros, é muito comum, observarmos pessoas que de forma imprudente usam celulares, por não terem a paciência de parar ou aguardar para acessar ligações ou mensagens com mais segurança. Muitas pessoas nem conseguem mais andar pelas ruas sem estarem plugados em um celular, falando o tempo todo... E agindo dessa forma, vamos nos enchendo de atividades que nos distanciam do simples como, por exemplo, sentir o vento ou o calor do sol a passear no pelo nosso rosto.     

    Juntando a essa reflexão, aproveite para se perguntar: Há quanto tempo não sorri, só por esse delicioso prazer de estar de bem com você? Veja como estamos cada vez mais irritadiços e intolerantes. Pudera! Estamos perdendo o contato com os nossos sentimentos! Não temos nem tempo de “respirarmos os passos que caminhamos”... Então, como vamos sorrir? Pense bem... Sorrir por sorrir é tão bom! Tão simples! Até quando vamos ficar correndo para lá e para cá, sem de fato perguntar se tudo isso é mesmo válido ou tão necessário?

    Nessa atualidade que nos cerca, quanto mais pressa temos, mais nos afastamos de nós mesmos, com isso, ficamos mais impacientes. Perdemos a noção do tempo, da necessidade de saber aguardar e de parar! Estamos sem tolerância por nós, pelo outro e pelos ciclos que as situações envolvem... Desconectados, não  compreendemos que há coisas que simplesmente vão acabar acontecendo em seu ritmo próprio, independente da nossa vontade e que, forçar as coisas, só vai servir para nos adoecer.  

    Desenvolver a paciência é perceber que a vida possui ciclos e que há tempo de plantar e de colher. Esses princípios são tão salutares que se encontram, inclusive, na Bíblia! Olha só que interessante o que está escrito lá em Eclesiastes 3:1-2, “Para tudo há um tempo determinado...; [...] tempo para plantar e tempo para arrancar o que plantou.” Ou seja, por mais que tentemos controlar o tempo, existem ritmos que não mudam! Então, veja bem: nem sempre excesso de correria, de atividades, de eventos, quer dizer uma vida feliz. Muitas vezes, quando escolhemos viver assim, algo de essencial para nós poderá se perder no caminho.

    Cada vez mais se faz necessário procurar tempo para pausar, respirar e viver no agora. O que antes era algo natural, está se perdendo: o momento presente. É nele que podemos parar e avaliar o que desejamos construir para a frente. Por isso, na vida, entender que cultivar a paciência faz parte de viver e ter a chance de seguir com mais leveza... Cultivar a paciência ajuda nesses tempos de tantos passos acelerados e de tantas pessoas ansiosas. A paciência, aqui, entra como contraponto na busca de se criar um equilíbrio.

    Pergunto: há quanto tempo você não fica pelo menos algumas horas longe das coisas aceleradas? Sem acesso a tecnologia? Devemos ser perseverantes em desenvolvermos em nós o hábito de gerar pausas. Mesmo que pequenas. Pausas que nos permitam a oportunidade de respirar profundamente para podermos ativar a nossa autopercepção!

    Proponho um exercício simples: o da respiração consciente. Ele é assim: por dois ou três minutos, respire devagar. E, a cada respiração, procure estar atento (a) ao seu ciclo de pausa e ação. “Inspirar, pausar, expirar, pausar”. Esse exercício mostra o  quanto é importante cultivar o domínio interno e saber esperar com calma o próximo movimento. Pausar para respirar é uma forma de tomar contato com o seu próprio ciclo e o seu sentir.

    É necessário tranquilidade para conseguir compreender que determinadas situações independem da nossa agitação e que isso só nos tornará mais ansiosos.    

    É preciso entender que, por mais que tentemos, com nossa correria diária, nem tudo faz parte do pacote "fast". Não podemos acelerar o tempo de um relógio e nem tampouco atrasar os dias ou adivinhar o futuro. Correria ou preocupação extrema, na maioria das vezes, não vai solucionar nada... Mas o exercício da paciência nos auxilia a perceber que há o tempo certo para as coisas acontecerem e que isso, muitas vezes, requer determinados momentos de espera.

    Além do exercício da respiração consciente, cultivar o hábito de olhar a natureza ao nosso redor pode nos auxiliar, se percebermos os seus processos. Estamos cada vez mais desconectados dessa grande escola que é a observação da Natureza. Nela, existem ritmos, pausas, movimentos e transformações, onde uma sabedoria maior a rege e nos ensina... Compreender e trabalhar em si a aceitação pelos ciclos da vida  ajuda na compreensão de que podemos agir até um ponto e que, depois disso, só nos resta aguardar o tempo certo, com uma atitude amorosa e confiante e isso pode nos trazer mais equilíbrio e respeito conosco e com o outro.

    Outra coisa que pode nos facilitar é entender que tem horas que é possível ter como lema: "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer" (Canção de Geraldo Vandré) mas, que também tem horas que o lema é outro, tal como: "Ando devagar porque já tive pressa" (Canção de Almir Sater) e que ambos, fazem parte da arte de se viver.

    Portanto, o convite para este momento é: vamos aprender que, assim como o lavrador, que após ter preparado a terra e semeado, precisa ter a paciência para esperar as chuvas e o tempo certo da colheita. Da mesma forma, não podemos agir assim em nossas vidas?

    Ótimo dia! 

    Um beijo carinhoso.

    Ana Pernisa é Psicóloga, Pedagoga, Coach e Consteladora Familiar. Idealizadora do Grupo Terapêutico Companhia de Mulheres. Estudiosa e interessada em assuntos que possibilitam e sejam facilitadores ao desenvolvimento pessoal e profissional.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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