Saúde
Sexta-feira, 9 de janeiro de 2009, atualizada às 14h49
Leptospirose, cólera e hepatite são as principais doenças da época de chuvas
Repórter
Durante os meses de chuvas mais intensas, doenças de veiculação hídrica, como leptospirose, cólera, febre tifóide
e hepatite costumam acometer pessoas que tiveram contato com as águas ou a lama da enchente.
"A enxurrada facilita o contato com bactérias, vírus e vermes, o que não ocorreria em situação normal"
, diz
o veterinário do Departamento de Zoonoses da Secretaria de Saúde
da Prefeitura, José Geraldo
de Castro Júnior.
Os sintomas, segundo ele, são os mesmos para todas essas doenças. "Entre uma e duas semanas
após o contato com a água contaminada, as pessoas podem ter diarréia, febre, vômito e dores abdominais."
Entre os cuidados para afastar a possibilidade de infecção está evitar o contato com a água da enchente.
Para isso, José Geraldo recomenda o uso de equipamentos de proteção pessoal, como botas, luvas
e roupas de manga comprida. "Se a pessoa não tiver luvas, coloque sacolas plásticas nas mãos"
,
recomenda ele.
Em caso de não haver água potável para o consumo, o veterinário orienta tratar a água, o
que é feito com duas gotas de água sanitária para um litro de água ou uma gota de
hipocloirito de sódio (cloro 10%) para dois litros de água, meia hora antes do consumo. Ferver a água
de qualidade suspeita por 30 minutos também é eficiente.
Outro ponto a ser evitado é consumir verduras que tiveram contato com a água contaminada.
"Ovos de vermes podem ter atingido esses vegetais"
, explica.
Procedimentos para a limpeza de imóveis atingidos por enchentes
Para retirar a lama dos locais atingidos pela água, José Geraldo recomenda o uso dos equipamentos de proteção pessoal. A sujeira mais grossa pode ser retirada com sabão em pó. Depois, para desinfetar, o ideal é lavar o local com a mistura de um litro de água sanitária em cinco de água, ou de um litro de hipocloirito de sódio em 20 litros de água, deixando entre 30 minutos e uma hora, e enxaguando em seguida.
Formas de transmissão das doenças hídricas
Leptospirose: a bactéria leptospira é transmitida pela urina de roedores. No meio urbano, os mais comuns são a ratazana, o rato de telhado e o camundongo. O contágio é feito através da pele ou pela ingestão de água contaminada. Ferimentos na pele e o longo tempo de permanência na água contribuem para a contaminação, já que, no último caso, os poros se dilatam. O período de incubação é de três a 28 dias.
Hepatite A e E: o vírus desses dois tipos de hepatite fica no intestino e é eliminado com as fezes. A contaminação se dá através da ingestão de água e alimentos contaminados pelo vírus.
Diarréias: são comuns após a ingestão de água de qualidade duvidosa e de enchente.
Febre tifóide: a bactéria salmonela é transmitida aos homens pelas fezes de animais, principalmente aves, em contato com a água da chuva contaminada.
Cólera: doença é transmitida por vírus, o vibrião colérico. Presente na água contaminada, ele é transmitido ao homem pela ingestão de água contaminada.
Segundo a assessoria da Secretaria de Saúde, não há casos de hepatite E e cólera, em Juiz de Fora, desde 1995. Os casos de leptospirose e hepatite A estão abaixo da média considerada aceitável. Não houve mortes em consequência destas doenças. Números de 2007 da Secretaria de Estado da Saúde mostram que dos 70 casos de leptospirose registrados em Minas naquele ano, 10% foram na cidade.
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